18 dez 2008

A pergunta que calou

Que o tempo passa e não volta mais todo mundo sabe. Agora poucos têm o privilégio de reviver antigas “cenas”. Eu tenho. Por ter uma irmã de 14 anos é fácil me ver em algumas situações, mas poucas vezes elas são tão reais. Situação: formatura de oitava série. Colação é aquela coisa chata e cansativa, interessante só para os pais e os próprios formandos. Não tinha como comparar com a minha formatura de oitava série, porque foi nos EUA e lá só tem o Prom, que é o baile. Então eu tentei lembrar a formatura do terceirão, mas não tem comparação, as expectativas são outras. O baile da minha irmã não foi diferente dos outros bailes de formatura de oitava série que eu tenha ido na adolescência. As músicas oscilam entre o funk, quando todas as meninas aproveitam pra mostrar que são quase mulheres, o pagode, que pra quem sabe dançar dá pra fazer uma “graça”, o forró, hora do approach e o eletrônico, quando os meninos lançam pernas e mãos ao alto dando socos no ar, acreditando que aquilo é dança. Na minha época isso era bem divertido, agora é bizarro. Mas era o baile da minha irmã e como eu não rejeito uma pista de dança, lá fui eu.

Não sei se eu não suporto as amigas da minha irmã por muito tempo ou elas que não me suportam, só sei que é impossível uma aproximação. Então fiquei dançando com a minha mãe, que consegue ser mais divertida e menos bizarra que adolescentes. Chegou certo ponto da festa que os meninos começaram a me paquerar. Ou eles acharam que eu era uma menina com peitos ou estavam de gozação com a minha cara. Eu até curto um novinho, mas hoje minha escala é de 19 pra cima. Tudo isso foi ‘fichinha’ perto do que estava por vir.

De repente não mais que de repente minha irmã chega perto de mim, toda alvoroçada, e grita no meu ouvido: “Não conta pra mãe. O Matheus pediu pra ficar comigo. Não conta pra mãe!”. O que eu deveria falar? Ela tem 14 anos! Na mesma hora minha mãe chegou perto de mim. Foi minha chance de ficar muda, não emitir nenhuma opinião. Não que eu não quisesse ajudá-la, mas eu não sabia o que dizer. E ela ficou fazendo sinal de positivo ou negativo pra mim. Nessa hora tudo passou pela minha cabeça. Eu lembrei que aos 14 anos os meninos pedem pra ficar com as meninas. Até que é gentil. E eles têm razão em perguntar… E de querer ficar, beijar. Provavelmente a conquista deve ter acontecido durante o ano. Olhares, dançinha na festa junina, trabalhos na casa dos amigos. Vários pretextos pra ficar junto. No final o que se quer mesmo é beijar. Eu sei de tudo isso, mas porque não consegui aprovar e fazer com que tudo fosse mais fácil pra ela? Eu sei que o beijo rolou. Em meio a luzes e pessoas efusivas eu vi alguma coisa. Mas talvez ela precisasse da minha aprovação.

Ao mesmo tempo em que eu tentava me colocar no lugar dela, relembrando o que uma garota sente nesse momento, eu não podia sair no meu lugar, o de irmã mais velha. Eu tive medo de incentivar e acabei ficando na inércia. Mesmo hoje, uma semana depois do baile eu ainda não consigo falar com ela sobre isso. Eu fico me questionando o que ela gostaria que eu fizesse, falar com ela, ou esperar até que ela se sinta à vontade em falar comigo. O negócio é não se preocupar muito, as coisas simplesmente acontecem. Aos poucos ela vai percebendo que com mulheres é sempre assim, dúvidas e mais dúvidas, mesmo quando parecemos seguras. E nem sempre tem alguém do nosso lado pra dizer o que fazer.


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Uma resposta para "A pergunta que calou"

simoca
19-12-2008 @ (22:03)

>auheauharrasaaando os corações da mulecada então..;D



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