03 fev 2016

Um bate papo do lado de cá

Oi pai, há quanto tempo a gente não senta pra conversar né?

 

Faz assim, vai ligando a churrasqueira pra fazer aquela costelinha que eu adoro. Eu vou abrir um latinha de cerveja pra nós dois. Por que olha, senta que la vem história. Lembra quando eu era “vegetariana”, mas comia sempre costelinha de porco que tu fazias? Não tem uma vez que não coma costela e não me lembre disso! Eu sempre inventando moda ne? Continuo a mesma. Muita coisa aconteceu desde a última vez que nos vimos, mais de 3 anos atrás.

Enquanto tu estavas no hospital, naquele período que tu não me via mais, eu escrevi algumas anotações para, caso tu saísse do hospital, eu pudesse te contar o que aconteceu. Infelizmente tu não saiu e as anotações ficaram pra traz, mas eu eu vou contar tudo agora. Saúde! Ta geladinha ne?  

Foi assim, numa ligação cedo pela manhã que descobrimos que tu tinha partido. Logo liguei pro Amir pra contar, e nós dois choramos muito. Tu me perguntava todos os dias no hospital quando ele chegava, mas infelizmente ele não chegou a tempo de dizer adeus. Ele chegou uns dias depois, não me lembro quando. Logo chegou o carnaval e meu aniversário. No meu aniversário não me lembro o que fizemos, mas no carnaval fomos ao bloco dos sujos. O amir descoloriu o cabelo e ficou muito engraçado e não é que a gente se divertiu naquele dia? Mesmo com toda a loucura que estava nossas vidas, bebemos e rimos bastante.

Ta bom, ta bom, ja sei o que tu queres me perguntar. Sim! Tomei conta de tudo, da pensão da mãe, das tuas contas bancarias e das matriculas das crianças na escola. Olha não foi fácil viu? A cada lugar que ia pra resolver uma coisa burocrática, eu me lembrava o porquê estava fazendo tudo aquilo. Mas a única coisa que me passava pela cabeça era fazer tudo exatamente do jeito que tu querias. Nao tinha tempo pra pensar muito. É que tu ainda estavas tão vivo… sei la. Na missa de sétimo dia uma mulher veio falar comigo e perguntou se eu era a Karina, eu disse que sim e ela me abraçou e falou algo como “Milagres acontece, ele quer que tu saibas que ele está bem”. E umas semanas antes eu tinha escrito esse texto aqui, podes ler depois. Mas não vou me prolongar nessa fase, afinal, ainda tem muito o que contar.

Logo depois fui pra Argentina, lembra que o Amir tinha intercâmbio la e ja estava tudo programado pra irmos em Março? Fomos. Foi horrível, horrível. Nada daquilo fazia sentido, afinal ninguém tinha perdido o pai e todos estavam em clima de festa, muita festa. Eu fui, por que sabia que a vida continuava, e fazer as coisas normais que estavam planejadas era minha melhor opção de seguir em frente. E naquela época eu pensava que o melhor era ficar ao lado de quem escolhi dividir minha vida. Inocência minha. Não vou dizer que ele não me ajudava em nada, mas naquele momento era mais importante pra ele pensar nos planejamentos dele. Na verdade tu vais entender mais pra frente sobre isso. Além do mais eu tinha que ouvir dos amigos coisas do tipo “por que tu estás aqui? Deixa ele aproveitar com os amigos”. É, sem comentários. Ele ouvia tudo e não falava nada. Eu me defendia com agressividade, tu me conheces, mas ele achava que eu provocava alguns situações então não tinha necessidade de me defender.  Enfim, houve muito mais disso, mas nem quero me extender nesse tema.

Passei algumas semanas em Buenos Aires e voltei pra casa da mãe. Não fazia sentido estar no meio de festas, mulheres que não tinham nada  ver comigo e drogas. Nunca precisei disso pra fugir de nada, não era naquela hora que eu precisaria. Falei pro Amir que iria voltar, ele preferiu ficar. O tempo passou e logo chegou o casamento da Bárbara, que tu serias padrinho, lembra? O Pedro entrou com a mãe. A Bárbara entrou na igreja com uma foto tua no buquê, uma coisa linda, mas também foi doido. A festa foi incrível, linda, feliz. Todos nós nos divertimos muito, a familia toda junta. Uma das coisas mais lindas de se ver. Todos os homens ficaram bêbados e deram um show no final. Que engraçado. Sim, o Amir estava comigo. Peraí, vou pegar outra latinha pra gente. Quanto tempo não ficávamos assim sozinhos em casa conversando, ein? Eu sei que tu tens o maior orgulho de me ver fazendo minha vida, e eu continuo, viu?  

Em agosto voltamos pra Suiça, eu e o Amir. E ai foi o meu período de readaptação. Lembrar o porquê eu saí da suíça e voltar a rotina sendo infeliz não foi uma tarefa fácil. Desculpa se isso te deixa triste, mas tenho que te contar que nesse momento eu ja tinha esquecido o que era ser feliz. Hoje eu vejo que meu olhos não tinham vida naquela época, mas aos poucos estão voltando a brilhar. Mas eu fiquei firme e forte, e acredita quem foi me visitar no final do ano? A maluca da Mayara e o namorado dela na época. Podes imaginar o quanto rimos né? Ela continua a mesma, sempre com uma história nova e engraçada pra contar. Mas não foi só essa a visita ilustre. O pedro também foi me visitar! Passar o final do ano com ele na Suíça foi uma experiência e tanto.

Falando no Pedro, enquanto tu estavas no hospital e logo depois que tu partiu, ele não aceitava muito bem as coisas, saia bastante à noite. Era a válvula de escape dele, acredito eu. Acho que nessa época ele começou a ter o Amir como uma referencia masculina. Eles iam pra academia juntos e o pedro começou a ir com mais frequência, tanto que hoje ele quer estudar educação física. Foi quando o Pedro estava la em casa que eu comecei a perceber umas coisas no meu relacionamento que me deixava tão triste. Ah pai, ainda tenho tantas coisas pra te contar sobre meu relacionamento. Desculpa, mas vou ter que te decepcionar em relação a uma pessoa que tinhas um enorme carinho. Eu queria muito levar o Pedro pra esquiar, afinal eu NUNCA tinha ido também. Uma amiga ofereceu uma casa nos alpes pra gente passar o final de semana, e seria logo depois do Amir terminar as provas da faculdade. Mas ele falou que não ia, que odiava neve e depois que as provas acabassem ele queria sair pra beber com os amigos. Foi a primeira ‘facada’ que eu senti. Doeu, doeu mais por que eu sabia que o pedro queria tanto, e principalmente, queria a companhia dele. Tudo bem, não fomos pra essa casa, mas eu comprei tickets pra mim e pro pedro e fomos nós dois e mais uns amigos passar o dia num estação de esqui. Que divertido! Claro, obvio que caímos, o que tu achas? Ainda com o pedro la em Zurique, no dia 8 de janeiro fomos ao lago, compramos flores brancas e jogamos pra ti. Tu recebeu? Durante muito tempo eu olhava pro lago e só te via la, feliz da vida nadando e fazendo planos pra voltar e nadar mais. Verão passado foi bem quente e aproveitei bastante por ti.  

Nossa, estavas com saudade de uma Bohemia gelada, ein? Vou abrir mais uma.   Mas voltando ao assunto… A vida continuou em Zurique, mas sem a mesma graça. Ah, logo que voltei pra Suíça conheci um grupo de brasileiros/suíços muito legais, somos amigos até hoje e nos intitulamos de Os Suíçados. Eram todos casais jovens como eu e o Amir, e eu me sentia tão bem em finalmente ter amigos casais para dividir outras experiências. Afinal os amigos do Amir, poucos tem namoradas, e os que têm nunca levam elas as festas. Por mais que eu tivesse esses amigos, um emprego melhor… Ah, isso, eu não cuido mais daquelas crianças. Eu trabalho na empresa do pai de uns amigos, e o trabalho é bem melhor agora. Só que foi nessa época que eu comecei a ficar insegura com tudo. Eu não tinha certeza de mim, não tinha certeza do meu relacionamento e muito menos da vida. Eu comecei a ter medo de perder tudo. Nossa, como é ruim lembrar dessa fase, foi tão difícil, pai. E a pessoa com que eu mais contava era a mais distante de mim. Por que tu sabes, não basta estar do lado pra estar junto, não é mesmo? Mas sempre que a gente conversava ele me dizia que se a gente continuasse junto tudo estaria bem. Inocência minha, no final descobri que se a gente continuasse junto, ai é que tudo estaria mal. E ficou mal, muito mal. Não, eu não vou chorar.  

As coisas estavam ruins, tudo muito estranho e tudo que eu mais queria na minha vida era ter um lugar pra mim, um cantinho sabe? E claro, que eu pensava no meu cantinho com o Amir, nada mais obvio. Ele me dizia “sim, vamos ver isso ai”. Até que um dia eu não aguentei e sai pra passear com ele, e aos prantos eu disse “eu não seu quanto a você, mas eu preciso do meu espaço, se você não for, eu vou sozinha” e ele me disse “enquanto a gente continuar juntos, tudo vai ficar bem. A gente vai procurar nosso canto junto”. E eu senti que ele estava nessa comigo. Aliás, me ver aos prantos falando que quero meu espaço foi o que ele mais viu nos ultimos anos. Sim, nos últimos anos. Era a única coisa que eu pedia pra ele. Mas se eu te contar tudo em detalhes vamos ficar aqui por três dias. Logo depois disso a mãe veio me visitar com a tia madrinha, enquanto o Amir ia viajar com aqueles amigos que ele viaja todo ano. Eu sinto muito por essas ferias delas, por que foi uma época tão triste, tão abafada. Antes de ir viajar o Amir me escreveu que era uma sensação estranha partir, que ja estava com saudades e não via a hora de voltar e começar nossa vida sozinhos, finalmente. A verdade é que ele voltou depois de duas semanas e não queria mais nada daquilo. Não queria estar casado, não se sentia “ele mesmo” do meu lado e mais um montão de coisas que não vale a pena contar. Ai eu li sem querer um bilhete no celular dele dizendo que ele não podia sacrificar a vida dele por alguém, e eu me lembrei que tu pediu, enquanto estava no hospital, pra ele cuidar de mim. Eu nunca desejei ser sacrifício pra ninguém. Mas enfim, eu também falei que não estava feliz, e que a vida de casada também estava pesada pra mim. Ainda bem que a mãe estava do meu lado.

Os dois concordaram que iriamos dar um tempo, mas que um ainda queria o outro. Foi ai que começou uma onda de vai e vem que me deixou doente, psicologicamente falando. Descobri meu ponto fraco, meu “calcanhar de Aquiles”. Nessas idas e vindas dele, de “te quero” e “não tenho certeza”, a mãe so dizia: Minha filha, depois de tudo isso sabe o que o teu pai falaria? Manda esse suíço tomar no c*. Verdade? Putz, Sabia que ela estava certa. Mas a verdade é que eu perdi todas as changes de fazer isso. Todas, tanto que no final de tudo não valia mais nem a pena mandar tomar naquele lugar, foi mais um “tanto faz, também ja estou de saída”. Não, nao se preocupa, não dependo financeiramente dele, como nunca dependi. Encontrei pessoas a fim de ajudar sem nada em troca. Na vida é assim, a gente sempre se surpreende com as pessoas, tanto pro bem como pro mal. O ápice de tudo? Não, essa eu te conto depois, mas posso te garantir que respeito foi pros ares, talvez nunca tivesse existido e eu que me iludi, achando que tinha algo dentro do saco. No final descobri que o saco sempre esteve vazio, era eu que fazia volume nele.  

Mas vamos falar de quem vale, e muito, a pena. Pai? Ta me escutando? Ah bom, sempre com essa mania de ‘desligar’ de vez em quando né? Eu sei que eu falo demais, mas poxa vida, faz tempo. Muita coisa aconteceu. A mãe continua batalhadora e uma mãe presente, como sempre. Ela é incrivelmente forte, e hoje eu entendo por que tu se apaixonou por ela e viveu 25 anos ao lado dela. Com a idade a gente aprende a ver as pessoas e coisas por um outro ângulo, e hoje, com meus problemas de mulher adulta, eu a entendo muito mais.  

A Maria começou a namorar o Gabriel logo depois que tu se foi. Sim, anjo Gabriel. Alias, foi que mandou ele? Tu não acreditas, ele é parceiro de todos, ajuda a mãe, conversa com ela e a acompanha no Giassi. Me diz, quem tem paciência de ir ao mercado com a mae? Ele tem.   O Pedro virou um homem lindo, calmo como sempre. Mas tem que ser calmo mesmo no meio da mulherada toda. As vezes ele faz alguma coisa, um gesto, que parece que estou te vendo na minha frente, é impressionante. E recentemente ele encontrou a primeira Paulinha da vida dele. Tu perguntava sempre “Pedro, quando tu vais apresentar uma Paulinha pra gente?”. O nome dela é Leticia.   A Victoria ta uma mocinha linda. Se tu me achavas difícil, espera pra ve-la. 3 vezes pior. Respondona, mas a mais carinhosa da casa. Ela vem com aquela mão pesada, agarra meu rosto e diz ” é linda né?” Linda é ela, nosso eterno bebe.  

A rotina da casa é a de sempre, mas hoje como tu, eu também sou visita e fico só observando. A Deia veio morar com eles, e o Lupi veio junto. Não posso esquecer da Wendy, que só dorme pelos cantos. O pedro quieto no Ipad, a Maria e a Victoria brigando por algo bobo e a mãe na cozinha sempre preparando algo delicioso. Falando em delicioso,  a costelinha ja esta quase pronta.   Antes de comer, vamos dar uma volta pela casa, quase nada mudou mas deves estar com saudades. Já deu pra perceber que aqui fora tudo continua igual né? Continuamos a sentar ao redor da mesa e nas cadeiras que fizestes com tanto carinho.   Espera aí na porta, vou abrir mais uma latinha de cerveja. Vamos acabar bêbados. E não seria a primeira vez.   Agora vem. Entra. Ainda tenho tanto pra te contar…


29 jun 2012

1 ano de Suíça

Um ano atrás eu cheguei na Suíça. Um ano atrás eu deixei tudo e todos sem olhar pra trás! Eram um momento de tristeza e alegria. De despedida e reencontro! Mas uma coisa eu nunca senti: medo. Nem por um instante! Cheguei aqui num dia quente, com duas malas na mão e o coração cheio de coragem. Só.

Nesse um ano muita coisa aconteceu. Me casei, viajei, conheci muita gente e aprendi uma língua nova.

Se foi tudo mil maravilhas? Nem de longe! Me casei longe da minha família e dos meus amigos, senti muita saudade de casa, pensei por alguns instantes em desistir e me senti triste algumas vezes.

Mas, eu faria TUDO DE NOVO de olhos fechados, como fiz há um ano. Felicidade não  tem preço e lutar pela própria felicidade é a maior satisfação do mundo. Que venham mais um, dois, 10 anos de novas experiências, e se Deus quiser, do lado do homem que eu amo.

E a saudade continua!


13 maio 2012

Dia das mães

Amélia pode até ser a mulher de verdade, mas a MÃE de verdade é essa aí!

Melhor representação do que a minha mãe é não há. Parabéns aos dois homens da minha vida pela ideia e criação do painel!


11 abr 2012

Decola, por favor, decola!

– Decola, eu pensava. Decola! Sai do chão o mais rápido possível.
Rápido, por favor! Mas o caminho percorrido pelo avião até decolar me torturava, bem aos poucos. A cada vez que pedacinhos do aeroporto iam aparcendo e desaparecedo na minha janelinha a ansiedade misturada com melancolia aumentava. Decola, por favor decola. Eu queria voltar pra casa mas nao queria ir embora… de casa?

Até que o avião decolou e aos poucos tudo ia ficando mais longe, mas a dor não diminuía. Olhando pela janela e vendo a pequena ilha ficar ainda mais pequena eu chorava mais. Como no carnaval ninguém sai de Floripa o avião estava praticamente vazio, favorecendo meu choro inconsolável sem o olhar de curiosos.

Após uma hora de choro o avião voltou ao solo, fazendo com que eu juntasse todas as minhas forças e parasse com o drama, já que eu precisava correr para o check-in do próximo voo, do qual eu já estava atrasada.

Mais um voo e mais um pedido desesperado: Decola, mais uma vez, por favor! São Paula ainda é perto de “casa” mas voltar não era uma opção, então eu só queria chegar em Zurique o mais rápido possível, retomar minha rotina e ver se a angustia passava. Ao decolar, veio a certeza de que eu estava mesmo deixando o Brasil, e eu já não sabia mais o que sentir. Mas eu tive que dar aquela respirada e dizer pra mim mesma, num tom de ordem: “Chega! Tudo tem que continuar.” E assim eu engoli o choro e coloquei os bons momentos lá na caixinha da memória, mesmo que isso me fizesse sentir um vazio inexplicável.

E continuei, obedecendo minhas próprias ordens, pois se tem alguém que jamais desobedeço, é a mim mesma.


23 mar 2012

Breve visita ao Brasil

Algumas fotos da minha breve, muy breve, viagem ao Brasil:

Depois da minha família, uma das minhas grandes expectativas era a comida. Meu deus como eu senti falta da comida da minha mãe! Comida caseira, churrasco e sushi era tudo que eu queria!

Olha aí alguns dos meus amores! As meninas no sushi, minha mais que fofa cachorra Wendy, a familía reunida com as caixas de chococate suíço e o pessoal que foi me buscar no aeroporto, já que o dia que eu cheguei foi uma surpresa pra minha família. Tá faltando o Cadu nessas fotos!

Como por aqui tudo é caro, inclusive ir ao salão de beleza, eu deixei pra fazer tudo que queria no Brasil. Meu cabelo tava preto, então decidi fazer umas luzes pra clarear. Luzes feitas, eu achei que era pouco e quis pintar. Resultado? Uma m*rda! Como meu cabelo tinha um pedaço virgem na raiz, a cor clara pegou somente nessa parte, me deixando com cara de p*ta pobre. Socorro! Lá fui eu de novo pintar da mesma cor que tava quando eu cheguei. E por fim, meu retoque de alisamento que foi tão mal feito no salão da Cotirô que eu sinto raiva até hoje! Ou seja, dinheiro jogado no lixo!

A minha primeira marquinha de aliança na mão esquerda! Fofo.

E como era meu aniversário eu me dei de presenta uma melissa. Não vejo a hora de chegar o verão por aqui pra me exibir com meu produto brasileiro! E como pode uma pessoa ser casada com uma brasileira e não ter Havaianas? Comprei pro Amir essa que brilha no escuro, já que aquela com bandeirinha do Brasil todo mundo tem por aqui. Ganhei de aniversário um jogo de taças de cristal feito a mão lindíssimo, mas não pude trazer, pois iriam quebrar.

Aproveitei pra visitar um lugar que frequentei minha vida toda: Alesc. Foi muito bom rever as pessoas com quem eu trabalhei por tanto tempo. E a parte mais difícil foi deixar Floripa, pois isso significa deixar muita coisa! Mas isso é assunto pra outro post! 😉


06 mar 2012

Gravatal

Quando eu era adolescente e minha mãe dizia que iríamos à gravatal, ahhh que raiva me dava. Pra mim aquele era um dos lugares menos interessantes na face da terra. Não tinha ninguém da minha idade, nada pra fazer e um calor ou frio muito chato. Até ja escrevi sobre Gravatal aqui, de um jeito mais humorado, hoje é de um jeito nostálgico.

Hoje eu sinto muita falta de ir até aquela cidade pequena e simples. Saudade de comer uma rosca com nata no café, de ir à missa com a vó, saudade de visitar um parente distante, enfim, aquela coisa mesmo de sentir falta quando se está longe.

Gravatal pode estar há muitos e muitos quilômetros de distância de mim, mas sempre na memória. É a cidade que eu nasci e vivi minha infância, e isso marca pra sempre! Fazendo uma leve análise sobre as coisas que me lembram da cidade, eu penso primeiro em quão forte era a religiosidade (não sei se ainda é). Lembro-me das crentes (como chamávamos aquelas mulheres de saia e cabelo longos) e das senhoras indo à igreja aos domingos. Felizmente, fui a muita missa com a minha família, daquelas longas e coreografadas, quando parece que o padre não vai parar de falar nunca!

E quando não tem nada pra fazer? Passear em Termas do Gravatal é a saída. Muitas lojas, muitas malharias e sempre um gringo (argentino) ou gaúcho fazendo compras. E sair pra jantar em Gravatal é com certeza ir nas Termas. Passear uma tarde por lá e ver as pessoas que você “conhece” desde criança ficando mais velhas e criando família dá uma sensação inexplicavelmente aconchegante.

Mas se o dia está lindo e você já foi a igreja e já passeou nas Termas, a melhor ideia é visitar as mini cidades ao redor, como São Roque. Passar por aquelas casas simples e não imaginar como alguém pode viver daquele jeito e ao mesmo tempo se impressionar com a riqueza natural, é aprender a dar valor a outras coisas. Nada melhor como um lugar calmo e silencioso pra por a mente em ordem, não?

Pena que o tempo passa e tudo muda. Hoje quando vou a Gravatal nada é mais como na minha memória. Mas a vida é assim mesmo, já dizia o sábio: “Nada é permanente, senão a mudança“. (Heráclito). O importante é guardar bem guardadinho, na caixinha da memória tudo de bom adquirido na vida.

Bom, deixa eu ir que sessões de nostalgia me deixam filosófica demais!

ps: Estrelando: casaquinhos de lã feitas pela vó!


27 fev 2012

De volta à terra do chocolate

No Brasil o ano só começa depois da semana que termina o carnaval, não é mesmo? E como meu blog não tem nada de suíço, cá estou pra um recomeço.
Depois de 2 semanas no Brasil, estou de volta. Antes de viajar, achei que o retorno me deixaria com as “baterias carregadas”, mas o efeito foi o contrário. Voltar pra Suíça e deixar minha família no Brasil foi mais difícil que deixá-los, definitivamente, 8 meses atrás. A “readaptação” foi mais cruel que eu esperava e me desconectar de lá e voltar a realidade foi duro. Mas isso é assunto para um outro dia.

Tudo está bem e eu estou de volta às aulas de alemão, o que me dá um “gás” e a empolgação que eu precisava.

Vamo que vamo que o mundo não pára pra escutar nossas lamúrias, certo?


18 jan 2012

Teatro + Chocolate

Sabe aquela sobra que liga dizendo que reservou (e pagou) uma mesa num restaurante pra mim e pro meu marido? Então, essa é a minha. É jantar, passeio, teatro e por aí vai. Um tempo atrás ela ligou pro Amir fazendo um convite: teatro a céu aberto. Ela havia comprado ingresso pra toda a família. Eu fiquei pesando “teatro ao ar livre nesse frio?”, mas de qualquer maneira estava super ansiosa. O Amir tinha me contato que a companhia de teatro é super interessante e viaja por todo o país.

Fomos um pouco cedo, pois combinamos de jantar todos juntos. Eu me preparei com uma meia calça de lã sob uma legging de veludo, alguns casados, uma big jaqueta e um cobertor.

Como o pessoal do teatro está sempre mudando de lugar, tudo é preparado para a temporada de espetáculos. Tudo mesmo, do banheiro ao restaurante, já que eles se alojam em um terreno vazio. A organização e capricho são impressionantes. Logo que  soube que tinha carne de panela, tive certeza que seria meu menu. Saudades.

Depois de bem alimentados fomos para a fila, que por sinal estava enorme. Eu não tinha a menor ideia do que estava por vir, e quando os portões se abriram e a caminhada se estendeu por alguns minutos, fiquei mais intrigada ainda. Era um caminho estreito e em meio à mata. Até que chegamos e nos sentamos ao redor do picadeiro. Todos bem agasalhados e com seus cobertores. Coisa fofa!

O apresentador do espetáculo apareceu, explicou o que podia e não podia (tirar fotos com flash e fazer vídeos) e deu início ao show! Como a história se passava numa fábrica de chocolate com empregados de vários lugares da Europa, o show se deu boa parte em alemão, e não no dialeto suíço-alemão. Ou seja, pude entender muitas vezes as piadas. O que eu não entendia o Amir traduzia baixinho no meu ouvido, até que um velho chato e rabugento atrás da gente se irritou e pediu pra fazer silêncio.

No final todos receberam chocolates da Fabrikk – nome da companhia. Saí emocionada com todo o pirotecnismo do espetáculo. O final foi realmente surpreendente. Não era permitido filmar, mas ops… eu filmei!

Resumo: uma fábrica de chocolates falida que vende o negócio pra a China. Sente só como os chineses levam a fabrica:

Haja coragem pra enfrentar a água gelada viu?


10 nov 2011

Bolinho rápido e saudável!

Lembram do post Moleskine Recipe Journal? Lembram que eu falei que meu caderno está cheio de receitas de bolos saudáveis? Então, estou fissurada nos bolinhos de banana versão light. Eu ADORO os bolinhos que a minha mãe faz pra comer no final de tarde com café. Ai saudade. Porém minha mãe faz eles fritos, e fica, obviamente, uma delícia, mas é pra comer uma vez ou outra. Eu não fiquei satisfeita em não comer bolinhos de banana e fui atras de uma versão light. Encontrei em vários sites de alimentação/fitness, como o da Dani Tamega (adoro). Eu decidi cortar alguns ingredientes e fazê-los da maneira mais simples e rápida possível. Querem saber como eu faço essas delicinhas? Mais antigo simples que andar pra frente:

  • clara de ovo (eu não uso as gemas pra nada!)
  • Farinha de aveia (eu compro a aveia em flocos e trituro no liquidificador)
  • Banana amassada (tamanho e tipo da banana você escolhe)

Eu prefiro não colocar as quantidades porque eu faço à olho mesmo. E também porque estou sempre experimentando, e as vezes faço mais líquida, outras mais dura. Mas minha base é: uma clara, +- duas colheres da farinha de aveia e uma banana. A partir daí você acha o ponto! Como eu uso panela anti-aderente não há necessidade de usar óleo, mas nos finais de semana uso o óleo pra dar a impressão de fritos. Eu uso o óleo de oliva sempre, mas vou comprar e experimentar o óleo de coco pra receitas doces, dizem que é bom e saudável!

Ótima ideia para o café da manhã, já que é a refeição que você pode comer mais livre, sem o medo de engordar. En guete!


26 ago 2011

E o sonho vai virar realidade

Então amigos e curiosos famintos de informação sobre meu casamento! Finalmente cá estou pra contar tudinho. Eu queria ter feito um post antes pra contar sobre os preparativos e tal, mas foi tudo muito corrido, porém no final deu tudo certo. Quando vim pra Suíça, eu achava que o casamento seria super formal, só eu e o Amir, as testemunhas, um juiz e os papéis. Mas o “estado” faz tudo em salas especiais e específicas para casamentos, e que varia de tamanho e sofisticação, variando também o preço. Como não tínhamos muitos convidados, já que foi marcado para as 11h15 da manhã, escolhemos a menor sala. O nervosismo era grande, olha a cara de nervosa aqui embaixo. “Gente to casando! Para tudo, é isso mesmo? Confirma produção?”

Sexta-feira, onze e meia da manhã é bem provável que as pessoas estejam trabalhando né? Mas alguns amigos desempregados fofos fizeram questão de participar da cerimônia.

A cerimônia foi uma graça! Demorou mais do que o normal, porque foi toda realizada em alemão e português (exigência deles). O juiz foi super simpático desde o início de tudo, quando nos conhecemos para realizar a entrevista e oficializar o noivado. Ele falou dos símbolos presentes naquela sala, como: o tampão da mesa mais oval, tentando parecer um barco, ou seja, mesmo com mar agitado e algumas tempestades, o casal deve manter o barco em pé; uma obra de arte moderna na parede, tentando parecer asas, ou seja, na percepção do juiz significa que cada um de nós tem uma asa, ou seja, só é possível alcançar vôos altos quando juntos estivermos. Depois, ele leu um poema sobre felicidade, deu alguns conselhos muito sábios, lembrou que nos dias de hoje, em um casamento, o homem e a mulher têm os mesmos direitos e deveres. E falou outras coisas muito lindas, mas que agora eu não lembro.E depois de muita coisa romântica, chegou a hora das coisas práticas e formais. Mas como a cerimônia estava sendo realizada em duas línguas, a coisa meio que se perdeu. Vou explicar: o juiz perguntou pro Amir “você quer contrair matrimônio com a Karina….?” Daí a tradutora traduziu (exigência do juiz que tudo fosse traduzido). E o Amir não respondeu, não deu tempo, pois logo em seguida o juiz fez a pergunta pra mim.  E como de praxe, a tradutora traduziu a pergunta. E eu fui obrigada a perguntar “é agora que eu digo sim? Posso dizer sim?” (haha). Eu disse “sim”, o Amir disse “ja”, daí a tradutora traduziu meu “sim” pra “ja”, daí eu disse “ja” só pra descontrair, daí o juiz começou a rir dizendo “sim” e “ja”, e olha só a bagunça que se formou! Foi aí que, nesse momento de distração, o juiz nos declarou casados e pediu o beijo dos noivos.

Já casados, sentamos de novo pra ouvir as últimas palavras do juiz. O Amir apertava a minha mão tão forte que doía. Olha na foto abaixo ele agarrando meus finos dedos. Durante a semana, quando eu me encontrava com as meninas, elas sempre davam um jeito de me excluir só pra planejar as brincadeiras do casamento. Elas prepararam arroz e flores pra jogar nos novos. Achei muito fofo! Mas as brincadeiras ainda estavam por vir…Depois da cerimônia todo mundo estava meio tonto, sem se dar conta do que tinha acontecido. Os amigos não conseguiam acreditar que estavam no primeiro casamento do grupo, e a pra nós dois, a ficha ainda não tinha caído. E começamos a beber ali mesmo, na frente da “capela”.Fotos com os amigos, a família, os padrinhos e de novo com alguns amigos e família e e e já não conseguia mais sorrir. Mas o dia estava perfeito!Todo mundo com a barriga roncando, fomos para um restaurante maravilhoso! No topo da cidade, comida divina, atendimento divino e vista divina. Só faltou a minha família. Foi aí que o coração começou a apertar e liguei pros meus pais. O telefone tocou uma vez e eu já comecei a chorar. Meu pai atendeu e eu não conseguia mais falar nada. Desde a noite anterior ao casamento eu estava meio melancólica pelo fato de não te-los comigo. Mas foi meu único momento de drama, o resto foi só alegria. Mas tinha alguém que não parava de chorar e me beijar o dia todo: a sogra.  Depois o almoço e todo o nervosismo era hora de relaxar. Pois é, mas não deu tempo. A lua de mel era em dois dias e NADA estava marcado. Fomos agendar voo e hotel e voltamos pra casa pra organizar a festa com os amigos. 19 horas o pessoal começou a chegar. Ao todo foram seis meninas para um bando de marmanjos. Quem quiser dar uma checada nos garotos fiquem à vontade pra clicar na foto e aumentar (haha)  ;P

Após todos comidos e bebidos, começaram as brincadeiras. Primeiro a explicação: foi arrecadado dinheiro de todos os convidados para a festa, inclusive dos ausentes, e cada brincadeira correta vale 10 francos. 1. Vocês tem três minutos para colocar o máximo de roupas do outro. Taí o resultado. Cada peça de roupa valia 10 francos. Tiveram outras brincadeiras, como adivinhar qual era a panturrilha do Amir, com os olhos vendados. E não é que eu acertei! Teve também um questionário super embaraçoso com perguntas sobre nosso relacionamento. Teve amigos fazendo strip-tease pra mim, garotas fazendo declaração de amir pro Amir. Enfim, a noite foi muito divertida. E conforme a tradição na Suíça, a noiva deve usar um item velho, um item de pérola e um item azul. E as meninas providenciaram um item azul pra mim. Gente, na hora do meu buquê, teve muita competição! haha As seis garotas da festa disfarçando o interesse em ser a próxima, na primeira foto!A noite foi chegando, o alcool falando mais alto, os ânimos se alterando… Hora da brincadeira da laranja.Os amigos do Amir não paravam de comentar como a noite estava boa. Todos estavam felizes por nós. E eles estavam certos, pois a noite estava boa demais!
Fim das brincadeiras. Dinheiro contado! As meninas e organizadoras da diversão explicaram que foi coletado dinheiro de todos, e até os que não puderam participar da festa fizeram questão de mandar a contribuição. No final, ficamos assustados com a quantidade de dinheiro. Foi um casamento fora dos padrões. Pelo menos pra mim, sendo brasileira e acostumada com as festa de casamento em grande estilo. A grande festa no Brasil ainda virá, mas a alegria desse dia eu jamais vou esquecer. Eu sempre soube que sou um pouco fora dos padrões, mas nunca imaginei tanto. Mas também nunca imaginei tanta felicidade.

Mas muita felicidade e contentamento, trazem também exaustão e eu deixei minha própria festa à la francesa. Ainda tinha muita gente festejando com o noivo, e a noiva estava quase dormindo em pé.

Foi um dia especial e eu queria dividir essa história aqui com vocês, mesmo que através das minhas palavras apenas. “… e leve o tempo que levar, eu sei que eu encontrarei a felicidade…”

Já me sinto além do arco-íris.


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