29 jun 2012

1 ano de Suíça

Um ano atrás eu cheguei na Suíça. Um ano atrás eu deixei tudo e todos sem olhar pra trás! Eram um momento de tristeza e alegria. De despedida e reencontro! Mas uma coisa eu nunca senti: medo. Nem por um instante! Cheguei aqui num dia quente, com duas malas na mão e o coração cheio de coragem. Só.

Nesse um ano muita coisa aconteceu. Me casei, viajei, conheci muita gente e aprendi uma língua nova.

Se foi tudo mil maravilhas? Nem de longe! Me casei longe da minha família e dos meus amigos, senti muita saudade de casa, pensei por alguns instantes em desistir e me senti triste algumas vezes.

Mas, eu faria TUDO DE NOVO de olhos fechados, como fiz há um ano. Felicidade não  tem preço e lutar pela própria felicidade é a maior satisfação do mundo. Que venham mais um, dois, 10 anos de novas experiências, e se Deus quiser, do lado do homem que eu amo.

E a saudade continua!


06 jun 2012

O sistema educacional suíço

Demorou pra pesquisar, demorou mais ainda pra escrever. Entender e depois explicar o sistema educacional da Suíça me levou um bom tempo, mas acho que finalmente eu entendi a diversidade e vou tentar explicar aqui. Mas pra não ficar cansativo vou dividir os posts. Vou dar uma visão geral hoje e amanhã conto como funciona o período de escola obrigatório. Pode ser? Tranquilo?

Vamos por partes, tipo dose homeopática. O mais importante: a Suíça está entre os melhores sistemas educacionais escolares do mundo. O melhor: não é caro, já que tudo é custeado com dinheiro público. Mas peraí, no Brasil as escolas publicas também são pagas pelo Estado. Porque não são excelentes? Sabemos bem por que.

Já as escolas particulares (de jardim de infância à universidade) estão classificadas como uma das mais caras do mundo, mas apenas 5% dos suíços ingressam no sistema privado. Vocês vão perceber a flexibilidade e as inúmeras possibilidades de se ter uma boa formação, seja ela durante ou depois do Ensino Médio.

Como o país tem 4 línguas oficiais (alemão, francês, italiano e romanche), as aulas nas escolas são ministradas em diferentes línguas, depende to Cantão. Mas toda criança na escola primária aprende outra língua oficial do país (neste caso o romanche fica de fora ) e mais o inglês. Ou seja, ensino completo com um plus de falar três idiomas. A diversidade linguística do país reflete também na formação intercultural da criança. Acostumados desde sempre a línguas e culturas diferentes (já que cada cantão tem sua própria identidade), a cada geração que passa as pessoas ficam mais “abertas”. Minha humilde opinião!

Na parte organizacional, o Estado tem a responsabilidade pelas escolas, porém a organização fica a cargo do município, assim como a contratação de professores, grade curricular escolar e feriados. Porém algumas regras vêm de cima (Federal) como a idade mínima para ingressar na escola e a duração do ensino obrigatório. Apenas as Escolas Superiores Técnicas Federais, que como o nome já diz, são controladas pego Governo Federal. Mas não pense que, por que cada cantão se responsabiliza por suas escolas,  vira uma bagunça. É tudo feito em perfeita harmoniza, respeitando cada cantão e sua cultura.

Como a educação aqui é obrigatória, mesmo as crianças filhas de estrangeiros são obrigadas a ir à escola. A idade mínima para começar os estudos é seis anos, mas é oferecido um, digamos, pré jardim de infância antes dessa idade. Os pais são livres para colocar seus filhos, mas mesmo sem a obrigatoriedade a maioria das crianças vai a “escolinha”.

Então existe o ensino infantil – Jardim de Infância, em seguida o ensino fundamental que pode ser dividido em escola primária e escola secundária – com varias ramificações-, e depois há outras opções para quem quer seguir alguma carreira profissional. Tem o Maturitätschule, que é a preparação para a universidade, ou cursos profissionalizantes.  E acima disso tem as Universidades e Institutos Técnicos, mas eu explico com mais detalhes depois!

Como já falei, amanhã vou postar sobre as três etapas do ensino obrigatório, que vou chamar de Jardim de Infância, Ensino Fundamental e Escola Superior. É importante dizer que cantões diferentes podem ter nomes também diferentes para especificar cada etapa do ensino, mas o princípio é o mesmo. Como moro na parte que tem o alemão como língua oficial, vou dar os nomes que eles dão aqui em Zurique, ok?

Espero que vocês gostem!


28 maio 2012

Berlin, parte 3

Aqui estou depois de uma semana pra falar DE NOVO sobre Berlim. Mas eu prometo que este post é o último e eu volto a falar de Zurique.

Nova Iorque poder até ser a cidade que não dorme, mas Berlim não fica pra trás não viu?  Ô cidade cheia de energia! Antes de visitar a capital alemã, minha ideia era “Segunda Guerra Mundial” por causa do famoso Muro de Berlim e só. Pode? Hoje a ideia que eu tenho é exatamente oposta ao militarismo: liberdade. Como falei antes, a cidade é cheia de paredes grafitadas e gente alternativa, e isso reflete também nas esculturas. Em meio a muito edifício antigo e ilustres monumentos é possível encontrar uma escultura de um homem nu com um pênis gigante. Na foto abaixo não é possível ver com clareza o dito cujo, até porque eu levei tempo pra acreditar no que eu estava vendo e tirar uma foto! (ele é bem mais longo do que aparece na foto)

Eu fiz um planejamento de compras perfeito e a execução foi um desastre! Só de pensar me dá dó. No primeiro dia nós saimos sem rumo e eu aproveitei pra comprar uma coisinhas básicas que eu gostaria de usar nesses dias por lá. O plano era deixar as compras pro último dia e gastar o dinheiro que sobraria. Só que na sexta fomos jantar com um amigo do Amir que é tatuador e eles marcaram um horário no domingo pra fazer uma tatuagem. Ok, sábado fomos fazer nosso passeio cultural e saímos com esse casal de amigos pra balada. Domingo todos acordaram de ressaca e acabou que o cara não fez a tatuagem e saímos pra jantar. O plano então era fazer essa tattoo na segunda de manhã e passar o resto do dia fazendo compras, já que terça de madrugada nós voltaríamos para Zurique. Resultado: a tatuagem começou a ser feita no final da manhã de segunda e só parou as 4 da tarde, incompleta. Ou seja, começamos a passear às 5 e as lojas fecharam às 8, e eu não comprei metade do que eu queria, voltei pra casa com euros e o Amir sem a tatuagem terminada. Desastre total!

Pelo menos consegui comprar a saia high low que eu tanto queria e essa luvinha de couro que eu amei!

Mas todo esse contratempo valeu a pena. Conheci duas pessoas super gente boa! Passei algumas horas no apê/studio dos nossos amigos, mas viajar, conhecer lugares novos e ainda por cima fazer amizade é demais, né?

Outra coisa especial de Berlim: nosso souvenir. Dentro da estação do metrô havia uma grande campanha editorial da rede de lojas H&M, com fotos de casais modelos (hétero ou homossexuais) se beijando. A campanha se chamava Fashion Againt Aids – mais fotos aqui – e olha que maravilha: encontramos uma tenda da campanha no SonyCenter fazendo fotos de casais para postar no site. Fomos convidados pela mocinha da tenda e depois assinamos uns papéis para autorizar a publicação da foto e doar 1 dólar (ou seria euro? Não lembro). E ela ainda foi parar no telão! Amei!

Tem umas história engraçada sobre os ônibus de Berlim. No nosso primeiro dia de passeio compramos o ticket pro transporte público. É tipo um papelzinho meia-boca que serve pra todos os transporte públicos da cidade (não sei se pra barco também!). Quando eu digo meia boca é porque é assim um papel branco com algumas informações dentro, como a data de validade. Dentro do bondinho é igual a Zurique, não tem ninguém fazendo controle de ticket. Na estação de metrô também não, nem uma catraca pra controle, nadica. Mas no ônibus tem a tal fiscalização de ticket, digamos, um pouco estranha.

Tá vendo o ônibus ali na foto mais abaixo, de dois andares? Então, esse ônibus tem 3 portas – uma na frente, uma no meio e outra atrás – assim como os ônibus aqui de Zurique, só que aqui é possível entrar por qualquer porta, já que não há fiscalização diária. (Em breve post sobre o transporte público na Suíça). Em Berlim a galera toda entra pela porta da frente, mostra o papelzinho pro motorista (que nem olha direito) e vai procurar um assento. Nós, claro, fazíamos o mesmo. Mas eu sempre comentava com o Amir o quão idiota era fazer aquilo, já que se eu tivesse um ticket do mês passado o motorista não perceberia. (Não há tempo suficiente pra parar todos e olhar os tickets um por um). E comecei a notar que algumas pessoas entravam pela porta do meio, aproveitando que alguém estava descendo.

Certo dia o ônibus parou e eu entrei com o Amir pela porta do meio, pois estava aberta, enquanto todos os outros passageiros entraram pela porta da frente, fazendo aquela tradicional “mostra” de bilhete, leia-se levantar um papelzinho e abaixar em 1 segundo. Ok, entramos e ficamos em pé mesmo. Eu olhei para a cara do motorista pelo espelhinho e tive a impressão que ele olhava pra mim. Abaixei a cabeça, troquei duas palavras com o Amir e o ônibus não partia. Olhei de novo pro motorista, que nesse momento já estava com a testa franzida. Fingi que não vi e olhei de novo e constatei que ele estava mesmo me encarando. Falei pro Amir discretamente “Psiu, acho que o motorista tá encarando a gente!“. Ele não deu bola e eu já comecei a ficar nervosa, porque o ônibus não partia, e mais nervosa ainda com aquele alemão me encarando pelo espelho. Até que uma voz grossa sai de um alto-falante: “Os dois que entraram pelo meio, favor mostrar o ticket!”. Mico total

Eu e o Amir somos super tranquilos quando planejamos uma viagem. Decidimos o local, onde vamos dormir e o resto a gente vê por lá. Super sem expectativas e sem grandes frustações, muito menos estresse. Se um dia queremos dormir até mais tarde e passar menos tempo passeando, fazemos! Não gosto de visitar lugares às pressas e nem ir a tal lugar ‘só porque todo turista vai’. Viajar deve ser prazeroso e não exaustivo.

E o melhor de tudo isso, é poder passar momentos juntinhos com meu amor e ter a atenção dele toda pra mim! AMO!

Berlim me deixou muitas saudades! Saudade da comida barata, do povo misturado, daquele caos que é uma cidade enorme e dos momentos juntinhos com meu amor. É aquela coisa que eu disse quando voltei de Paris, vá uma vez pra ver a cidade, mas volte para conhecê-la, e Berlim está definitivamente na lista dos lugares que retornarei!

 Espero que tenham gostado! 😉

Obs.: quem é super curiosa, assim como eu, pode clicar nas fotos e vê-las maiores!


21 maio 2012

Berlin, parte 2

Um detalhe do meu post sobre a capital alemã: Berlim ou M ou N. O Amir chegou em casa essa semana me falando que o nome da cidade estava errado no meu blog. Minha explicação foi a seguinte: eu escrevo em português, e consequentemente o nome de cidades e países. Quando conto da minha cidade não escrevo Zürich como se faz por aqui e sim Zurique, quando falo em Nova York não chamo a cidade de New York e por isso escrevi e vou continuar escrever Berlim com M, pois também escrevo Alemanha, e não Deutschland. Só quis deixar claro caso alguém tivesse percebido o mesmo! 😉

Voltando ao que interessa… No quesito cultural nós visitamos a Ilha dos Museus (Classificada pela UNESCO como Patrimônio da Humanidade), localizada no bairro Mitte, no centro da cidade. Dentro da ilha estão 5 grandes museus, ou seja, pra visitar todos é preciso tempo!

Eu querendo visitar o Pergamon Museum para ver esculturas gregas e romanas ENORMES, mas o marido queria ir ao Neues Museum para ver a exibição de artes da colação egípcia e fomos parar lá. Nesse museu fica também o busto da Rainha Nefertiti (tive que lembrar da novela do Crô), mas era proibido tirar fotos. Mas quem quer ver Fefê sem nariz tem ela aqui em baixo:

Também em Mitte fica o edifício do parlamento federal, o Reichstag, que foi incendiado logo após a nomeação de Hitler para o cargo de Chanceler da Alemanha, mas claro, todo reformado. O edifício é uma atração turística, não somente pelo fato de ser aberto para o público, mas também pela vista que oferece do topo. Como tinha muita fila para entrar, preferimos continuar a caminhada sem parar e esperar.

Fomos também ao Portão de Brandemburgo, ou em alemão Brandenburger Tor, símbolo de Berlim e o único portão de entrada de Berlim que existe até hoje. Após a Segunda Guerra Mundial, com a divisão de Berlim oste e Berlin leste, o muro passava bem pela frente do Portão, impedindo qualquer acesso através dele. Hoje, logo em frente ao Portão de Brandemburgo, há uma memorial com cruzes e nomes de pessoas que tentaram pular o muro e foram mortas. (Abaixo)

Muito perto do Brandenburger Tor fica o memorial aos Judeus mortos na Europa, ou seja, vítimas do holocausto. O lugar é super bacana com blocos de concreto de vários tamanhos, parecendo um labirinto para quem olha de longe. Tem um vídeo do Amir se escondendo de mim por lá, mas muito “tolinho íntimo” pra por aqui. (Mas se alguém insistir muito eu coloco ;P ). De acordo com nosso amigo wikipédia o local tem 19.000 m².

E daí que nessa dimensão toda nós achamos uma boa possibilidade de sentar. Mas o Amir deitou e em segundos o segurança veio até a gente pra reclamar. Ele disse “isso aqui não é rede pra você se deitar”. Repara que eu tirando a foto panorâmica do local o guardinha já se aproximava. Achei injusto, já que tinha muita gente sentada, como vocês podem ver na foto abaixo (lá atrás). A gente respeitou e saiu andando, mas como meu marido é suíço, (eles tem uma rivalidade normal com os países vizinhos, assim como a gente fala mal dos argentinos) ele ficou xingando o guarda alemão por uns 15 minutos (não na frente, claro!).

Nesse mesmo dia pegamos uma saída errada no metrô e fomos parar em um lugar inusitado. Perto da saída tinha um homem vestido de soldado dando carimbo da parte leste de Berlim (da época da divisão) no passaporte de turistas por 5/10 euros (não lembro). Eu fiquei com muita raiva de não ter meu passaporte comigo naquela hora.

E no mesmo lugar, um pedacinho do muro cheio de chiclete. Eca!

Gente, desculpem a informação assim toda pela metade sobre essa cidade cheia de história, mas como eu fui a passeio e não a trabalho, muita coisa eu acabei esquecendo. Sem contar que meu guia turístico foi meu marido e tudo foi explicado e contado na maior descontração. Espero que tenham gostado e em breve eu posto a última parte.


14 maio 2012

Berlim, parte 1

Até parece que fiquei todas essas semanas de férias né? Não não. Berlim durou uma semana e não passou voando como todas as férias. Foram seis dias andando, pegando metrô, andando, pegando ônibus e andando andando… E foi demais! Tirei muita foto, visitei bastante lugares e por isso tem muita foto e muito que eu quero contar, por isso vou dividir o post em três partes. Porque minha vida anda ocupada e a preguiça anda me visitando!

Pra quem vem de Floripa pra Zurique e vai pra Berlim acha que a cidade é um absurdo de grande. Acostumada a andar por Zurique toda, voltar da balada a pé e no máximo pegar um ônibus rápido, posso dizer que a cidade alemã me fez dar umas boas pernadas. O Amir é apaixonado por Berlim e toda aquele caos visual por causa do grafite (coisas de ex-grafiteiro). É difícil achar uma parede ou edifício “limpo”. Mas no final é isso que faz de Berlim uma cidade totalmente underground, (pelo menos ao meu ver) e mista com punks, muçulmanos, chineses – turistas-  em todo lugar.

Eu fui preparada pra ver alguns museus, o muro de Berlim, claro, e qualquer outra parte história da cidade, mas o que mais cativa meu marido e eu é o turismo gastronômico. Mas se você está pensando em comidas elaboradas e chiques, esqueça, nosso negócio é comer muito, bem e barato. E Berlim é o lugar pra isso! Pizza enorme e deliciosa por 3 euros (em Zurique em torno de 50 francos), Dönner – adoro – por 2,50 euros (em Zurique 12 francos) e por aí vai. E olha que 1 euro tá 1,20 francos então a diferença de preços é realmente gritante!

O Amir me falou que currywurst é famoso por lá e ele mal esperava pra comer, mas não me agradou. A comida é o seguinte: salsicha de porco, cortada em fatias com molho misto de ketchup e curry. Em qualquer quiosque é possível encontrar a salsicha ou nos vendedores ambulantes, que andam com uma tralha nas costas e um grill na frente, e entregam as salsichas fresquinhas, como esses dois da foto acima.

Outra coisa que também me encantou: o povo bebendo cerveja o tempo todo. Eles estão sempre com uma garrafinha de cerveja na mão, seja no metrô ou na rua. O mito do alemão e da cerveja é real! Eu embarquei na brincadeira e bebi cerveja o dia todo. Delícia! O Amir ficou mais no Club Mate, outro vício por lá. É mate com gás, vendido numa garrafa de vidro. Quem não carrega cerveja na mão carrega o mate. E na balada é possível comprar a garrafinha beber um pouco e completar com vodka. Olha eu aí embaixo com a minha garrafinha!

Mas claro que minha passagem por Berlim não se resumiu apenas a comida e bebida, e amanhã eu posto a parte cultural da viagem! Vendo as fotos de novo e relembrando tudo deu uma vontade de ir de novo!


18 abr 2012

Spring vacation

Semaninha de férias!

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Quando eu voltar, é claro que vai ter post sobre Berlim!
Por enquanto, que tal dar uma bisbilhotada nos posts antigos?

Beijos e até breve!


21 mar 2012

Curso de integração em Zurique

Lembra quando eu postei sobre o curso de alemão que eu estava fazendo? Pois bem, fiz o curso por dois meses (outubro e novembro) e no final de novembro eu parei por dois motivos: não estava mais me agradando e oportunidade de trabalhar mais horas em dezembro e juntar um bom dinheiro. Eu sabia que logo deveria retornar aos estudos, mas vieram as férias e eu deixei pra voltar em fevereiro, quando o ano letivo recomeça. Eu não sabia se voltaria pra a mesma escola ou se procurava outra, até que minha sogra descobriu algo muito interessante. Ela falou sobre um curso de integração que é oferecido a imigrantes residentes em Zurique, com uma preço animador: 600 francos por semestre, em vez de 600 por mês que eu pagava na escola de alemão.

Logo fui procurar informações sobre esse curso e descobri que ia além do alemão. Informações básicas, porém importantes, sobre a cidade eram dadas no curso de integração. Me animei mais ainda e me inscrevi no programa, mesmo sem mais informações. O Amir entrou no site da cidade Zurique, imprimiu o formulário, eu assinei e mandamos via correio. A resposta veio em algumas semanas com um horário marcado para fazer uma entrevista. Na entrevista eu pude ver qual curso seria melhor pra mim. As opções eram 3: curso de alemão/integração para pessoas de 15 a 21 anos 5 dias inteiros por semana, curso de alemão/integração para pessoas de 22 a 40 anos 4 manhãs por semana ou curso intesivo de alemão para quem já fala alemão, mas precisa da gramática perfeita para, por exemplo, entrar na universidade. Escolhi a segunda opção, já que seria totalmente compatível com meu horário de trabalho e as outras duas não me serviam.

O curso começou dia 27 de janeiro e eu estou totalmente apaixonada pela didática. Nas primeiras duas semanas não aprendemos nada de gramática, pois a ideia era falar falar falar, ou seja, praticar o mínimo de alemão que cada um tinha. O bom do curso de integração é que não há pressa em terminar o livro ou acabar a lição, todos são livres para questionar, informar e as vezes até conversar (quando o tema é relevante). Eu, que achava que não tinha aprendido muito em dois meses, agora passo três horas por dia falando somente alemão. Um pouco errado? Muito errado, mas o importante é não ter vergonha (eu não tenho mesmo!), aprender o básico da gramática e mão (língua) à massa!

Agora algumas informações importante para quem mora em Zurique e está interessado em fazer o curso. O custo do curso por semestre é 600 francos (mais 50 francos de material), mas pode ser reduzido de acordo com sua renda. Depois que as aulas iniciam, é dado um formulário para fazer o pedido de redução de preço. Como o curso é barato há muita procura, pode ser que você fique em uma lista de espera, então depois de aceito é bom se empenhar e não faltar, pois você pode ser retirado do curso. Há muitos passeios pela cidade e também visitas à prefeitura e afins, como escritórios públicos especializados em informações para imigrantes. O cantão de Zurique e Basel são os únicos que oferecem curso de integração, já que são considerados os cantões mais “abertos” a estrangeiros. O nome da instituição que eu estudo é Fachschule Viventa e fica localizado na Kernstrasse 11, esquina da Langstrasse com Badenerstrasse. E, obviamente, é preciso estar legal no país para ter o benefício do curso.

O site do departamento de escola e esporte de Zurique é http://www.stadt-zuerich.ch/viventa, lá você encontra mais informações e também o formulário de inscrição do curso.


14 mar 2012

Só pra dar um alô!

Depois que algum tempo, estou de volta! Eu odeio deixar meu blog às traças, ficar mais de uma semana sem escrever e tal, mas também odeio achar que o texto não está bom o sufuciente pra postar. Dilema.

É o seguinte, eu tenho uma pilha de posts quase prontos. Eu escrevo e salvo nos rascunhos. Daí eu penso “Não vou postar, nem deixar agendado, pois amanhã eu arrumo e melhoro um pouquinho mais o texto”. Resultado: texto nunca pronto. Dizem que é mal de jornalista achar que o texto nunca está pronto, mas o negócio é que uma hora ele tem que sair né?

Por exemplo nesse mês eu gostaria de escrever sobre o sistema suíço (política, economia, educação), e por isso estou fazendo muita pesquisa pra conseguir, primeiramente, entender e postar aqui. Mas eu fico presa no perfeccionismo e nunca termino.

Outro motivo para a ausência é minha nova rotina diária, as aulas de alemão (Em breve um post à respeito. Uma super dica para quem vive em Zurique legalmente). Estou com muita garra em aprender logo essa língua e, por isso, depois da aula, se alguém me convida pra passear na cidade e conversar em alemão, eu topo na hora.

Bom, todo esse blablabla mea culpa foi só pra dizer que eu aprecio muito as visitas/seguidores/comentários que meu blog tem recebido nos últimos meses (motivo pelo qual quero sempre melhorar meus textos) e que eu quero muito continuar postando sobre minha vida (alo, autofofoca?) aqui no país do chocolate! Nem que seja só pra dar um Alô.


19 dez 2011

Adventskalender

É Natal, é Natal, sinos de Belém… O Natal está logo aí, mas não sinto toda aquela energia natalina. Não sei se porque a noção e as lembranças que eu tenho do natal são diferentes do que vejo por aqui, começando pelo frio, ou se porque o tempo passa e a ansiedade pra noite do dia 24 diminui. Falando em ansiedade pra abrir os presentes, vou mostrar uma ótima idéia pra fazer a contagem regressiva pro Natal.

Aos poucos eu vou conhecendo melhor os costumes por aqui. No final de dezembro eu ganhei de uma pessoinha muito especial um Adventskalender. Fiquei impressionada por ganhar um presente, mas não tinha muita idéia do que era aquilo. Uma caixinha com “janelinhas” e números de 1 a 24.

O Amir me explicou que esse calendário é super comum por aqui. Ok, vamos por partes. O nome é Adventskalender, e em português significa calendário do advento. Advento vêm do latim, que quer dizer chegada, e no caso, a chegada de Jesus. A tradição começou na Alemanha pelas famílias luteranas, que contavam os dias para a chegada do Natal/Advento.

Cada dia você abre uma portinha e ganha um presente. Achei a idéia super fofa e totalmente útil para quem tem criança em casa. O que eu ganhei tem chocolate dentro de cada janelinha, mas as opções são muitas.  As lojas por aqui estão cheias de adventskalender, mas se você quiser fazer seu próprio calendário, aqui vão algumas idéias.

Tá bom, eu sei que já é tarde demais, mas quem sabe pro ano que vem, ou até pra contagem regressiva de qualquer outro evento?


30 set 2011

Aprendendo alemão

Aprender uma língua nova é sempre uma aventura. A descoberta de novos sons para as sílabas e uma maneira diferente de construir frases. Se você estudar uma nova língua em seu país, provavelmente terá colegas que falam o bom e tradicional português. As dúvidas e o sotaque serão bem parecidos. Mas se você estudar uma nova língua em outro país, é diversidade total. As meninas que falam inglês não conseguem de jeito nenhum tirar o som caipira do R. Por exemplo Woher kommst du? Woher = de onde. Woher leia-se “Vorrer” com o último R estilo paulista. Não tem jeito de fazer  as meninas falarem direito. Os de língua espanhola nunca pronunciam o som do X, como quem fala escola no sotaque manezinho e carioca. Spanisch = Espanhol. Invés de “Ixpanichi” elas falam “Espanichi”. Deu pra entender? Espero que sim! E qualquer palavra que tenha som de V é logo substituido por b. O Woher ( vorrer) pra elas é “borrer“. O pessoal da Turquia fala tudo pra dentro meio que comedo ou diminuindo as palavras. A francesa é uma das melhores e consegue falar praticamente todos os sons da lingua alemã. Mas também né, com uma língua nativa que se escreve de um jeito e se fala de outro totalmente diferente. Ainda tem os que falam árabe, que na minha opinião mandam muito bem, levando em consideração o alfabeto deles. Na minha classe tem também um rapaz da Romênia, metido a falar línguas e a falar espanhol comigo. Definição: chato. E ai vocês devem estar pensando “Quanta arrogância! E sobre os alunos que falam português ela não fala mal”. Falo sim, vejamos a portuguesa da minha turma: não consegue falar Ich = eu. O som da palavra é “Ir“, puxando o R lá do fundo da garganta. Bom, ela não consegue.

Toda essa arrogância acima falando mal da maneira que todos falam é só pra demonstrar o quão difícil é se acostumar a toda essa mudança. Sílabas simples como ma me mi mo nu são impossíveis de encontrar. As palavras são gigantes e “cento e vinte cinco” vira einhundertfünfundzwanzig tudo junto!

Meu curso é de duas horas de segunda à sexta. Todos os dias tem dever de casa “hausaufgabe” (de novo tudo junto) e eu faço à noite com o Amir. O livro tem exemplos relacionados à Suíça e facilita a integração com o país. Normalmente os livros de alemão trazem exemplos sobre a Alemanha, mas o meu fala sobre a moeda local, os supermercados, os cantões, os chocolates e outros. A minha empolgação é enorme em aprender cada vez mais. E toda vez que consigo entender ou falar alguma coisa certa meu coração dispara.

A vida da muitas voltas. Eu, que tinha planos de viajar pros EUA e aprimorar meu inglês, vim pra Suíça e estou aprendendo alemão. E, claro, muito feliz.



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