22 fev 2016

Custo de vida na Suíça?

Eu tenho recebido ultimamente muitas mensagens de pessoas querendo saber sobre o custo de vida na Suíça e como fazer para entrar e ficar por aqui. Para entrar no país há algumas possibilidades, mas pra explicar direitinho preciso fazer uma pesquisa.

E como tem meninas brasileira se apaixonando por suíços eim? É certo que o amor vence barreiras, mas olha, tem alguma manias do povo aqui que a gente so descobre depois que está se relacionando com eles, e mais importante, na terra deles. Mas enfim, esse é assunto para um outro post.

As perguntas que eu mais recebo são sobre custo da moradia por aqui. Eu não posso falar sobre a Suíça inteira, mas vou tentar ser breve e prática pra falar sobre o custo de vida em Zurique. Talvez seja parecido com outras cidade, mas não posso afirmar.

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Bom, a primeira coisa que você precisa, ao chegar aqui é uma moradia não é mesmo? Primeiro balde e agua fria: o aluguel de um apartamento é super caro, isso quando você tem sorte de conseguir alugar um. Mas como assim? é simples, para cada apartamento, terão no mínimo outras 50 pessoas além de você interessadas. Se o aluguel for “barato” então, nem e fala. A cidade de Zurique é a maior da Suíça, mas não deixa de ser uma mini cidade. Há poucas construções novas e quando tem, o aluguel costuma ser bem caro. Caro quanto? Calma que eu vou chegar na questão de valores.

Tendo em vista que você estará concorrendo com outras 50 pessoas, já da pra imaginar que os critérios do pessoal da imobiliária são bem rigorosos. Entre você, que acabou de chega aqui e talvez não tenha nem trabalho, e uma outra pessoa que tem emprego fixo, com salário bom, quem vocês acham que eles vão escolher? Entre um suíço e uma pessoa com um visto de recém chegado aqui, quem vocês acham que eles vão escolher? Mesmo os suíços passam meses tentando alugar um apartamento. Então aqui não é assim, que você escolhe o apartamento, faz um contrato e se muda. Aqui você procura na internet os apartamentos que estão disponíveis, vê qual é o dia aberto para visitas, vai fazer a visita, conhece o apartamento e pega um formulário para enviar a imobiliária. Normalmente quem mostra o apartamento é a pessoa que está morando no local, e você ainda vê com todas as tralhas da pessoa dentro. Quer saber onde procurar apartamentos? O site mais completo é o www.homegate.ch

Ok, agora vamos para os preços. Uma kitinete custa em torno de mil francos por mês. Os preços podem variar muito dependendo da localização e tamanho do lugar. Um apartamento de 1 quarto custa em torno de 1500 francos. Quer um apartamento com dois quartos, uma sala bacana e mais uma varanda? Vai custar de 2 mil francos pra cima. Não precisa calcular em reais, por que a discrepância vai ser enorme. Basta pensar que uma pessoa com um emprego fixo mas com pagamento baixo, ganha em torno de 4 mil francos.

Ah, Karina, mas com os outros 2 mil francos eu consigo viver. Sim, consegue, mas vamos a um outro ponto que é obrigatório aqui na Suíça: seguro de saúde privado. Aqui não existe saúde pública, todos pagam seguro de saúde que, pelo menos no eu caso, depende da franquia, pode ser um valor alto ou baixo. Eu pago um valor mais alto por mês, mas tenho a franquia de 300 francos (que é considerada baixa). Isso significa que quanto eu atingir 300 francos gastos com saúde, passo a pagar apenas 20% do que eu gastar. Mas o valor do seguro todo mês não diminui, essa redução do preço é para os gastos médicos. Então são em media de 350 francos por mês somente para o seguro de saúde. Pode variar, sim, mas não pra muito menos.

Transporte público. Você pode até comprar um bicicleta, gostar de andar, mas lembre-se que aqui o inverno é longo e rigoroso. Você vai, sim, ter que comprar um ticket mensal para usar ónibus, trem e bonde na cidade, principalmente se estiver trabalhando ou estudando. Se você pretende ficar somente na região de Zurique, o custo do ticket mensal é 84 francos. Você pode andar pela cidade inteira com todos os meios de transporte à vontade. Mas saiu da Zona 10 (Zona de Zurique)? A próxima zona você pagara em torno de 6 francos a mais, se for voltar, mais 6 francos. Isso se você tiver o cartão Halbtax, que dá direito a pagar meio bilhete. O cartão Halbtax custa 180 francos por 1 ano e vale muito a pena comprar.

Entre outras coisas necessárias para viver, como comida, e uma diversão de vez em quanto, também aviso que é mais caro. Principalmente se você está acostumado a fartura nas mesas brasileira. Aqui não tem isso. Aqui você vai ao supermercado e compra o básico, a não ser que a sua condição financeira aqui seja boa. Mas mesmo assim, nem os suíços mais abastados fazem a festa no supermercado. Pra fazer uma estimativa de valor, eu só posso me basear no que eu gasto. Faço compras somente para mim, e preparo todas as minhas refeições e raramente como fora durante a semana. Então levando em conta que eu gasto pouco, e seleciono bem o que compro, aí vão uns 300 francos por mês. Ah, claro, importante dizer que esse valor é sem comer carne todos os dias.

Cansou de ficar comendo somente em casa, e quer dar uma espiadinha em um restaurante comum? O valor de um prato custa em torno de 20-30 francos. Num almoço básico em um restaurante básico, junto com uma bebida para acompanhar, você gastar uns 30 francos. Quer sair a noite pra jantar e tomar uma taça de vinho e quem sabe comer uma sobremesa? Abre a carteira e deixa lá uns 45-50 francos. E um drink no bar? Cerveja custa em média 5 francos (baratíssima e em raros lugares) e um drink tipo capinha custa 15 francos. Uma taça de vinhos uns 8 francos (também barato).

Agora é com você, colocar tudo na ponta do lápis e ver qual é o custo de vida aqui. Isso que somente falei das coisas mais básicas, mas todos sabemos que uma vida não se resume a isso né? É difícil, claro, mas não é impossível. Tudo vai depender de como você administra suas finanças.

Um ponto que vale ressaltar é: os suíços são pessoas que adoram viajar. Na hora de por tudo no caderninho, não esquece de deixar as economias pra viagem. Afinal, você não vai querer ver todos os seus amigos viajando, te convidando, e você sem dinheiro pra acompanhar.

Antes de vir pra ca eu achava que tudo era mais fácil e o que não fosse, a gente dava um jeito.Então a dica mais importante de todas é: aqui não tem jeitinho brasileiro.

Obs.: Estou me mudando em breve, desta vez para finalmente parar de dividir apartamento. Quando tudo estiver pronto, faço um vídeo contando mais detalhes sobre aluguel de apartamento. A dificuldade em alugar algo por aqui é tão difícil que a maioria de vocês não tem ideia. Mas eu darei mais detalhes no vídeo.

Espero que esse post tenha ajudado vocês a tirar algumas dívidas e ter uma ideia melhor de quanto se gasta por aqui. Qualquer dúvida, me escreve que eu vou tentar responder da melhor maneira possível. Eu demoro, mas eu respondo 🙂

Tschüss!


07 maio 2014

Tirando algumas dúvidas

Oi gente!

Uma passadinha rápida por aqui, sem muita preparação, apenas para responder alguns comentários. É incrível a quantidade de mensagens e e-mails que eu recebo, mesmo com a baixa frequência de posts.

Eu trabalho e frente ao computador, daí no final do dia fico sem motivação pra escrever aqui. Mas já organizeu minha agenda semanal pra conseguir tirar pelo menos um dia só pro blog. Pra dar dicas da cidade e contar sobre minha vida. O verão está chegando, e espero que várias novidades também. Aliás, estou indo pra Dublin semana que vem, e com certeza, trarei fotos e novidades!

Então, sobre os comentários… Algumas pessoas me perguntam sobre o curso de integração que eu fiz aqui em Zurique. E recebi um e-mail do Agusto, de São Paulo, com uma dúvida bem específica: “O curso de integração dá visto de estudante?”. Não Agusto, o curso não dá visto, pois ele serve exatamente para integrar as pessoas que já moram em Zurique, por qualquer motivo quie seja, e precisam aprender a lingua, e também os direitos e deveres. Ou seja, a idéia não é facilitar a entrada de imigrantes, mas orientar os que aqui estão. De qualquer maneira vou fazer um outro post mais detalhado sobre o “Integrationskurs”, pois foi o melhor curso que eu já fiz aqui.

A Bel me pediu algumas indicações de curso de alemão, e vou aproveitar a dúvida dela e fazer um levantamento de cursos por Zurique. Aproveitando a deixa, a próxima vez que você vier a Zurique, vamos nos encontrar ok, Bel? Sem desencontros!

Alguém perguntou sobre “A salsicha mais famosa de Zurique” aqui nos comentários, querendo saber onde encontrar no Brasil. Um outro leitor comentou dizendo que é possivel encontrar a “Bratwurst” em  BERNA – Louveira/SP. Não sei se tem mesmo por lá, mas quem quiser procurar, já sabe por onde!

Márcia, querida, você me pediu dicas de apresentações na casa de Opera, e eu não te respondi. Fui adiando a resposta e quanto vi, era tarde demais. Mil desculpas. Espero que você tenha tido uma experiência incrível em Zurique! Vou deixar AQUI o link em inglês para a casa de ópera de Zurique, o Opernhaus, caso alguém tenha interesse.

Por hoje é isso gente. Se alguém quiser saber qualquer coisa sobre Zurique, pode me mandar e-mail que eu vou atrás de informações. É só mandar uma mensagem na barra “Contato” li em cima.

Por hoje é só. Até o próximo post!

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19 nov 2012

Unindo duas culturas em um casamento

“Você faz as malas, se muda para outro país, e na hora de abri-las, percebe que nem tudo que pertence a você veio junto”

Veem as lembranças, os aprendizados, sua bagagem cultural, mas muitas coisas ficam no seu país de origem. Esse foi o primeiro tema do workshop Zwei Nationalitäten – Ein Zuhause, Duas nacionalidades – Um só lar (tradução livre) sobre casamento binacional oferecido pela prefeitura de Zurique. A palestra foi dada, na última sexta-feira, por uma psicóloga brasileira, casada com um suíço há 36 anos. Ela falou sobre as expetativas de um casamento, sendo que um dos dois terá que não somente se mudar, mas mudar muito sua rotina.

Para quem quer se casar com um suíço ou suíça ou já está casado mas precisa de informações pode participar do workshop gratuitamente. Há traduções em inglês e espanhol.

O programa é dividido em 4 partes:

*Parceria Binacional: Desejo e Realidade.
Data: 16/11. Horário: 19:00 – 21:00

*Formalidades do casamento e autorizações de residência.
Data: 20/11. Horário: 19:00 – 21:00

*Perguntas jurídicas e soluções de problemas em relacionamento binacional.
Data: 29/11. Horário:19:00 – 21:00

*Não perca a conexão: A procura de emprego e o desenvolvimento da carreira profissional no contexto de casais binacionais.
Data: 4/12. Horário: 19:00 – 21:00

Local: prefeitura de Zurique, Stadthaus. Sala: Musiksaal, terceiro andar.
Endereço: Stadthausquai 17.
Como chegar: Tram 4 ou 15 até a parada Helmhaus. Tram 2, 6, 7, 8, 9, 11 ou 13 até a parada Paradeplatz.


16 out 2012

A salsicha mais famosa de Zurique

Na terra dos queijos e chocolates há lugar para uma comida típica alemã. Claro que na parte francesa da Suíça se come comidas típicas da França, assim como em Ticino se come pista e sorvete. E na parte alemã? Salsicha, obviamente! Mas como os suíços adoram ser especiais, criaram um restaurante estilo take away de salsichas. O quiosque Sternen Grill é conhecido por ter a melhor salsicha de Zurique. Famosos pela St. Galler Bratwurst, o Sternen Grill vende vende as famosas salsichas desde 1963 na região Bellevue. Já fiz um post sobre essa região próxima o lago de Zurique (aqui).

O legendário quiosque de salsichas está em reformas desde meados do ano passado e ficará pronto em março de 2013. Hoje, o Sternen Grill serve suas salsichas em uma tenta coberta sobre um trailer Air-Stream vintage dos EUA, com mesas para sentar ou comer em pé, localizado no Sechseläutenplatz, ainda em Bellevue. Mas tudo organizado e limpo, com direito a pipi-móvel e tudo.

Nesta mesma área, encontra-se a Casa de Ópera e o Casa de Teatro de Zurique. Ou seja, é a localização perfeita para uma pausa cultural.

Você faz o pedido no caixa e a salsicha já vem na hora com a, também famosa, mostarda picante. Incluso no preço da salsicha é disponibilizado um pedaço de pão, um pouco duro por fora, mas macio por dentro, chamado Gold Bürli. É assim que o pessoal de Zurique come a salsicha. Simples, prático e rápido. A bebida, tirando as garrafas pets tradicionais, é servida na mesa. E para acompanhar a Bratwurst, nada mais certo que uma cerveja!

Ao fazer o pedido é possível pedir um pote com o molho de coquetel (gratuito), para quem não curte mostarda picante. Mas se é a sua primeira vez, prove com a mostarda, mas vá devagar por que é bem forte. Além da Bratwurst, a salsicha branca, tem também a Servelat, a salsicha marrom. O preço da salsicha com mostarda e pão é 7 francos.

No cardápio há também sanduíches de bife, pão pita com vegetais e frango e outros lanches rápidos, mas pra mim, ir à Sternen Grill tem que ser para provar as famosas salsichas de Zurique.

Ainda não sei se é o gosto da salsicha, ou o ambiente que me fascina, pois adoro esse jeito dos “zuriquianos” de pegar um lanche e sair comendo ou sentar-se nas calçadas com os amigos para almoçar. Só sei que Sternen Grill é um local certo para comer se você estiver a passeio por Zurique

Para quem não vai ter tempo em Zurique, mas vai passar pelo aeroporto, uma dica: No dia 1 de outubro foi aberto um novo ponto do Sternen Grill no aeroporto logo na entrada do chek-in 3, perto da estação, aberto das 10 da manhã as 8 da noite.


06 jun 2012

O sistema educacional suíço

Demorou pra pesquisar, demorou mais ainda pra escrever. Entender e depois explicar o sistema educacional da Suíça me levou um bom tempo, mas acho que finalmente eu entendi a diversidade e vou tentar explicar aqui. Mas pra não ficar cansativo vou dividir os posts. Vou dar uma visão geral hoje e amanhã conto como funciona o período de escola obrigatório. Pode ser? Tranquilo?

Vamos por partes, tipo dose homeopática. O mais importante: a Suíça está entre os melhores sistemas educacionais escolares do mundo. O melhor: não é caro, já que tudo é custeado com dinheiro público. Mas peraí, no Brasil as escolas publicas também são pagas pelo Estado. Porque não são excelentes? Sabemos bem por que.

Já as escolas particulares (de jardim de infância à universidade) estão classificadas como uma das mais caras do mundo, mas apenas 5% dos suíços ingressam no sistema privado. Vocês vão perceber a flexibilidade e as inúmeras possibilidades de se ter uma boa formação, seja ela durante ou depois do Ensino Médio.

Como o país tem 4 línguas oficiais (alemão, francês, italiano e romanche), as aulas nas escolas são ministradas em diferentes línguas, depende to Cantão. Mas toda criança na escola primária aprende outra língua oficial do país (neste caso o romanche fica de fora ) e mais o inglês. Ou seja, ensino completo com um plus de falar três idiomas. A diversidade linguística do país reflete também na formação intercultural da criança. Acostumados desde sempre a línguas e culturas diferentes (já que cada cantão tem sua própria identidade), a cada geração que passa as pessoas ficam mais “abertas”. Minha humilde opinião!

Na parte organizacional, o Estado tem a responsabilidade pelas escolas, porém a organização fica a cargo do município, assim como a contratação de professores, grade curricular escolar e feriados. Porém algumas regras vêm de cima (Federal) como a idade mínima para ingressar na escola e a duração do ensino obrigatório. Apenas as Escolas Superiores Técnicas Federais, que como o nome já diz, são controladas pego Governo Federal. Mas não pense que, por que cada cantão se responsabiliza por suas escolas,  vira uma bagunça. É tudo feito em perfeita harmoniza, respeitando cada cantão e sua cultura.

Como a educação aqui é obrigatória, mesmo as crianças filhas de estrangeiros são obrigadas a ir à escola. A idade mínima para começar os estudos é seis anos, mas é oferecido um, digamos, pré jardim de infância antes dessa idade. Os pais são livres para colocar seus filhos, mas mesmo sem a obrigatoriedade a maioria das crianças vai a “escolinha”.

Então existe o ensino infantil – Jardim de Infância, em seguida o ensino fundamental que pode ser dividido em escola primária e escola secundária – com varias ramificações-, e depois há outras opções para quem quer seguir alguma carreira profissional. Tem o Maturitätschule, que é a preparação para a universidade, ou cursos profissionalizantes.  E acima disso tem as Universidades e Institutos Técnicos, mas eu explico com mais detalhes depois!

Como já falei, amanhã vou postar sobre as três etapas do ensino obrigatório, que vou chamar de Jardim de Infância, Ensino Fundamental e Escola Superior. É importante dizer que cantões diferentes podem ter nomes também diferentes para especificar cada etapa do ensino, mas o princípio é o mesmo. Como moro na parte que tem o alemão como língua oficial, vou dar os nomes que eles dão aqui em Zurique, ok?

Espero que vocês gostem!


28 maio 2012

Berlin, parte 3

Aqui estou depois de uma semana pra falar DE NOVO sobre Berlim. Mas eu prometo que este post é o último e eu volto a falar de Zurique.

Nova Iorque poder até ser a cidade que não dorme, mas Berlim não fica pra trás não viu?  Ô cidade cheia de energia! Antes de visitar a capital alemã, minha ideia era “Segunda Guerra Mundial” por causa do famoso Muro de Berlim e só. Pode? Hoje a ideia que eu tenho é exatamente oposta ao militarismo: liberdade. Como falei antes, a cidade é cheia de paredes grafitadas e gente alternativa, e isso reflete também nas esculturas. Em meio a muito edifício antigo e ilustres monumentos é possível encontrar uma escultura de um homem nu com um pênis gigante. Na foto abaixo não é possível ver com clareza o dito cujo, até porque eu levei tempo pra acreditar no que eu estava vendo e tirar uma foto! (ele é bem mais longo do que aparece na foto)

Eu fiz um planejamento de compras perfeito e a execução foi um desastre! Só de pensar me dá dó. No primeiro dia nós saimos sem rumo e eu aproveitei pra comprar uma coisinhas básicas que eu gostaria de usar nesses dias por lá. O plano era deixar as compras pro último dia e gastar o dinheiro que sobraria. Só que na sexta fomos jantar com um amigo do Amir que é tatuador e eles marcaram um horário no domingo pra fazer uma tatuagem. Ok, sábado fomos fazer nosso passeio cultural e saímos com esse casal de amigos pra balada. Domingo todos acordaram de ressaca e acabou que o cara não fez a tatuagem e saímos pra jantar. O plano então era fazer essa tattoo na segunda de manhã e passar o resto do dia fazendo compras, já que terça de madrugada nós voltaríamos para Zurique. Resultado: a tatuagem começou a ser feita no final da manhã de segunda e só parou as 4 da tarde, incompleta. Ou seja, começamos a passear às 5 e as lojas fecharam às 8, e eu não comprei metade do que eu queria, voltei pra casa com euros e o Amir sem a tatuagem terminada. Desastre total!

Pelo menos consegui comprar a saia high low que eu tanto queria e essa luvinha de couro que eu amei!

Mas todo esse contratempo valeu a pena. Conheci duas pessoas super gente boa! Passei algumas horas no apê/studio dos nossos amigos, mas viajar, conhecer lugares novos e ainda por cima fazer amizade é demais, né?

Outra coisa especial de Berlim: nosso souvenir. Dentro da estação do metrô havia uma grande campanha editorial da rede de lojas H&M, com fotos de casais modelos (hétero ou homossexuais) se beijando. A campanha se chamava Fashion Againt Aids – mais fotos aqui – e olha que maravilha: encontramos uma tenda da campanha no SonyCenter fazendo fotos de casais para postar no site. Fomos convidados pela mocinha da tenda e depois assinamos uns papéis para autorizar a publicação da foto e doar 1 dólar (ou seria euro? Não lembro). E ela ainda foi parar no telão! Amei!

Tem umas história engraçada sobre os ônibus de Berlim. No nosso primeiro dia de passeio compramos o ticket pro transporte público. É tipo um papelzinho meia-boca que serve pra todos os transporte públicos da cidade (não sei se pra barco também!). Quando eu digo meia boca é porque é assim um papel branco com algumas informações dentro, como a data de validade. Dentro do bondinho é igual a Zurique, não tem ninguém fazendo controle de ticket. Na estação de metrô também não, nem uma catraca pra controle, nadica. Mas no ônibus tem a tal fiscalização de ticket, digamos, um pouco estranha.

Tá vendo o ônibus ali na foto mais abaixo, de dois andares? Então, esse ônibus tem 3 portas – uma na frente, uma no meio e outra atrás – assim como os ônibus aqui de Zurique, só que aqui é possível entrar por qualquer porta, já que não há fiscalização diária. (Em breve post sobre o transporte público na Suíça). Em Berlim a galera toda entra pela porta da frente, mostra o papelzinho pro motorista (que nem olha direito) e vai procurar um assento. Nós, claro, fazíamos o mesmo. Mas eu sempre comentava com o Amir o quão idiota era fazer aquilo, já que se eu tivesse um ticket do mês passado o motorista não perceberia. (Não há tempo suficiente pra parar todos e olhar os tickets um por um). E comecei a notar que algumas pessoas entravam pela porta do meio, aproveitando que alguém estava descendo.

Certo dia o ônibus parou e eu entrei com o Amir pela porta do meio, pois estava aberta, enquanto todos os outros passageiros entraram pela porta da frente, fazendo aquela tradicional “mostra” de bilhete, leia-se levantar um papelzinho e abaixar em 1 segundo. Ok, entramos e ficamos em pé mesmo. Eu olhei para a cara do motorista pelo espelhinho e tive a impressão que ele olhava pra mim. Abaixei a cabeça, troquei duas palavras com o Amir e o ônibus não partia. Olhei de novo pro motorista, que nesse momento já estava com a testa franzida. Fingi que não vi e olhei de novo e constatei que ele estava mesmo me encarando. Falei pro Amir discretamente “Psiu, acho que o motorista tá encarando a gente!“. Ele não deu bola e eu já comecei a ficar nervosa, porque o ônibus não partia, e mais nervosa ainda com aquele alemão me encarando pelo espelho. Até que uma voz grossa sai de um alto-falante: “Os dois que entraram pelo meio, favor mostrar o ticket!”. Mico total

Eu e o Amir somos super tranquilos quando planejamos uma viagem. Decidimos o local, onde vamos dormir e o resto a gente vê por lá. Super sem expectativas e sem grandes frustações, muito menos estresse. Se um dia queremos dormir até mais tarde e passar menos tempo passeando, fazemos! Não gosto de visitar lugares às pressas e nem ir a tal lugar ‘só porque todo turista vai’. Viajar deve ser prazeroso e não exaustivo.

E o melhor de tudo isso, é poder passar momentos juntinhos com meu amor e ter a atenção dele toda pra mim! AMO!

Berlim me deixou muitas saudades! Saudade da comida barata, do povo misturado, daquele caos que é uma cidade enorme e dos momentos juntinhos com meu amor. É aquela coisa que eu disse quando voltei de Paris, vá uma vez pra ver a cidade, mas volte para conhecê-la, e Berlim está definitivamente na lista dos lugares que retornarei!

 Espero que tenham gostado! 😉

Obs.: quem é super curiosa, assim como eu, pode clicar nas fotos e vê-las maiores!


14 maio 2012

Berlim, parte 1

Até parece que fiquei todas essas semanas de férias né? Não não. Berlim durou uma semana e não passou voando como todas as férias. Foram seis dias andando, pegando metrô, andando, pegando ônibus e andando andando… E foi demais! Tirei muita foto, visitei bastante lugares e por isso tem muita foto e muito que eu quero contar, por isso vou dividir o post em três partes. Porque minha vida anda ocupada e a preguiça anda me visitando!

Pra quem vem de Floripa pra Zurique e vai pra Berlim acha que a cidade é um absurdo de grande. Acostumada a andar por Zurique toda, voltar da balada a pé e no máximo pegar um ônibus rápido, posso dizer que a cidade alemã me fez dar umas boas pernadas. O Amir é apaixonado por Berlim e toda aquele caos visual por causa do grafite (coisas de ex-grafiteiro). É difícil achar uma parede ou edifício “limpo”. Mas no final é isso que faz de Berlim uma cidade totalmente underground, (pelo menos ao meu ver) e mista com punks, muçulmanos, chineses – turistas-  em todo lugar.

Eu fui preparada pra ver alguns museus, o muro de Berlim, claro, e qualquer outra parte história da cidade, mas o que mais cativa meu marido e eu é o turismo gastronômico. Mas se você está pensando em comidas elaboradas e chiques, esqueça, nosso negócio é comer muito, bem e barato. E Berlim é o lugar pra isso! Pizza enorme e deliciosa por 3 euros (em Zurique em torno de 50 francos), Dönner – adoro – por 2,50 euros (em Zurique 12 francos) e por aí vai. E olha que 1 euro tá 1,20 francos então a diferença de preços é realmente gritante!

O Amir me falou que currywurst é famoso por lá e ele mal esperava pra comer, mas não me agradou. A comida é o seguinte: salsicha de porco, cortada em fatias com molho misto de ketchup e curry. Em qualquer quiosque é possível encontrar a salsicha ou nos vendedores ambulantes, que andam com uma tralha nas costas e um grill na frente, e entregam as salsichas fresquinhas, como esses dois da foto acima.

Outra coisa que também me encantou: o povo bebendo cerveja o tempo todo. Eles estão sempre com uma garrafinha de cerveja na mão, seja no metrô ou na rua. O mito do alemão e da cerveja é real! Eu embarquei na brincadeira e bebi cerveja o dia todo. Delícia! O Amir ficou mais no Club Mate, outro vício por lá. É mate com gás, vendido numa garrafa de vidro. Quem não carrega cerveja na mão carrega o mate. E na balada é possível comprar a garrafinha beber um pouco e completar com vodka. Olha eu aí embaixo com a minha garrafinha!

Mas claro que minha passagem por Berlim não se resumiu apenas a comida e bebida, e amanhã eu posto a parte cultural da viagem! Vendo as fotos de novo e relembrando tudo deu uma vontade de ir de novo!


28 mar 2012

Lar doce lar

Encontrar um apartamento em Zurique para morar é uma das tarefas mais difíceis. Especialmente se você não está em condições de pagar muito por ele. Porque? A regra é simples, muita procura, pouca oferta, preço alto.

No início do ano passado, ainda no Brasil, eu comecei a procurar apartamentos pela internet, com aluguel de no máximo 1000 francos. Eu olhava e pedia pro Amir ir visitar o local. Ele ia até o apartamento, pegava o formulário do pedido de aluguel e mandava para a imobiliária. Só por curiosidade ele perguntava ao atual morador quantas pessoas ja tinham visitado o apartamento. Em torno de 100 pessoas. Concorrência, não?
Por 5 meses nós mandamos formulários e nada de resposta positiva. “Desculpe, mas entregamos o apartamento para outra pessoa.” Eu comecei a perguntar quais eram os critérios da imobiliária na escolha do novo morador. Dinheiro? Não, a lei do quem paga mais não serve por aqui. Nacionalidade? Pode ser, já que mesmo que o preconceito com estrangeiros não seja tão visível, ele existe. Mas não tinha muito o que questionar, ou tínhamos uma resposta positiva ou não. Hoje, morando aqui eu sei que a dificuldade de arrumar um bom apartamento pra morar é um problema geral, principalmente em Zurique e Genebra – onde todos querem morar!

Tantos meses procurando e nada. Até que uma amiga do Amir fez uma proposta: dividir apartamento. No momento eu achei a proposta péssima, afinal quem casa quer casa. Relutei até o ultimo instante, enquanto continuava fazendo buscas em sites de alugel. Mas o tempo de viajar havia chegado e até então eu não tinha onde morar, já que a casa da sogra estava fora de cojitação. Aceitei a proposta, até então com um certo receio.

Nós moramos há poucos minutos da universidade, o que facilita muito o dia a dia do Amir, super perto do lago de Zurique em um apartamento muito grande com um terraço enorme. Não me arrependo nem um pouco em ter feito essa escolha. Somos em quatro, o Amir e eu e mais duas super amigas dele, que hoje já posso chamá-las de amiga também. Aqui esse estilo de moradia é chamado WG (Wohngemeinschaft, tradução livre: residência compartilhada) e é super comum durante a vida acadêmica. E já que aqui em casa somos todos estudantes, caiu super bem!

Então se você está procurando apartamento em Zurique, Karina Tabajara tem a solução, ou pelo menos uma idéia. Abrir a cabeça para novas possibilidades é muito importante, especialmente quando você mora em um país diferente.
Hoje, se alguem me oferecer um apartamento/kitinete por 1000 francos (preço mais que normal por aqui) eu não aceito de jeito nenhum. Com esse preço você jamais encontrará algo perto da cidade. E se você é novo por aqui, já é um grande passo na conquista de novos amigos e um bom chega pra lá na solidão.

Agora pra quem não quer de jeito nenhum compartilhar um apê, mas sim um lugar pra chamar de seu, aqui vai um ótimo site de busca de imóveis: http://www.homegate.ch/

Tenha paciência e prepare o bolso, não só pro aluguel, mas também pro pagamento calção obrigatório, em torno de 3 meses de aluguel. Mas nunca desanime, afinal quase tudo é possível! Boa sorte!


21 mar 2012

Curso de integração em Zurique

Lembra quando eu postei sobre o curso de alemão que eu estava fazendo? Pois bem, fiz o curso por dois meses (outubro e novembro) e no final de novembro eu parei por dois motivos: não estava mais me agradando e oportunidade de trabalhar mais horas em dezembro e juntar um bom dinheiro. Eu sabia que logo deveria retornar aos estudos, mas vieram as férias e eu deixei pra voltar em fevereiro, quando o ano letivo recomeça. Eu não sabia se voltaria pra a mesma escola ou se procurava outra, até que minha sogra descobriu algo muito interessante. Ela falou sobre um curso de integração que é oferecido a imigrantes residentes em Zurique, com uma preço animador: 600 francos por semestre, em vez de 600 por mês que eu pagava na escola de alemão.

Logo fui procurar informações sobre esse curso e descobri que ia além do alemão. Informações básicas, porém importantes, sobre a cidade eram dadas no curso de integração. Me animei mais ainda e me inscrevi no programa, mesmo sem mais informações. O Amir entrou no site da cidade Zurique, imprimiu o formulário, eu assinei e mandamos via correio. A resposta veio em algumas semanas com um horário marcado para fazer uma entrevista. Na entrevista eu pude ver qual curso seria melhor pra mim. As opções eram 3: curso de alemão/integração para pessoas de 15 a 21 anos 5 dias inteiros por semana, curso de alemão/integração para pessoas de 22 a 40 anos 4 manhãs por semana ou curso intesivo de alemão para quem já fala alemão, mas precisa da gramática perfeita para, por exemplo, entrar na universidade. Escolhi a segunda opção, já que seria totalmente compatível com meu horário de trabalho e as outras duas não me serviam.

O curso começou dia 27 de janeiro e eu estou totalmente apaixonada pela didática. Nas primeiras duas semanas não aprendemos nada de gramática, pois a ideia era falar falar falar, ou seja, praticar o mínimo de alemão que cada um tinha. O bom do curso de integração é que não há pressa em terminar o livro ou acabar a lição, todos são livres para questionar, informar e as vezes até conversar (quando o tema é relevante). Eu, que achava que não tinha aprendido muito em dois meses, agora passo três horas por dia falando somente alemão. Um pouco errado? Muito errado, mas o importante é não ter vergonha (eu não tenho mesmo!), aprender o básico da gramática e mão (língua) à massa!

Agora algumas informações importante para quem mora em Zurique e está interessado em fazer o curso. O custo do curso por semestre é 600 francos (mais 50 francos de material), mas pode ser reduzido de acordo com sua renda. Depois que as aulas iniciam, é dado um formulário para fazer o pedido de redução de preço. Como o curso é barato há muita procura, pode ser que você fique em uma lista de espera, então depois de aceito é bom se empenhar e não faltar, pois você pode ser retirado do curso. Há muitos passeios pela cidade e também visitas à prefeitura e afins, como escritórios públicos especializados em informações para imigrantes. O cantão de Zurique e Basel são os únicos que oferecem curso de integração, já que são considerados os cantões mais “abertos” a estrangeiros. O nome da instituição que eu estudo é Fachschule Viventa e fica localizado na Kernstrasse 11, esquina da Langstrasse com Badenerstrasse. E, obviamente, é preciso estar legal no país para ter o benefício do curso.

O site do departamento de escola e esporte de Zurique é http://www.stadt-zuerich.ch/viventa, lá você encontra mais informações e também o formulário de inscrição do curso.


19 mar 2012

Jardim Botânico

Já posso dizer que vivi em todas as estações do ano aqui na Suíça. Cheguei no verão e curti muito aquele calorzinho chato, depois veio o outono e vi todas as folhinhas caindo das árvores dia a dia. No inverno, como de praxe, a neve marcou presença. E agora estamos há dois dias da primavera. Claro que os sinais ainda não estão claros, pois quando escurece o frio volta e a flora continua tristinha.

O jardim botânico que pertence à universidade de Zurique é super perto de casa. Ainda no ano passado, no outono, (olha que post atrasado!) o Amir e eu fomos visitar o local e fiquei apaixonada pelo ambiente. Só que logo o inverno chegou e não valia mais a pena visitar o jardim cheio de neve.

A entrada é gratuita, mas cachorros são proibidos – exceto cão-guia, uma péssima notícia para o pessoal daqui, que vai com seus animais de estimação pra todo lugar. Quem for até o local de bicicleta, roller, skate, vai ter que deixar o veículo do lado de fora. Mas isso não é um problema, já que passear com calma, olhar todas aquelas plantinhas ou dar uma sentadinha na grama é o que você certamente vai querer fazer.

É muito fofo ver o cuidado que os universitários/professores tem com o local, mesmo quem não entende nada sobre plantas (Eu!) se impressiona. Plantas à parte, o local proporciona um bom lugar pra leitura, meditação, “fotossintese” (hehe), brincadeiras de crianças, namorico e etc…, principalmente quando o sol está brilhando.

Dentro do grande parque há uma cafeteria, que pertence à universidade, mas é aberto ao público. O horário de funcionamento é das 9:00 as 17:00, menos sábado que abre as 10:30. O almoço é serviço das 11:30 as 13:30, porém se quiser achar um lugar pra sentar é melhor ir depois das 12:30.

Vai dizer que não é uma delícia esse lugar? Super perto de casa. Uma boa opção pra um domingo a tarde.

O entedeço do Jardim Botânico da Universidade é: Zollikerstrasse 107 – 8008 Zürich. Se for fazer uma visita, me convida! 😉

Os horários de abertura são:

De Março à Setembro: Segunda à Sexta, das 7:00 as 19:00. Sabado e Domingo, das 8:00 as 18:00.

De Outubro à Fevereiro: Segunda à Sexta. das 8:00 as 18:00. Sábado e Domingo, das 8:00 das 17:00.

Para chegar até lá você pode pegar o Tram número 11 e parar em “Hegibachplatz” ou número 2 ou 4 e parar em “Höschgasse” ou o ônibus número 33 na parada “Botanischer Garten”.

Bom passeio!


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