22 fev 2016

Custo de vida na Suíça?

Eu tenho recebido ultimamente muitas mensagens de pessoas querendo saber sobre o custo de vida na Suíça e como fazer para entrar e ficar por aqui. Para entrar no país há algumas possibilidades, mas pra explicar direitinho preciso fazer uma pesquisa.

E como tem meninas brasileira se apaixonando por suíços eim? É certo que o amor vence barreiras, mas olha, tem alguma manias do povo aqui que a gente so descobre depois que está se relacionando com eles, e mais importante, na terra deles. Mas enfim, esse é assunto para um outro post.

As perguntas que eu mais recebo são sobre custo da moradia por aqui. Eu não posso falar sobre a Suíça inteira, mas vou tentar ser breve e prática pra falar sobre o custo de vida em Zurique. Talvez seja parecido com outras cidade, mas não posso afirmar.

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Bom, a primeira coisa que você precisa, ao chegar aqui é uma moradia não é mesmo? Primeiro balde e agua fria: o aluguel de um apartamento é super caro, isso quando você tem sorte de conseguir alugar um. Mas como assim? é simples, para cada apartamento, terão no mínimo outras 50 pessoas além de você interessadas. Se o aluguel for “barato” então, nem e fala. A cidade de Zurique é a maior da Suíça, mas não deixa de ser uma mini cidade. Há poucas construções novas e quando tem, o aluguel costuma ser bem caro. Caro quanto? Calma que eu vou chegar na questão de valores.

Tendo em vista que você estará concorrendo com outras 50 pessoas, já da pra imaginar que os critérios do pessoal da imobiliária são bem rigorosos. Entre você, que acabou de chega aqui e talvez não tenha nem trabalho, e uma outra pessoa que tem emprego fixo, com salário bom, quem vocês acham que eles vão escolher? Entre um suíço e uma pessoa com um visto de recém chegado aqui, quem vocês acham que eles vão escolher? Mesmo os suíços passam meses tentando alugar um apartamento. Então aqui não é assim, que você escolhe o apartamento, faz um contrato e se muda. Aqui você procura na internet os apartamentos que estão disponíveis, vê qual é o dia aberto para visitas, vai fazer a visita, conhece o apartamento e pega um formulário para enviar a imobiliária. Normalmente quem mostra o apartamento é a pessoa que está morando no local, e você ainda vê com todas as tralhas da pessoa dentro. Quer saber onde procurar apartamentos? O site mais completo é o www.homegate.ch

Ok, agora vamos para os preços. Uma kitinete custa em torno de mil francos por mês. Os preços podem variar muito dependendo da localização e tamanho do lugar. Um apartamento de 1 quarto custa em torno de 1500 francos. Quer um apartamento com dois quartos, uma sala bacana e mais uma varanda? Vai custar de 2 mil francos pra cima. Não precisa calcular em reais, por que a discrepância vai ser enorme. Basta pensar que uma pessoa com um emprego fixo mas com pagamento baixo, ganha em torno de 4 mil francos.

Ah, Karina, mas com os outros 2 mil francos eu consigo viver. Sim, consegue, mas vamos a um outro ponto que é obrigatório aqui na Suíça: seguro de saúde privado. Aqui não existe saúde pública, todos pagam seguro de saúde que, pelo menos no eu caso, depende da franquia, pode ser um valor alto ou baixo. Eu pago um valor mais alto por mês, mas tenho a franquia de 300 francos (que é considerada baixa). Isso significa que quanto eu atingir 300 francos gastos com saúde, passo a pagar apenas 20% do que eu gastar. Mas o valor do seguro todo mês não diminui, essa redução do preço é para os gastos médicos. Então são em media de 350 francos por mês somente para o seguro de saúde. Pode variar, sim, mas não pra muito menos.

Transporte público. Você pode até comprar um bicicleta, gostar de andar, mas lembre-se que aqui o inverno é longo e rigoroso. Você vai, sim, ter que comprar um ticket mensal para usar ónibus, trem e bonde na cidade, principalmente se estiver trabalhando ou estudando. Se você pretende ficar somente na região de Zurique, o custo do ticket mensal é 84 francos. Você pode andar pela cidade inteira com todos os meios de transporte à vontade. Mas saiu da Zona 10 (Zona de Zurique)? A próxima zona você pagara em torno de 6 francos a mais, se for voltar, mais 6 francos. Isso se você tiver o cartão Halbtax, que dá direito a pagar meio bilhete. O cartão Halbtax custa 180 francos por 1 ano e vale muito a pena comprar.

Entre outras coisas necessárias para viver, como comida, e uma diversão de vez em quanto, também aviso que é mais caro. Principalmente se você está acostumado a fartura nas mesas brasileira. Aqui não tem isso. Aqui você vai ao supermercado e compra o básico, a não ser que a sua condição financeira aqui seja boa. Mas mesmo assim, nem os suíços mais abastados fazem a festa no supermercado. Pra fazer uma estimativa de valor, eu só posso me basear no que eu gasto. Faço compras somente para mim, e preparo todas as minhas refeições e raramente como fora durante a semana. Então levando em conta que eu gasto pouco, e seleciono bem o que compro, aí vão uns 300 francos por mês. Ah, claro, importante dizer que esse valor é sem comer carne todos os dias.

Cansou de ficar comendo somente em casa, e quer dar uma espiadinha em um restaurante comum? O valor de um prato custa em torno de 20-30 francos. Num almoço básico em um restaurante básico, junto com uma bebida para acompanhar, você gastar uns 30 francos. Quer sair a noite pra jantar e tomar uma taça de vinho e quem sabe comer uma sobremesa? Abre a carteira e deixa lá uns 45-50 francos. E um drink no bar? Cerveja custa em média 5 francos (baratíssima e em raros lugares) e um drink tipo capinha custa 15 francos. Uma taça de vinhos uns 8 francos (também barato).

Agora é com você, colocar tudo na ponta do lápis e ver qual é o custo de vida aqui. Isso que somente falei das coisas mais básicas, mas todos sabemos que uma vida não se resume a isso né? É difícil, claro, mas não é impossível. Tudo vai depender de como você administra suas finanças.

Um ponto que vale ressaltar é: os suíços são pessoas que adoram viajar. Na hora de por tudo no caderninho, não esquece de deixar as economias pra viagem. Afinal, você não vai querer ver todos os seus amigos viajando, te convidando, e você sem dinheiro pra acompanhar.

Antes de vir pra ca eu achava que tudo era mais fácil e o que não fosse, a gente dava um jeito.Então a dica mais importante de todas é: aqui não tem jeitinho brasileiro.

Obs.: Estou me mudando em breve, desta vez para finalmente parar de dividir apartamento. Quando tudo estiver pronto, faço um vídeo contando mais detalhes sobre aluguel de apartamento. A dificuldade em alugar algo por aqui é tão difícil que a maioria de vocês não tem ideia. Mas eu darei mais detalhes no vídeo.

Espero que esse post tenha ajudado vocês a tirar algumas dívidas e ter uma ideia melhor de quanto se gasta por aqui. Qualquer dúvida, me escreve que eu vou tentar responder da melhor maneira possível. Eu demoro, mas eu respondo 🙂

Tschüss!


25 out 2015

Domingo no parque

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Um passeio no parque sempre me remete a imagem de casais sentados juntinhos, grupo de amigos bebendo ou fazendo pinic, mães com suas crianças ou famílias passeando. Talvez eu tenha essa ideia fixa de nunca estar sozinha, por que eu vim de uma família grande.  A gente sempre saiu junto, não me lembro de ver meu pai saindo pra passear sozinho nem minha mãe.

Passear por Zurique (na verdade em qualquer lugar) sozinha pra mim sempre foi um problema. Eu vim pra cá com o propósito de desbravar a cidade na companhia de alguém, e fiz isso varias vezes, claro. Talvez no passado eu não tenha dado o valor a uma simples caminhada a dois. Eu achava que precisava sair pra comer, tomar um cafe em um lugar interessante. As coisas eram difíceis quando eu cheguei aqui. Hoje eu tenho a possibilidade de sair pra comer a beira do lago, tomar um cafe na confeitaria mais famosa da cidade…

Mas as coisas mudam, e consequentemente mudam também os valores.

Hoje eu caminhei pela cidade sozinha, parei no parque, li meu livro, observei as pessoas. E me senti bem. Por que é muito importante curtir a própria companhia. Isso não e sinal de solidão, é sinal de auto conhecimento. Não me entendam mau, eu tenho muitos amigos, mas nos últimos meses aprendi o valor de estar sozinha. Eu aprendi a me ver, coisa é sim muito difícil quando estamos rodeados de muitas pessoas, ou nos doamos muito para elas.

Hoje entendo o que quer dizer “seja inteira, e não a metade da laranja”. Leva tempo, mas quem realmente quer, aprende. Aprende também que o tempo cura tudo e que é preciso dar tempo ao tempo.

Dê também tempo a você mesmo, e quem realmente estiver na sua vida vai continuar, não importa quanto tempo você necessite pra se encontrar. A vida passa rápido, verdade, mas também é muito longa. Há tempo de plantar e de colher. parque 4parque 3

E como sempre as joaninhas pousando em mim. Muito amor!

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16 set 2014

Tic Tac

Eu tenho alguns textos nunca postados no meu computador. Alguns são somente rabiscos, outros quase completos. Alguns não cabe mais ao momento postar, ou precisam de uma certa “atualizada”. Mas esse texto que eu achei hoje é totalmente atemporal, você vai ver por quê 😉


 

A minha relação com o tempo

Posso dizer que nossa relação é de amor e ódio. Tenho que ser sincera e dizer que você é muito monótono, sempre com o mesmo sermão “tic TAC tic TAC”. Não muda nunca?

Nos últimos meses você me assustou, me confortou e me fez, de maneira forçada, me acostumar com as coisas. Pois é assim que você age, sem paciência nenhuma, por que você não para nunca. Como posso confiar em você?

Se eu estou atrasada, olho no relógio e você grita “tic TAC tic TAC”. Se me questiono sobre a vida, lembro-me sempre da sua voz de conselho: “tic TAC tic TAC”.  

Ao mesmo tempo em que eu quero que você faça seu trabalho, eu morro de medo que você o continue. Por que, vamos ser sinceros, você é devastador! E por mais que eu tente, jamais conseguirei te fazer parar. 

Eu te deixo fazer parte da minha vida, e você de maneira sutil vai deixando com que tudo aconteça. Como você pode ser tão misterioso e ao mesmo tempo tão simples?

Então, a vida vem, a vida vai, e você na mesma ladainha “tic TAC tic TAC”.

As vezes quero te atrasar e você… nada! As coisas só acontecem com você. Tenho que sempre esperar por você, mas você nunca me espera.

Você é egoísta, e se preocupa com o seu próprio tempo. E eu fico aqui ansiosa pra ter tudo que quero e quando quero, e você me ignora, não faz nada além de “tic TAC tic TAC”.

As pessoas me disseram muitas vezes, ‘O tempo vai curar tudo’. Mas ao mesmo tempo em que você cura, também pode destruir. 

É você, afinal, o dono de tudo? É você a resposta de tudo? E a sua resposta será sempre a mesma? Tic TAC tic TAC?

tic tac


17 out 2012

O bondinho da universidade

Zurique é uma cidade de morros. Há partes planas, como o centro da cidade, mas a redondeza, parte mais cara da cidade, é feita de inclinadas. Uma dessas partes altas é a localização da Universidade de Zurique e do ETH (Polytechnikum, ou “Poly”).

O bondinho, que liga o centro da ligado à universidade, foi criado em 1889, com o nome de Zürichbergbahn, mas pela proximidade à Escola Politécnica, foi sempre chamado de Polybahn (bahn = trem). Hoje, ele transporta quase dois milhões de passageiros por ano.

A linha consiste em dois carros/bondes conectados por um cabo. A medida que um sobre o outro desce, se encontrando sempre no meio do caminho. O tempo de espera é sempre em torno de três minutos. A subida (ou descida) pode ser feita de segunda a sexta, das 6:45 às 19:15, e aos sábados das 7:30 às 14 horas.

O caminho com o Polybahn dura menos de dois minutos. A linha tem apenas um ponto. Abaixo, encontra-se a estação de ônibus e bonde chamada Central, como o nome já diz, é a parte central de Zurique. Ali também fica uma biblioteca, acho que uma das maiores da cidade, e também um ponto Starbucks, ou seja, perfeito para estudantes. Uma estação antes fica a estação principal de trem. Acima (parada do bondinho) encontra-se o terraço da ETH, o Instituto Tecnico Federal, e ao lado a Universidade de Zurique. Devido a isso, a linha é usada, na maioria das vezes, por estudantes.

Outro acesso à Universidade a ao ETH, é a escadaria próximo à estação do Polybahn.

Em Zurique, existe apenas duas estações de bonde como essa. A segunda da acesso ao hotel mais famoso da cidade, o Dolder Hotel, chamada Dolderbahn. Polybahn é a linha mais curta da cidade de Zurique.

O Polybahn tornou-se também uma atração turística, sendo referenciado em guias turísticos e em cartões postais. Não é raro encontrar um grupo de chineses dentro do bonde tirando fotos. Porque vocês acham que meus pais estão aí nas fotos fazendo esse passeio? Turistas!

Inicialmente movido a água, em 1897 o Polybahn começou a ser conduzido com eletricidade. Em 1970, após uma crise da companhia que possuía a concessão da linha, foi criada uma fundação para preservar o Polybah em 1972. Mas em 1976, a união de bancos da Suíça, a UBS, comprou a linha e a renomeou para o nome que carrega até hoje, UBS Polybahn.

Graças a renovação feita em 1996, os estudantes podem usufruir diariamente da ligação entre a estação chamada Central até o terraço da universidade. A tecnologia moderna aliada a um revestimento rústico preserva esse, por que não dizer, monumento histórico da Zurique do século 19.

Por essas e outras coisas é que eu acho a pequena Zurique uma cidade charmosa demais.



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