14 maio 2019

Um bate papo aqui de fora

“Fica no elevador” eu grito pra ele como faço com todas as visitas que chegam aqui em casa. O elevador chega direto no apartamento, mas é preciso a chave de casa. Então quando alguém chega a gente sempre diz pra pessoa ficar dentro e chamamos o elevador.

Meu coração esta disparado. Faz tanto tempo que evito esse momento. Perdi a chance de recebê-lo na minha última casa, onde queria mostrar e contar tudo que conquistei.

O elevador ja faz um barulho anunciando que está próximo. Eu, como sempre, estou quase fazendo xixi na calça, como em qualquer momento de nervoso. A última vez que isso aconteceu foi quando nos despedimos

Meu corpo paralisa, eu não sinto mais minha pele, por mais que ainda sinta cada pelinho do braço levantando suavemente. A porta abre lentamente, como se o tempo fosse parar naquele instante e fosse tudo um sonho.

“Oi” logo dou um abraço nervoso e tímido e digo “bem vindo a minha casa!” 

Eu quero poder demonstrar na minha voz que eu estou feliz e tendo agir descontraída, mas está difícil.

Ele entra com uma cara tão feliz ja dizendo o quão lindo o apartamento é. Eu me seguro pra não confessar “é o mais lindo, mas de longe o lugar mais feliz que ja estive”. Calma, eu penso, vocês tem tanto pra conversar até entrar na parte de confessar tudo que dói. 

“Que pena que tu nem chegou a ver o outro, pai. Ele era lindo! Mini, porém lindo. Esse tem sacada, vai ali fora ver a vista, o sol esta se pondo e o céu esta alaranjado. “

“Queria te receber dessa vez de novo com um copinho de cerveja, umas daquelas daqui que tu gostas tanto” eu falo algo tentando manter a conversa do lado de dentro do apartamento. “Mas eu preciso confessar” falo com a voz ja mais baixa, enquanto me aproximo da porta e ele entra. “Marquei esse encontro somente por mim. Não quero te atualizar sobre como está o mundo, a mãe, o Brasil ou qualquer outra coisa.” A voz começa a ficar tremula. “Quero te contar como eu estou. Eu preciso da tua ajuda.” Eu o abraço e sinto o cheiro dele. Meu deus, como isso é divino. 

Eu choro, mas choro pouco. Tudo que eu menos quero na vida é magoa-lo ou faze-lo sofrer também. 

“Eu sei pai, eu sei que depois de tudo tu és muito mais forte. E é por isso que te quis tanto aqui.”

Ele me olha com um olhar sereno e eu choro. Choro tanto que poderia dizer que passaram-se horas. 

Tentando manter a espontaneidade que sempre tivemos, eu saio do peito dele e limpo o rosto. “Quer saber? Tem cerveja na geladeira e vou abrir uma pra nós.” 

“Verdade, a ultima vez que os falamos foi em 2016. Sim, estas certo muita coisa mudou. Mudou dentro por que la fora tudo continua igual. Eu é que não conhecia o mundo. Isso é ser adulto, pai?”

Ele estende o braço com o copo na mão e enquanto eu vou virando a latinha de cerveja eu analiso cada centímetro da pele dele. E rio, percebendo o dedinho torto dele.

“Sabe, eu queria falar tanto, perguntar tanto, mas ja está tudo melhor. Só em te olhar eu ja vejo tudo mais claro e mais bonito.” Pego o meu copo, agora também cheio e dou um passo para fora, ja sentindo o cheiro do ar gostoso.

Arrumando o sofa do lado de fora, com as almofadas, percebo um sorriso leve no canto esquerdo da minha boca. Tão natural e forte que minha bochecha dói.

“Agora vem aqui pra fora, quem sabe com o tempo eu consiga te contar….”


30 jan 2019

Princesa moderna

Baseado nas historias que ouvimos quando criança toda mocinha quer ser salva. Ninguém conta o que acontece depois da salvação. Ok, ja sabemos bem, depois disso vem o casamento. Mas e se a historia se desenrolasse diferente, ainda poderíamos chamar de “final feliz”?

Se depois de ser salva a princesa agradecesse o principe e dissesse que daqui em diante pode seguir sozinha? E se depois ela perceber que nunca precisou dessa porra de salvação, que ja nasceu livre e salva, mas nunca tinha percebido?

Ou se ela falasse “Beleza principe, valeu por ter me acordado do sono profundo e me tirado daquela bruxa. Mas é que eu percebi que você não precisa ficar me trazendo sapatinho, eu consigo fazer as coisas sozinha. Na verdade quem encarou a fera aquele tempo todo fui eu mesma, voce só apareceu pra dar aquele beijo final. Mas não me entenda mal, voce é um gato e não é a toa que foi seu beijo que me fez acordar. Só que depois de tudo eu me tornei forte e não sou mais tão frágil. Eu gosto de você e você não precisa mudar, mesmo que eu tenha mudado.” 

Será que o principe iria continuar ali?

Ou será que ele ia procurar uma outra mocinha pra salvar, por que no final todo homem quer sentir-se herói, e se não poder mais ser “o herói” ele mete o pé?

Ta ai uma bela explicação porquê homens largam mulheres incríveis para ficar com mulheres medíocres.

O jogo virou, a história mudou. Era a fome com a vontade de comer. Elas queriam ser salvas e eles queriam salvar.

Mas como viver num mundo em transição onde contos de fadas não trazem mais emoção? Fazer a princesa doce e frágil e ter um belo principe acordando do seu lado todo dia? Não se sujeitar a rotulo nenhum?

Eu nunca fui doce nem frágil. Será que essa é só uma historia da mocinha que não quer ser salva e ainda vai penar muito ou acabar sozinha? 

Como criar um final feliz escrevendo a historia de traz pra frente?

texto de 2016


19 maio 2017

Ela só quer…

Ela queria o conforto de alguém. Alguém que se sentisse confortável do lado dela.
Ela queria alguém que pudesse impressionar.
Ela queria que ele tivesse pegada forte. Eu disse forte.
Ela queria sair pra jantar e dar risadas.
Ela queria alguém que tirasse sua roupa lentamente e cultuasse seu corpo, em olhares e palavras.
Ela queria alguém que chegasse com ela na festa cheio de orgulho.
Ela queria alguém que a fizesse esquecer de tudo em poucos minutos de toque.
Ela se abriu pra vida e teve tudo isso.

Por que ela ainda procura?


08 mar 2017

Divorciada aos 30

É exatamente isso, essa é a minha realidade. Mas antes de chegar a esse ponto da minha vida, vamos voltar os meus 13 anos. Ja comentei aqui que com 13 anos eu comecei a escrever em diário. Eu sempre digo que foi com essa idade que eu comecei a ver a vida. E nessa época eu não sonhava com os 18 anos, eu imaginava meus 30. Minha Barbie trabalhava e o Ken era apenas seu namorado. Ela tinha carro, trabalho e morava sozinha. A idade da minha Barbie era 30, por que naquela época eu ja percebia os artigos em algumas revistas dizendo que 30 era o auge da mulher. Eu não via a hora de virar mulher! Claro que eu sabia que iria demorar muito ate eu chegar aos 30, mas eu ja imaginava que seria mágico. Quando eu cheguei os 18, a época que todas meninas sonham, meu desejo era me mudar pra Nova York – a metropole dos sonhos, ter um super emprego em uma revista feminina e morar em um daqueles apartamentos sem divisão com uma super janela de vidro. 

O tempo passou mais um pouquinho e eu me apaixonei perdidamente por um Suíço aos 21. Qualquer sonho que eu tivesse tido ate aquele momento cairia por terra, ja que eu ja tinha “caído por ele”. Depois de alguns anos de namoro eu vim pra Suíça e nós nos casamos. Não me interessava mais onde morar, eu queria ele. Eu trabalhei como babá por um tempo e por mais que isso abalasse um pouco meu ego, eu estava feliz por estar perto dele, e até aquele ponto ele ainda satisfazia minha vida. Por um bom tempo todos meus sonhos e desejos ficaram meio abafados, por que eu me acomodei na felicidade. Mas eu sentia, que algo estava meio… fora da rota? Mas olha, jamais vou cuspir no prato que comi, eu fui, sim, muito feliz naquela vida.

Mas aí depois de 5 anos eu fiz 30 e eu não consigo expressar em palavras a minha realização pessoal e como eu me sinto plena e completa. Muita coisa aconteceu nesses anos, muita insatisfação, tristeza, decepção e aprendizado.

Hoje eu escrevo esse texto depois de horas de trabalho num escritório de uma empresa em Zurique – a metropole da Suíça, e mais importante: olhando pra fora pela minha grande janela de vidro. Se eu olhar pra traz também vejo meu quarto, por que meu apartamento não tem divisão. E claro, uma lagrima cai do meu olho.

Amanhã vamos nos divorciar e eu não sei o que sentir. No roteiro que criei quando tinha 13 anos, não tinha essa parte, mas e se foi isso que me trouxe pra onde eu queria, como me sentir triste? Minha lagrima é de gratidão, que fique claro.

Enquanto muitas mulheres hoje comemoram seus 30 anos e se sentem repletas porque conseguiram casar e ja estão planejando o primeiro filho, eu faço o caminho inverso.

Se eu pudesse voltar no tempo e reencontrar aquela menina forte e perspicaz de 13 anos eu abraçaria e diria: vai dar tudo certo! Todos aqueles momentos de reflexão em cima do diário e aqueles desejos que iam de encontro com o que as outras meninas queriam valeram a pena. Todo o choro valeu a pena.

Eu queria terminar esse texto com algo surpreendente, mas quer mais surpresa do que chegar num ponto da vida e perceber que as coisas arrumam um jeito de ser, mesmo que um jeito torto? Falando assim parece até que é o fim de todos os planos. Mas é que foi assim, eu só desejei até aqui mesmo.

——

Calhou desse texto ser postado no dia internacional da mulher, então fica aqui a minha reflexão: nenhum estado civil diz quem você, mulher, é ou pode ser! 


06 jan 2017

Não é difícil

Eu lembro que antes de me mudar para a Suíça o meu ex me dizia que era muito difícil arrumar um apartamento pra gente morar sozinho, pois era super caro e ele era estudante o que dificultava no processo. E eu não entendia o porquê. Não somente pelo fato de eu não saber nada sobre a suíça, mas é por que eu nunca soube lidar muito bem com o “é difícil”. Eu sempre, sempre acho que tudo é possível. Não me importa se é difícil eu somente preciso saber como fazer.

Dai muita gente falava que era muito difícil aprender alemão, e eu eu poucos meses de curso ja conseguia me comunicar na lingua. Eu ouvi do meu ex marido tantas vezes ele dizer que casamento era difícil, e aquilo me doida tanto, por que pra mim, não interessava o quão difícil era, mais o quanto eu o amava. E com ele e por ele eu lutei até não ter mais forças, até acabar com toda a minha auto estima. Até meu corpo avisar a mente que não tava mais. Até a mente falhar também e eu perceber que tava na hora de parar.

Daí eu precisava arrumar um jeito de ficar aqui. A maioria das pessoas fazia aquele carinha de enrugar o canto da boca, como quem pensa “é difícil”. Eu só não sabia como fazer. Não foi nenhum pouco fácil.

Daí eu achei que estava na hora de morar sozinha, realizar o sonho de quando eu cheguei aqui. Daí mesmo que todos me falaram que não ia ser… fácil. E durante esses anos todos aqui alguém me viu querendo algo fácil? Muita gente achou que seria impossível, que eu não daria conta financeiramente.

E eu me lembro dos dias que eu chorava a cada segundo pensando o quão difícil seria esquecer meu ex. Mas em nenhum momento eu pensei que fosse impossível. Hoje eu sei lidar com a presença dele na minha história e vivo muito bem com isso. Eu somente não tinha ainda achado uma maneira de fazer isso. Eu descobri que não precisaria esquece-lo.

Quando meu pai morreu há quase 4 anos eu somente pensava “o tempo cura, não é mesmo?”. É claro que doeu mais que tudo nessa vida, mas eu não me desesperei, por que eu sabia que aquela dor iria passar. Eu sabia que tinha uma saída. Eu não era a primeira pessoa a passar por aquela situação.

Eu me lembro também de varias noites que eu chorei no meu quarto do apartamento que dividia as amigas, pensando “Meu deus, como eu faço pra conseguir morar sozinha, levando em conta minha situação aqui”. Eu não tinha a minima ideia de como as coisas poderiam se desenrolar, mas eu tinha certeza absoluta que iriam.

——

Esse ano virou e eu não tive nenhuma resolução de ano novo. Talvez se deva a paz e a tranquilidade por estar tudo como deveria estar.

No final do ano de 2012 eu estava no Brasil, apenas esperando noticias do hospital. Eu virei o ano na agonia.

No final do ano de 2013 meu irmão veio passar a virada do ano comigo em Zurique e meu casamento ja estava dando os primeiros passos que nos levaria ao fim. Eu ja percebia algo sem saber direito o que era.  Eu virei o ano na agonia.

No final do ano de 2014 eu estava no Brasil pra tentar recarregar minhas forças que já me pareciam nulas. Eu fiz festa, beijei na boca pra tentar esquecer meu ex, e tudo que eu pensava era se eu conseguiria ser forte quanto voltasse. Eu virei o ano na agonia.

No final de 2015 ja cansada de não ter mais energias, cansada de ser quem eu tinha me tornado eu fui pro Brasil de novo. Passei a virada do ano com a minha melhor amiga. A gente tinha uma certeza louca que o próximo ano seria o ano das nossas vidas. Nenhuma das duas tinha minha ideia do que viria. Eu virei o ano cheio de esperança.

Depois de viver na aflição por 3 anos eu me lembrei que eu não aceitava a impossibilidade. Eu me lembrei que eu somente precisava saber como fazer.

Não da pra descrever o quanto o ano de 2016 foi magico na minha vida. Eu me reergui, me reconstruí, me reconheci. Me libertei de tudo que me fazia mal, principalmente de mim mesma.

É tão gratificante olhar pra traz e ver tudo tão bom. Meu último vídeo de 2015 postado no Youtube eu choro em frente a camera falando que eu esperava que 2016 me trouxesse felicidade, por que eu ja tinha me esquecido o que era.

Hoje eu não me lembro mais o que é infelicidade.  Não existe a minima possibilidade de eu deixar o medo me bloquear de ser feliz. Não existe a minima possibilidade de eu deixar de lutar pelo que eu quero. Mas vale lembrar que eu não fiz nada disso sozinha. Se tem uma coisa que o ano de 2016 me apresentou foi gratidão. Sou grata pela vida, pelas experiências e principalmente pelas pessoas que estão na minha vida.

Eu tenho um amigo que se chama Jeff e ele me disse uma vez “Amiga, sabe qual é a minha missão aqui? Fazer o Jeff feliz”.

Tem coisa mais bonita que isso, viver pra ser feliz? Desculpem me os pessimistas, mas não é difícil.


11 jul 2016

Senta que la vem arte

Pra mudar um pouco de cenario na Suíça, fomos (Brunno e eu) para Basel conferir o Art Basel 2016. Quem vê pensa que é super entendedora de arte né? E mais um dia de ópera para todos, um evento da Casa de Opera de Zurique. O Open für Alle é o dia que a casa “abre as portas” e mostra um pouco do espetáculo. Enquanto artistas e VIPs assitem tudo de dentro da Casa, um telão do lado de fora mostra tudo ao vivo. Pena que estava chovendo, pois o evento poderia ser mais, digamos, impressionante.
Mas não posso negar que foi um final de semana bem cultural. No vídeo abaixo mostro um pouco do que a gente encontrou nesses dois dias de arte.

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30 jun 2016

Obrigada

Obrigada por me tornar mais forte. Por que quando eu penso no que aprendi contigo, so me lembro disso. Mentira. Lembro também que te amei demais e quão foi bom sentir isso. Mas meu orgulho e as cicatrizes ainda não me deixam admitir isso.

Ainda não sei o que fazer com essa força toda dentro de mim. Mentira, sei sim, mas não vou te falar por que, acima de tudo, respeito teu orgulho de macho. Você não gostaria de saber o quanto eu tenho aproveitado essa força. Por isso volto a te agradecer.

As vezes fico pensando onde essa força toda que apareceu dentro de mim vai me levar. Mas ja agradeço por me levar pra longe de você. Por que quando eu falo isso, sinto uma pitada de mentira dento de mim?

Eu estava amando a pessoa errada. Errado. Eu aprendi contigo também que o amor é unilateral. Então não tem essa de amar a pessoa errada. Eu dei amor e aprendi com isso. Ops, desculpa, aprendi contigo. Obrigada de novo.

Não sei ao certo como apagar as péssimas marcas que voce deixou em mim. Essa é verdade.

Mas, no final, te agradeço por ter saido assim, deixando toda a sujeira pra traz. Eu entendo, você jamais teria forças pra limpar tudo. Eu achava que era fraca por não aguentar alguém como você. Mas acabei me tornando forte por aguentar alguém como você. Vulnerável, egoísta, sem amor algum.

Que pena, tão fraquinho. E eu tão forte.

Obrigada.

 

 

 

 

 


15 jun 2016

Trabalhar na Suíça

Entre as pergunta mais frequentes que recebo por aqui ou pelo youtube, a campeã é: “Como faço pra trabalhar na Suíça?”. Mas aí me veem varias perguntas a cabeça como por exemplo de onde a pessoa tirou a ideia de vir pra Suíça, se ela conhece algo sobre o país, as línguas. Fico bastante intrigada com isso.

Não que eu soubesse muito sobre esse país antes de chegar aqui, mas meu objetivo não era vir atras de emprego. Eu não entendia bulhufas sobre a Suíça e aprendi tudo que sei, vivendo.

Mas enfim, vamos então as respostas, ja que é isso que muitos buscam quando passam por aqui.

    • A primeira coisa que você deve saber é que para trabalhar aqui você deve ter algum tipo de visto. Básico! Eu tenho visto de reunião familiar, por isso estou aqui, não simplesmente vim, arrumei emprego e fiquei. Isso não acontece! Você não vai conseguir um emprego com visto de turista.

 

    • Se você tem um passaporte Europeu pode sim arrumar um emprego aqui, basta alguém querer contrato-lo 🙂

 

    • Se você não tem um, mas tem descendência Europeia, pode ir atras disso. (Não me pergunte como, cada país tem suas regras. Eu mesmo tenho descendência italiana e nunca fui atrás).

 

    • Se você trabalha pra uma multinacional que tem parceria na Suíça, pode pedir para ser transferido caso haja vaga. Eu conheço apenas bancários que foram transferidos para cá. O que eu ouvi falar é que para uma empresa chamar alguém do Brasil para trabalhar aqui, ela precisa provar que dentro da Europa não há ninguém que possa fazer o trabalho, somente a pessoa brasileira escolhida. Pode ser que seja mais fácil, não sei. Isso é o que ouço falar.

 

    • Há sim muitos trabalhos na área da construção e são bem pagos. A maioria das pessoas que faz esse trabalho não portugueses, italianos, húngaros e várias outras nacionalidades com passaporte Europeu. O mesmo serve para trabalhos na área da limpeza. Mas, repito, não vai ser possível arrumar um emprego nessas áreas se você vir pra ca sem visto.

 

    • Ai você me pergunta: Mas Karina, e os trabalho sem registro onde se recebe menos? Eu, sinceramente, não conheço ninguém aqui que trabalhe assim. Não conheço nenhuma empresa Suíça querendo correr o risco de ser pego com tanto europeu com visto procurando trabalho por aqui. Se você quer tanto morar na Suíça ja deve ter ouvido falar na pontualidade suíça né? Não é somente na pontualidade que eles são certinhos, fica a dica.

 

Mas aí você esta ai pensando que eu joguei um balde de água fria! Não mesmo, dei a dica de ir atras de um passaporte europeu, caso você tenha direito a um. Não aconselho de jeito nenhum se casar com um Suíço para conseguir visto. Ainda vou falar sobre isso.

Há muitos sites onde você pode procurar vagas para trabalhar na Suíça, a maioria procura pessoas com qualificação. Mas se você quer, de qualquer jeito, vir pra Suíça e colocou isso na cabeça, então a maneira mais “fácil” é vir com visto de estudante. Eu digo fácil entre aspas por que é um sonho BEM caro, mas que com certeza lhe dará o direito de permanecer por aqui enquanto seu curso durar. Mas se você pensa em vir pra ca pra fazer um curso (de alemão por exemplo) e pagar somente um mês e permanecer o resto, eu jogo mais um balde de água fria (desculpa!). Você deve provar que tem o valor para pagar o curso inteiro e mais todas as despesas aqui. Não somente isso, mas tem também que transferir o valor todo para uma conta aqui na Suíça. Então…. mama America é la do outro lado! Por todas essa barreiras que eu fico me perguntando com tantas pessoas podem me perguntar “como eu consigo trabalho ai?”.

Vale lembrar que a Suíça tem 4 línguas oficiais ( uma não tao importante) e dependendo pra qual parte você queira vir, acho essencial aprende-la. Se pretende aprender aqui, não tem problema, mas venha com o inglês (básico). E tenha em mente que seguro de saúde aqui é OBRIGATÓRIO, não tem o SUS para qualquer emergencia 🙂 Mas sobre gastos ja falei nesse post aqui.

Se você chegou até aqui atraído pela resposta (positiva) do título, eu peço desculpa. Mas olha, eu mesma encontrei varias dificuldades durante meu planejamento “morar na Suíça” e recebi vários baldes de água fria em buscas pela internet. Pode ser que você não consiga dar o jeitinho brasileiro pra conseguir o que quer, mas acredito que tudo sempre tem um jeito – que não precise burlar nenhuma regra.

Desejo toda a sorte para vocês que tenham o sonho de morar aqui. E como eu sempre digo para mim mesma: nada é impossível ate que se prove o contrário!

Tschüss!

 

 

 


12 maio 2016

Sinal Verde

Por que você, cego de tanto egoísmo não conseguia ver um palmo a frente do seu nariz. Eu estava bem ali.

Pisou no meu pé algumas vezes alegando não saber direito o caminho. Eu saia da frente, pra que o enxergasse melhor, mas ele dizia que seguia melhor comigo.

Os leves pisões doíam um pouco, porém eles fazem parte da longa caminhada, pensava eu. Então eu me mantive um pouco distante, aproveitando a visão de um novo horizonte. A esperança era que no final da rua os caminhos de encontrassem de novo.

Era interessante seguir um caminho diferente e não levar leves empurrões, mas eu voltava, pois achava que aquele era o caminho apropriado, ou pelos menos era, com certeza, a rota planejada. E a rota até então tinha sido planejada pelos dois.

Me atropelou sem dó, e depois voltou pra dizer que não tinha me visto.

Quando eu estava melhor do tombo, me atropelou de novo, dizendo não ter certeza se era eu mesma – que estava na frente.     A dor ja não era mais dos tombos e tropeços.

E assim eu me perdi e esqueci quem era mesmo que causava toda a dor e entrei num labirinto. Mas o labirinto tinha uma rota, só que desta vez, planejada somente por ele. E eu segui, sem saber direito porque.

Um belo dia de sol, meses após ter conseguido – finalmente – sair do labirinto, estamos juntos dentro do carro no sinal vermelho.

Não foi certo ter me atropelado tantas vezes em nome da sua própria loucura.

Quem mandou ter seguido junto a mim depois do primeiro pisão no pé.

 

Sinal verde, podemos seguir.

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Entre um sinal e outro, uma infinidade de palavras não ditas. Entre a lua e aqui, uma infinidade de mentiras.

22 fev 2016

Custo de vida na Suíça?

Eu tenho recebido ultimamente muitas mensagens de pessoas querendo saber sobre o custo de vida na Suíça e como fazer para entrar e ficar por aqui. Para entrar no país há algumas possibilidades, mas pra explicar direitinho preciso fazer uma pesquisa.

E como tem meninas brasileira se apaixonando por suíços eim? É certo que o amor vence barreiras, mas olha, tem alguma manias do povo aqui que a gente so descobre depois que está se relacionando com eles, e mais importante, na terra deles. Mas enfim, esse é assunto para um outro post.

As perguntas que eu mais recebo são sobre custo da moradia por aqui. Eu não posso falar sobre a Suíça inteira, mas vou tentar ser breve e prática pra falar sobre o custo de vida em Zurique. Talvez seja parecido com outras cidade, mas não posso afirmar.

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Bom, a primeira coisa que você precisa, ao chegar aqui é uma moradia não é mesmo? Primeiro balde e agua fria: o aluguel de um apartamento é super caro, isso quando você tem sorte de conseguir alugar um. Mas como assim? é simples, para cada apartamento, terão no mínimo outras 50 pessoas além de você interessadas. Se o aluguel for “barato” então, nem e fala. A cidade de Zurique é a maior da Suíça, mas não deixa de ser uma mini cidade. Há poucas construções novas e quando tem, o aluguel costuma ser bem caro. Caro quanto? Calma que eu vou chegar na questão de valores.

Tendo em vista que você estará concorrendo com outras 50 pessoas, já da pra imaginar que os critérios do pessoal da imobiliária são bem rigorosos. Entre você, que acabou de chega aqui e talvez não tenha nem trabalho, e uma outra pessoa que tem emprego fixo, com salário bom, quem vocês acham que eles vão escolher? Entre um suíço e uma pessoa com um visto de recém chegado aqui, quem vocês acham que eles vão escolher? Mesmo os suíços passam meses tentando alugar um apartamento. Então aqui não é assim, que você escolhe o apartamento, faz um contrato e se muda. Aqui você procura na internet os apartamentos que estão disponíveis, vê qual é o dia aberto para visitas, vai fazer a visita, conhece o apartamento e pega um formulário para enviar a imobiliária. Normalmente quem mostra o apartamento é a pessoa que está morando no local, e você ainda vê com todas as tralhas da pessoa dentro. Quer saber onde procurar apartamentos? O site mais completo é o www.homegate.ch

Ok, agora vamos para os preços. Uma kitinete custa em torno de mil francos por mês. Os preços podem variar muito dependendo da localização e tamanho do lugar. Um apartamento de 1 quarto custa em torno de 1500 francos. Quer um apartamento com dois quartos, uma sala bacana e mais uma varanda? Vai custar de 2 mil francos pra cima. Não precisa calcular em reais, por que a discrepância vai ser enorme. Basta pensar que uma pessoa com um emprego fixo mas com pagamento baixo, ganha em torno de 4 mil francos.

Ah, Karina, mas com os outros 2 mil francos eu consigo viver. Sim, consegue, mas vamos a um outro ponto que é obrigatório aqui na Suíça: seguro de saúde privado. Aqui não existe saúde pública, todos pagam seguro de saúde que, pelo menos no eu caso, depende da franquia, pode ser um valor alto ou baixo. Eu pago um valor mais alto por mês, mas tenho a franquia de 300 francos (que é considerada baixa). Isso significa que quanto eu atingir 300 francos gastos com saúde, passo a pagar apenas 20% do que eu gastar. Mas o valor do seguro todo mês não diminui, essa redução do preço é para os gastos médicos. Então são em media de 350 francos por mês somente para o seguro de saúde. Pode variar, sim, mas não pra muito menos.

Transporte público. Você pode até comprar um bicicleta, gostar de andar, mas lembre-se que aqui o inverno é longo e rigoroso. Você vai, sim, ter que comprar um ticket mensal para usar ónibus, trem e bonde na cidade, principalmente se estiver trabalhando ou estudando. Se você pretende ficar somente na região de Zurique, o custo do ticket mensal é 84 francos. Você pode andar pela cidade inteira com todos os meios de transporte à vontade. Mas saiu da Zona 10 (Zona de Zurique)? A próxima zona você pagara em torno de 6 francos a mais, se for voltar, mais 6 francos. Isso se você tiver o cartão Halbtax, que dá direito a pagar meio bilhete. O cartão Halbtax custa 180 francos por 1 ano e vale muito a pena comprar.

Entre outras coisas necessárias para viver, como comida, e uma diversão de vez em quanto, também aviso que é mais caro. Principalmente se você está acostumado a fartura nas mesas brasileira. Aqui não tem isso. Aqui você vai ao supermercado e compra o básico, a não ser que a sua condição financeira aqui seja boa. Mas mesmo assim, nem os suíços mais abastados fazem a festa no supermercado. Pra fazer uma estimativa de valor, eu só posso me basear no que eu gasto. Faço compras somente para mim, e preparo todas as minhas refeições e raramente como fora durante a semana. Então levando em conta que eu gasto pouco, e seleciono bem o que compro, aí vão uns 300 francos por mês. Ah, claro, importante dizer que esse valor é sem comer carne todos os dias.

Cansou de ficar comendo somente em casa, e quer dar uma espiadinha em um restaurante comum? O valor de um prato custa em torno de 20-30 francos. Num almoço básico em um restaurante básico, junto com uma bebida para acompanhar, você gastar uns 30 francos. Quer sair a noite pra jantar e tomar uma taça de vinho e quem sabe comer uma sobremesa? Abre a carteira e deixa lá uns 45-50 francos. E um drink no bar? Cerveja custa em média 5 francos (baratíssima e em raros lugares) e um drink tipo capinha custa 15 francos. Uma taça de vinhos uns 8 francos (também barato).

Agora é com você, colocar tudo na ponta do lápis e ver qual é o custo de vida aqui. Isso que somente falei das coisas mais básicas, mas todos sabemos que uma vida não se resume a isso né? É difícil, claro, mas não é impossível. Tudo vai depender de como você administra suas finanças.

Um ponto que vale ressaltar é: os suíços são pessoas que adoram viajar. Na hora de por tudo no caderninho, não esquece de deixar as economias pra viagem. Afinal, você não vai querer ver todos os seus amigos viajando, te convidando, e você sem dinheiro pra acompanhar.

Antes de vir pra ca eu achava que tudo era mais fácil e o que não fosse, a gente dava um jeito.Então a dica mais importante de todas é: aqui não tem jeitinho brasileiro.

Obs.: Estou me mudando em breve, desta vez para finalmente parar de dividir apartamento. Quando tudo estiver pronto, faço um vídeo contando mais detalhes sobre aluguel de apartamento. A dificuldade em alugar algo por aqui é tão difícil que a maioria de vocês não tem ideia. Mas eu darei mais detalhes no vídeo.

Espero que esse post tenha ajudado vocês a tirar algumas dívidas e ter uma ideia melhor de quanto se gasta por aqui. Qualquer dúvida, me escreve que eu vou tentar responder da melhor maneira possível. Eu demoro, mas eu respondo 🙂

Tschüss!



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