19 maio 2017

Ela só quer…

Ela queria o conforto de alguém. Alguém que se sentisse confortável do lado dela.
Ela queria alguém que pudesse impressionar.
Ela queria que ele tivesse pegada forte. Eu disse forte.
Ela queria sair pra jantar e dar risadas.
Ela queria alguém que tirasse sua roupa lentamente e cultuasse seu corpo, em olhares e palavras.
Ela queria alguém que chegasse com ela na festa cheio de orgulho.
Ela queria alguém que a fizesse esquecer de tudo em poucos minutos de toque.
Ela se abriu pra vida e teve tudo isso.

Por que ela ainda procura?


12 maio 2016

Sinal Verde

Por que você, cego de tanto egoísmo não conseguia ver um palmo a frente do seu nariz. Eu estava bem ali.

Pisou no meu pé algumas vezes alegando não saber direito o caminho. Eu saia da frente, pra que o enxergasse melhor, mas ele dizia que seguia melhor comigo.

Os leves pisões doíam um pouco, porém eles fazem parte da longa caminhada, pensava eu. Então eu me mantive um pouco distante, aproveitando a visão de um novo horizonte. A esperança era que no final da rua os caminhos de encontrassem de novo.

Era interessante seguir um caminho diferente e não levar leves empurrões, mas eu voltava, pois achava que aquele era o caminho apropriado, ou pelos menos era, com certeza, a rota planejada. E a rota até então tinha sido planejada pelos dois.

Me atropelou sem dó, e depois voltou pra dizer que não tinha me visto.

Quando eu estava melhor do tombo, me atropelou de novo, dizendo não ter certeza se era eu mesma – que estava na frente.     A dor ja não era mais dos tombos e tropeços.

E assim eu me perdi e esqueci quem era mesmo que causava toda a dor e entrei num labirinto. Mas o labirinto tinha uma rota, só que desta vez, planejada somente por ele. E eu segui, sem saber direito porque.

Um belo dia de sol, meses após ter conseguido – finalmente – sair do labirinto, estamos juntos dentro do carro no sinal vermelho.

Não foi certo ter me atropelado tantas vezes em nome da sua própria loucura.

Quem mandou ter seguido junto a mim depois do primeiro pisão no pé.

 

Sinal verde, podemos seguir.

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Entre um sinal e outro, uma infinidade de palavras não ditas. Entre a lua e aqui, uma infinidade de mentiras.

03 fev 2016

Um bate papo do lado de cá

Oi pai, há quanto tempo a gente não senta pra conversar né?

 

Faz assim, vai ligando a churrasqueira pra fazer aquela costelinha que eu adoro. Eu vou abrir um latinha de cerveja pra nós dois. Por que olha, senta que la vem história. Lembra quando eu era “vegetariana”, mas comia sempre costelinha de porco que tu fazias? Não tem uma vez que não coma costela e não me lembre disso! Eu sempre inventando moda ne? Continuo a mesma. Muita coisa aconteceu desde a última vez que nos vimos, mais de 3 anos atrás.

Enquanto tu estavas no hospital, naquele período que tu não me via mais, eu escrevi algumas anotações para, caso tu saísse do hospital, eu pudesse te contar o que aconteceu. Infelizmente tu não saiu e as anotações ficaram pra traz, mas eu eu vou contar tudo agora. Saúde! Ta geladinha ne?  

Foi assim, numa ligação cedo pela manhã que descobrimos que tu tinha partido. Logo liguei pro Amir pra contar, e nós dois choramos muito. Tu me perguntava todos os dias no hospital quando ele chegava, mas infelizmente ele não chegou a tempo de dizer adeus. Ele chegou uns dias depois, não me lembro quando. Logo chegou o carnaval e meu aniversário. No meu aniversário não me lembro o que fizemos, mas no carnaval fomos ao bloco dos sujos. O amir descoloriu o cabelo e ficou muito engraçado e não é que a gente se divertiu naquele dia? Mesmo com toda a loucura que estava nossas vidas, bebemos e rimos bastante.

Ta bom, ta bom, ja sei o que tu queres me perguntar. Sim! Tomei conta de tudo, da pensão da mãe, das tuas contas bancarias e das matriculas das crianças na escola. Olha não foi fácil viu? A cada lugar que ia pra resolver uma coisa burocrática, eu me lembrava o porquê estava fazendo tudo aquilo. Mas a única coisa que me passava pela cabeça era fazer tudo exatamente do jeito que tu querias. Nao tinha tempo pra pensar muito. É que tu ainda estavas tão vivo… sei la. Na missa de sétimo dia uma mulher veio falar comigo e perguntou se eu era a Karina, eu disse que sim e ela me abraçou e falou algo como “Milagres acontece, ele quer que tu saibas que ele está bem”. E umas semanas antes eu tinha escrito esse texto aqui, podes ler depois. Mas não vou me prolongar nessa fase, afinal, ainda tem muito o que contar.

Logo depois fui pra Argentina, lembra que o Amir tinha intercâmbio la e ja estava tudo programado pra irmos em Março? Fomos. Foi horrível, horrível. Nada daquilo fazia sentido, afinal ninguém tinha perdido o pai e todos estavam em clima de festa, muita festa. Eu fui, por que sabia que a vida continuava, e fazer as coisas normais que estavam planejadas era minha melhor opção de seguir em frente. E naquela época eu pensava que o melhor era ficar ao lado de quem escolhi dividir minha vida. Inocência minha. Não vou dizer que ele não me ajudava em nada, mas naquele momento era mais importante pra ele pensar nos planejamentos dele. Na verdade tu vais entender mais pra frente sobre isso. Além do mais eu tinha que ouvir dos amigos coisas do tipo “por que tu estás aqui? Deixa ele aproveitar com os amigos”. É, sem comentários. Ele ouvia tudo e não falava nada. Eu me defendia com agressividade, tu me conheces, mas ele achava que eu provocava alguns situações então não tinha necessidade de me defender.  Enfim, houve muito mais disso, mas nem quero me extender nesse tema.

Passei algumas semanas em Buenos Aires e voltei pra casa da mãe. Não fazia sentido estar no meio de festas, mulheres que não tinham nada  ver comigo e drogas. Nunca precisei disso pra fugir de nada, não era naquela hora que eu precisaria. Falei pro Amir que iria voltar, ele preferiu ficar. O tempo passou e logo chegou o casamento da Bárbara, que tu serias padrinho, lembra? O Pedro entrou com a mãe. A Bárbara entrou na igreja com uma foto tua no buquê, uma coisa linda, mas também foi doido. A festa foi incrível, linda, feliz. Todos nós nos divertimos muito, a familia toda junta. Uma das coisas mais lindas de se ver. Todos os homens ficaram bêbados e deram um show no final. Que engraçado. Sim, o Amir estava comigo. Peraí, vou pegar outra latinha pra gente. Quanto tempo não ficávamos assim sozinhos em casa conversando, ein? Eu sei que tu tens o maior orgulho de me ver fazendo minha vida, e eu continuo, viu?  

Em agosto voltamos pra Suiça, eu e o Amir. E ai foi o meu período de readaptação. Lembrar o porquê eu saí da suíça e voltar a rotina sendo infeliz não foi uma tarefa fácil. Desculpa se isso te deixa triste, mas tenho que te contar que nesse momento eu ja tinha esquecido o que era ser feliz. Hoje eu vejo que meu olhos não tinham vida naquela época, mas aos poucos estão voltando a brilhar. Mas eu fiquei firme e forte, e acredita quem foi me visitar no final do ano? A maluca da Mayara e o namorado dela na época. Podes imaginar o quanto rimos né? Ela continua a mesma, sempre com uma história nova e engraçada pra contar. Mas não foi só essa a visita ilustre. O pedro também foi me visitar! Passar o final do ano com ele na Suíça foi uma experiência e tanto.

Falando no Pedro, enquanto tu estavas no hospital e logo depois que tu partiu, ele não aceitava muito bem as coisas, saia bastante à noite. Era a válvula de escape dele, acredito eu. Acho que nessa época ele começou a ter o Amir como uma referencia masculina. Eles iam pra academia juntos e o pedro começou a ir com mais frequência, tanto que hoje ele quer estudar educação física. Foi quando o Pedro estava la em casa que eu comecei a perceber umas coisas no meu relacionamento que me deixava tão triste. Ah pai, ainda tenho tantas coisas pra te contar sobre meu relacionamento. Desculpa, mas vou ter que te decepcionar em relação a uma pessoa que tinhas um enorme carinho. Eu queria muito levar o Pedro pra esquiar, afinal eu NUNCA tinha ido também. Uma amiga ofereceu uma casa nos alpes pra gente passar o final de semana, e seria logo depois do Amir terminar as provas da faculdade. Mas ele falou que não ia, que odiava neve e depois que as provas acabassem ele queria sair pra beber com os amigos. Foi a primeira ‘facada’ que eu senti. Doeu, doeu mais por que eu sabia que o pedro queria tanto, e principalmente, queria a companhia dele. Tudo bem, não fomos pra essa casa, mas eu comprei tickets pra mim e pro pedro e fomos nós dois e mais uns amigos passar o dia num estação de esqui. Que divertido! Claro, obvio que caímos, o que tu achas? Ainda com o pedro la em Zurique, no dia 8 de janeiro fomos ao lago, compramos flores brancas e jogamos pra ti. Tu recebeu? Durante muito tempo eu olhava pro lago e só te via la, feliz da vida nadando e fazendo planos pra voltar e nadar mais. Verão passado foi bem quente e aproveitei bastante por ti.  

Nossa, estavas com saudade de uma Bohemia gelada, ein? Vou abrir mais uma.   Mas voltando ao assunto… A vida continuou em Zurique, mas sem a mesma graça. Ah, logo que voltei pra Suíça conheci um grupo de brasileiros/suíços muito legais, somos amigos até hoje e nos intitulamos de Os Suíçados. Eram todos casais jovens como eu e o Amir, e eu me sentia tão bem em finalmente ter amigos casais para dividir outras experiências. Afinal os amigos do Amir, poucos tem namoradas, e os que têm nunca levam elas as festas. Por mais que eu tivesse esses amigos, um emprego melhor… Ah, isso, eu não cuido mais daquelas crianças. Eu trabalho na empresa do pai de uns amigos, e o trabalho é bem melhor agora. Só que foi nessa época que eu comecei a ficar insegura com tudo. Eu não tinha certeza de mim, não tinha certeza do meu relacionamento e muito menos da vida. Eu comecei a ter medo de perder tudo. Nossa, como é ruim lembrar dessa fase, foi tão difícil, pai. E a pessoa com que eu mais contava era a mais distante de mim. Por que tu sabes, não basta estar do lado pra estar junto, não é mesmo? Mas sempre que a gente conversava ele me dizia que se a gente continuasse junto tudo estaria bem. Inocência minha, no final descobri que se a gente continuasse junto, ai é que tudo estaria mal. E ficou mal, muito mal. Não, eu não vou chorar.  

As coisas estavam ruins, tudo muito estranho e tudo que eu mais queria na minha vida era ter um lugar pra mim, um cantinho sabe? E claro, que eu pensava no meu cantinho com o Amir, nada mais obvio. Ele me dizia “sim, vamos ver isso ai”. Até que um dia eu não aguentei e sai pra passear com ele, e aos prantos eu disse “eu não seu quanto a você, mas eu preciso do meu espaço, se você não for, eu vou sozinha” e ele me disse “enquanto a gente continuar juntos, tudo vai ficar bem. A gente vai procurar nosso canto junto”. E eu senti que ele estava nessa comigo. Aliás, me ver aos prantos falando que quero meu espaço foi o que ele mais viu nos ultimos anos. Sim, nos últimos anos. Era a única coisa que eu pedia pra ele. Mas se eu te contar tudo em detalhes vamos ficar aqui por três dias. Logo depois disso a mãe veio me visitar com a tia madrinha, enquanto o Amir ia viajar com aqueles amigos que ele viaja todo ano. Eu sinto muito por essas ferias delas, por que foi uma época tão triste, tão abafada. Antes de ir viajar o Amir me escreveu que era uma sensação estranha partir, que ja estava com saudades e não via a hora de voltar e começar nossa vida sozinhos, finalmente. A verdade é que ele voltou depois de duas semanas e não queria mais nada daquilo. Não queria estar casado, não se sentia “ele mesmo” do meu lado e mais um montão de coisas que não vale a pena contar. Ai eu li sem querer um bilhete no celular dele dizendo que ele não podia sacrificar a vida dele por alguém, e eu me lembrei que tu pediu, enquanto estava no hospital, pra ele cuidar de mim. Eu nunca desejei ser sacrifício pra ninguém. Mas enfim, eu também falei que não estava feliz, e que a vida de casada também estava pesada pra mim. Ainda bem que a mãe estava do meu lado.

Os dois concordaram que iriamos dar um tempo, mas que um ainda queria o outro. Foi ai que começou uma onda de vai e vem que me deixou doente, psicologicamente falando. Descobri meu ponto fraco, meu “calcanhar de Aquiles”. Nessas idas e vindas dele, de “te quero” e “não tenho certeza”, a mãe so dizia: Minha filha, depois de tudo isso sabe o que o teu pai falaria? Manda esse suíço tomar no c*. Verdade? Putz, Sabia que ela estava certa. Mas a verdade é que eu perdi todas as changes de fazer isso. Todas, tanto que no final de tudo não valia mais nem a pena mandar tomar naquele lugar, foi mais um “tanto faz, também ja estou de saída”. Não, nao se preocupa, não dependo financeiramente dele, como nunca dependi. Encontrei pessoas a fim de ajudar sem nada em troca. Na vida é assim, a gente sempre se surpreende com as pessoas, tanto pro bem como pro mal. O ápice de tudo? Não, essa eu te conto depois, mas posso te garantir que respeito foi pros ares, talvez nunca tivesse existido e eu que me iludi, achando que tinha algo dentro do saco. No final descobri que o saco sempre esteve vazio, era eu que fazia volume nele.  

Mas vamos falar de quem vale, e muito, a pena. Pai? Ta me escutando? Ah bom, sempre com essa mania de ‘desligar’ de vez em quando né? Eu sei que eu falo demais, mas poxa vida, faz tempo. Muita coisa aconteceu. A mãe continua batalhadora e uma mãe presente, como sempre. Ela é incrivelmente forte, e hoje eu entendo por que tu se apaixonou por ela e viveu 25 anos ao lado dela. Com a idade a gente aprende a ver as pessoas e coisas por um outro ângulo, e hoje, com meus problemas de mulher adulta, eu a entendo muito mais.  

A Maria começou a namorar o Gabriel logo depois que tu se foi. Sim, anjo Gabriel. Alias, foi que mandou ele? Tu não acreditas, ele é parceiro de todos, ajuda a mãe, conversa com ela e a acompanha no Giassi. Me diz, quem tem paciência de ir ao mercado com a mae? Ele tem.   O Pedro virou um homem lindo, calmo como sempre. Mas tem que ser calmo mesmo no meio da mulherada toda. As vezes ele faz alguma coisa, um gesto, que parece que estou te vendo na minha frente, é impressionante. E recentemente ele encontrou a primeira Paulinha da vida dele. Tu perguntava sempre “Pedro, quando tu vais apresentar uma Paulinha pra gente?”. O nome dela é Leticia.   A Victoria ta uma mocinha linda. Se tu me achavas difícil, espera pra ve-la. 3 vezes pior. Respondona, mas a mais carinhosa da casa. Ela vem com aquela mão pesada, agarra meu rosto e diz ” é linda né?” Linda é ela, nosso eterno bebe.  

A rotina da casa é a de sempre, mas hoje como tu, eu também sou visita e fico só observando. A Deia veio morar com eles, e o Lupi veio junto. Não posso esquecer da Wendy, que só dorme pelos cantos. O pedro quieto no Ipad, a Maria e a Victoria brigando por algo bobo e a mãe na cozinha sempre preparando algo delicioso. Falando em delicioso,  a costelinha ja esta quase pronta.   Antes de comer, vamos dar uma volta pela casa, quase nada mudou mas deves estar com saudades. Já deu pra perceber que aqui fora tudo continua igual né? Continuamos a sentar ao redor da mesa e nas cadeiras que fizestes com tanto carinho.   Espera aí na porta, vou abrir mais uma latinha de cerveja. Vamos acabar bêbados. E não seria a primeira vez.   Agora vem. Entra. Ainda tenho tanto pra te contar…


07 abr 2015

A mudança sempre vem de dentro

Não é novidade pra ninguém que passei por uma fase muito ruim na minha vida. Foi uma coisa atrás da outra, caindo na minha cabeça, e eu tentava me manter forte. Enquanto eu me deixava cair, meus amigos me jogavam pra cima, sempre com elogios.

Eu ouvia as pessoas dizendo o quanto me admiravam, o quanto eu era forte e tentavam me mostrar tudo que eu tinha. E eu achava que não tinha nada. Como me admirar se eu não faço nada de especial? O que afinal eu tinha? Um visto de residência em outro país? Pra que me admirar se eu nem dei inicio a minha carreira profissional? Aí um dia você acorda e se da conta: Eu estou exatamente como queria estar. Um ajuste ali um aqui, mas eu sou exatamente quem eu sempre quis ser aos quase 30. Como eu demorei tanto pra perceber isso?

Eu tenho um texto guardado que eu contava do susto de chegar aos 25 e não ter adquirido nem metade do que eu queria na vida. É, eu sempre fui superexigente comigo mesma. Eu tinha medo de deixar que a minha felicidade do amor me acomodasse. E me assustava saber que a única coisa que tinha dado extremamente certo era a minha vida amorosa. Mas até então eu recebia mal e trabalhava com o que eu não gostava.  Eu tinha medo demais, essa é a verdade. Mas quem vive uma vida sempre cheia de certezas?

Nós temos várias fases na vida. E às vezes sair de uma, e entrar em outra pode ser um processo longo e doloroso. Ninguém acorda um dia e decide “Hoje vou ficar mais madura”. Eu me lembro que com 19 anos eu tive uma crise de identidade, que pareceu mais uma leve deprê. Era como se eu não me conhecesse mais, como se eu não soubesse pra onde ir, muito menos por que ir. Minha mãe me falou, na época, que algumas vezes nós mudamos, amadurecemos e com fica difícil se reconhecer mesmo. Um dos processos mais difíceis é durante a adolescência, que quando a pessoa finalmente se aceita, a adolescência já acabou. É, às vezes o período de mudança é longo. Às vezes prolongamos.

Desta vez, meu processo de mudança além de ser demorado, foi conturbado. Eu me mantinha presa a Karina de antes, sendo que aos poucos o mundo dela ia se modificando. E eu meio que fiquei pra trás. Por que afinal de contas, os últimos anos foram os melhores da minha vida, até que… Enfim vocês sabem. Tem mudanças de fases que a gente só percebe quando acabou, mas infelizmente minhas mudanças foram escancaradas na minha cara.

Eu sempre tive a mania de me autoanalisar e por vezes fico meio melancôlica ou paralizada. E sinceramente acho que se você não passa por isso, ou vive a vida errada, ou vai passar por ela despercebida. Ou pior, sem se perceber.

Sim, a vida me deu umas boas rasteiras ultimamente, mas tudo passa. E ainda está passando.

Eu estou longe da família, eu sei.. mas morar fora do país pra mim é um sonho realizado. Tem seus contras, mas ainda assim, estou quaaaaase como sempre quis. Demorou pra eu perceber! Tenho um emprego que me deixa viajar por períodos longos. Não ganho tão bem quanto uma suíça formada aqui, mas me mantenho sozinha e sem a menor dificuldade. Compro minhas bolsas, meus sapatos e pago minhas viagens. Tenho pessoas muito bacanas ao meu redor, sejam minhas adoráveis jovens brasileiras casadas, ou minhas suíças malucas que bebem mais que homem. E tenho ainda também um relacionamento com a pessoa responsável pela maior mudança na minha vida. Tudo ficou muito conturbado entre a gente, por causa de tanta mudança. Mas eu só preciso achar onde ele entra na minha vida e onde eu entro na vida dele depois de tantas mudanças e tantas descobertas. Mas eu acredito que vamos nos “achar” de novo. De alguma maneira vamos.

Mais uma vez eu saí do casulo. Mais uma vez estou orgulhosa de mim mesma. Foi difícil, foi muito mais doloroso que da ultima vez.

Minhas asas estão renovadas, quem sabe assim posso alçar voos maiores?


20 out 2014

O meu erro

Uma das coisas mais triste num relacionamento é quando cada um quer andar pra um lado. Isso não significa que os dois queriam se separar, mas cada um quer andar na direção que escolher, e seria perfeitamente maravilhoso, se o outro escolhesse o mesmo caminho. Mas nem sempre é assim. E daí quando você se vê nessa situação, há algumas opções do que fazer:
1. Insistir em fazer as coisas do seu jeito, afinal é a vida que você sonhou, mesmo que seja sem ele.
2. Insistir em dizer que o jeito dele não funciona pra você, e quem deve mudar é ele.
3. Aceitar fazer tudo do jeito dele, pois afinal o importante é o sentimento, e quem sabe um dia ele mude.
4. Aceitar mudar algumas coisas esperando que o outro também mude. Daí você faz uma mudança aqui, aceita outra coisa ali, ele faz o mesmo, porém você não vê. Ou acha que nunca é o suficiente. Por que na verdade tudo que você queria era que ele escolhesse a opção 3.

E nesse processo de cada lado ceder um pouco, os dois lados ficam cada vez mais convictos nas suas decisões e que não devem ceder nada. E nisso os casais de afastam. E aí começa a parte mais difícil: aceitar que talvez a decisão mais sensata fosse escolher desde o início a opção número 1.

Se ao final eu “falhei”, eu tenho certeza que eu tentei, cedi, aguentei e em algumas coisas mudei. Eu passei pela opção 3 e depois 4, e infelizmente vi que a melhor opção pra mim seria a numero 1. E eu que um dia pensei que a única opção era ficar junto, não importa o que aconteça.

“Você diz não saber, o que houve de errado e o meu erro foi crer, que estar ao seu lado bastaria.”


16 set 2014

Tic Tac

Eu tenho alguns textos nunca postados no meu computador. Alguns são somente rabiscos, outros quase completos. Alguns não cabe mais ao momento postar, ou precisam de uma certa “atualizada”. Mas esse texto que eu achei hoje é totalmente atemporal, você vai ver por quê 😉


 

A minha relação com o tempo

Posso dizer que nossa relação é de amor e ódio. Tenho que ser sincera e dizer que você é muito monótono, sempre com o mesmo sermão “tic TAC tic TAC”. Não muda nunca?

Nos últimos meses você me assustou, me confortou e me fez, de maneira forçada, me acostumar com as coisas. Pois é assim que você age, sem paciência nenhuma, por que você não para nunca. Como posso confiar em você?

Se eu estou atrasada, olho no relógio e você grita “tic TAC tic TAC”. Se me questiono sobre a vida, lembro-me sempre da sua voz de conselho: “tic TAC tic TAC”.  

Ao mesmo tempo em que eu quero que você faça seu trabalho, eu morro de medo que você o continue. Por que, vamos ser sinceros, você é devastador! E por mais que eu tente, jamais conseguirei te fazer parar. 

Eu te deixo fazer parte da minha vida, e você de maneira sutil vai deixando com que tudo aconteça. Como você pode ser tão misterioso e ao mesmo tempo tão simples?

Então, a vida vem, a vida vai, e você na mesma ladainha “tic TAC tic TAC”.

As vezes quero te atrasar e você… nada! As coisas só acontecem com você. Tenho que sempre esperar por você, mas você nunca me espera.

Você é egoísta, e se preocupa com o seu próprio tempo. E eu fico aqui ansiosa pra ter tudo que quero e quando quero, e você me ignora, não faz nada além de “tic TAC tic TAC”.

As pessoas me disseram muitas vezes, ‘O tempo vai curar tudo’. Mas ao mesmo tempo em que você cura, também pode destruir. 

É você, afinal, o dono de tudo? É você a resposta de tudo? E a sua resposta será sempre a mesma? Tic TAC tic TAC?

tic tac


03 dez 2013

De tudo ficaram três coisas…

“A certeza de que estamos começando… 
A certeza de que é preciso continuar… 
A certeza de que podemos ser interrompidos 
antes de terminar… 
Façamos da interrupção um caminho novo… 
Da queda, um passo de dança… 
Do medo, uma escada… 
Do sonho, uma ponte… 
Da procura, um encontro!”

Exatamente um ano atrás minha vida deu os primeiros passos pra uma enorme mudança. No dia 3 de dezembro de 2012 recebi a notícia da doença do meu pai, como contei aqui.

Na noite do dia 7 de Janeiro desse ano escrevi pela última vez no blog. Eu senti naquela noite a necessidade de desabafar. Eu sentia que não poderia deixar pro próximo dia. De alguma forma eu sabia que depois daquela noite não conseguiria mais escrever. E eu estava certa. Na manha do dia 8 de janeiro de 2013 meu pai nos deixou.

Estranho pensar que depois de tudo que eu passei, meu maior medo fosse escrever. Talvez por que escrever sempre me remeteu a sinceridade e na batalha contra o luto, muitas vezes não fui sincera nem comigo mesma.

Eu poderia escrever hoje um texto enorme contando da dor, dos altos e baixos, da sensação de sentir o mundo tão pequeno, e de tudo que eu passei nesse último ano. Mas é difícil. Deve ser como passar no meio de um furacão e depois explicar o que viu e o que sentiu. Não dá. Além de tudo é muito triste.

Por isso eu prefiro contar como é sentir tanta saudade de alguém que você vê uma foto e chora até o coração parecer rasgar, e depois de tudo ainda conseguir sorrir e ficar alegre porque, afinal, a pessoa que você sente falta passou pela sua vida.

É mais bonito contar como é pensar tanto em alguém que já se foi, que essa pessoa parece estar mais perto do que antes.

É mais contagiante contar que eu passei quase um ano sem ter alegria nenhuma em escrever, e agora eu enchi o peito de coragem pra tentar contar a pior história da minha vida. Alguém uma vez me falou que toda vez que eu escrevesse, ele estaria comigo, e em todas as palavras do meu texto. Ele também gostava de escrever, e com a maior dignidade do mundo, fez um blog pra contar sua curta passagem pelo hospital. Quer ler? AQUI.

Sempre acreditei que a vida é feita de ciclos. E que você não controla o início nem o fim dele. Às vezes pode se alegrar e até comemorar o fim de um. Outras vezes a mudança é tão grande que te faz pensar que a vida acabou. Mas ainda assim, é só um ciclo.

Um ciclo da minha vida se fechou no mês de janeiro.  Minha avó, a mãe do meu pai, também se foi três semanas após meu pai. Não existe mais a casa da vó Bentinha. Mas existem muitas lembranças. Agora é preciso aprender a viver com elas.

Saber transformar a saudade em lembranças é um ótimo caminho pra amenizar a dor e, principalmente, voltar a ter esperança.

Eu tenho muita esperança do futuro. E quero viver cada dia da minha vida da melhor maneira possível. E tudo isso em homenagem ao meu pai, que amava demais a vida.

Pai, valeu por tudo! Obrigada por continuar me fazendo sorrir. Cada segundo valeu a pena.

“A morte chega pontualmente na hora errada” – Mario Quintana.


08 jan 2013

O medo e a realidade

1 – O diagnóstico

Vocês sabem bem como eu me senti quando descobri que meu pai estava com Leucemia, como eu contei aqui. Vim para o Brasil com o coração na mão e coberta de esperança. Logo que cheguei visitei meu pai no hospital, que parecia tão bem e ninguém conseguia acreditar que ele estava com a doença. Ele deveria ficar 30 dias no hospital internado fazendo o primeiro protocolo (seções de quimioterapia). Eu alternava meus dias de visita com a mãe, que ia com mais frequência e fazia companhia a ele. Como eu estava resolvendo as questões burocráticas da vida que segue, minha visita era sempre acompanhada de um documento ou o laptop, para checar pagamentos e afins. Mesmo com medo e o coração na mão, eu ainda tinha o que fazer por ele. Pesquisei bastante sobre a  doença, conversei com médicos, liguei para outros hospitais, contatei amigos… Enfim, tudo em busca do melhor para meu pai. O vi algumas vezes fazendo a quimioterapia, recebendo bolsa de sangue ou até mesmo com as plaquetas baixas demais, o deixando com uma aparência apática. Chorei muito e senti tanto medo que nem sei explicar hoje.

2- Os efeitos da quimioterapia

Ele seguia tão bem o tratamento, que nós (família e amigos) estávamos certo que em algumas semanas ele voltaria para casa, para dar continuidade ao tratamento. Só que a quimioterapia mata tudo, tudo de bom e de ruim. E com a baixa de imunidade que a própria doença causa, com a quimioterapia baixou mais ainda. No Natal ele pediu para ficar sozinho, queria usar aquele dia como um retiro espiritual. Nós respeitamos. Compramos presente de Natal e esperamos o dia 25 para entregar. Nesse dia minha mãe foi para o hospital fazer a visita e ele já estava muito fraco. A mãe voltou para a casa e contou que ele estava fraquinho. Ficamos todos preocupados, achando que ele estava desistindo. No outro dia minha mãe retornou ao hospital para visitá-lo, e eu, sempre muito ansiosa para saber notícias, liguei para saber como andavam as coisas. Ela dizia que ele continuava muito fraco, mas eu não tinha ideia do quanto. Perguntei se ele estava se deixando levar e ela disse “Não, ele vai voltar pra casa! Não é Zé? Diz pra Karina que tu vai voltar pra casa.” Eu já comecei a chorar e pedi pra que ela não passasse pra ele. Mas ela passou e ele disse “siiiiim, vooooou” numa voz tão fraca que me doeu tudo por dentro.

Minha mãe voltou pra casa dizendo que os médico haviam liberado a estadia dela no quarto dele, até então proibida. Aquele medo que me visitava a cada minuto, se estacionou na frente do meu nariz. Algo está dando errado.

3- Encarando mais um desafio

Eu não queria vê-lo, pois sabia que não iria aguentar meu emocional, mas mesmo assim subi até a ala do meu pai para conversar com a médica. A doutora me disse que eu poderia vê-lo, mas eu insisti que não. Foi então que ela me explicou que o quadro dele era grave, pois ela estava com a imunidade em 0%. Nesse momento meu pai passa do meu lado em uma maca. Ele, que justamente fazia tudo normalmente dentro do hospital. O meu pai! Eu entrei em desespero. Após a volta dele ao quarto, depois de uma tomografia na cabeça, devido as dores fortes, eu aguardei na salinha de visitas. A psicóloga conversava comigo, tentando me acalmar e me convencer a ver ele. Eu colocava o pé na porta, ouvia ele gemendo de dor e voltada. Entrava mais um pouco, via apenas os pés e voltava. Era medo de ver meu pai de uma maneira diferente. Me senti covarde! Até que fui até a porta de novo, vi que ele tinha os olhos fechados e pensando que ele estava dormindo, entrei. Não tinha mais como sair. Eu fiquei e falei que eu estava ali. Ele não abriu o olhos. Colocava a mão na cabeça e no estômago reclamando de dor. Até então nenhuma palavra tinha saído da boca dele. Os batimentos cardíacos aumentaram e a enfermeira apontou pra mim, querendo dizer que era devido a minha presença. Ela perguntavam algo pra ele e ele respondia com o dedo. Até que ele abriu bem rapidinho o olho esquerdo e me espiou. Foi a última vez que vi meu pai acordado.

3- A UTI

Na noite seguinte minha mãe liga dizendo que ele estava mais calmo e dormia já há algum tempo. Fui dormir aliviada e agradecendo todas as orações feitas pelos amigos. Na manhã seguinte ela liga para avisar que ele estava sendo transferido para a UTI devido a um choque séptico. Foi aí que minhas forças entraram em ação. Eu já tinha sentido tanto medo e tanta angústia que não me restava mais nada além de ser forte. Fui buscar minha mãe na UTI aquele sábado, 29 de dezembro. De domingo até hoje vou todos os dias ouvir o laudo médico. Só entrei no quarto dele dia 31 de dezembro a noite. Tentei entrar a tarde, fui até perto da porta, mas minha dor não me deixou. Voltei pra casa, mas me sentindo novamente tão covarde, já que meu irmão e minha irmã já tinham entrado a tarde. Era o ultimo dia do ano e eu precisava falar com ele, mesmo que ele não me ouvisse. O medo dessa vez foi o maior de todos, que a cada passo que dava eu urinava. MEDO. TRISTEZA. Entrei no quarto e vi o que eu jamais me preparei para ver.

Nesses 9 dias ouvindo o boletim através dos médicos, mas sem ver a situação, eu criei uma força que me assusta. Já senti saudades, a dor da perda, a desilusão, o medo e todos os outros sentimento embutidos nessa realidade. Não há mais o que sentir nesse momento. Nem o que fazer, a não ser esperar. Só não posso pensar muito, por que o pensar assusta, e eu preciso manter meus dois pés bem no chão.

Milagres acontecem, não é mesmo?


01 jan 2013

Recomeço

“Quem teve a ideia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de ano, foi um  indivíduo genial.

Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão.

Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos.
Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui pra diante vai ser diferente.”

Carlos Drummond de Andrade

Tem sentimentos que só primeiro de janeiro nos proporciona não é mesmo? O recomeço é uma escolha e às vezes a fazemos por não haver mais opções.

Estou ainda um pouco perdida, e meu foco anda meio desfocado (desculpa o trocadilho).

Prometo voltar todos os dias, mesmo que seja pra postar de uma forma diferente que eu costumava fazer.

Bóra recomeçar! Vocês me ajudam?


20 dez 2012

Nova etapa

Oi…

Eu sei que é normal um sumiço meu por aqui. O motivo sempre foi o mesmo: falta de tempo. E o motivo do meu novo sumiço continua sendo falta de tempo, com uma pitada de outra coisa. Eu não sei como explicar, não sei como começar, não sei como descrever. Não garanto ser breve…

Eu amo fazer planos, amo me organizar, pois pra mim é a única maneira de fazer as coisas que eu quero acontecer. E com meu novo destino, Buenos Aires, a minha aflição por planejar aumentava a cada dia. No final do mês passado eu tinha encerrado meu contrato de trabalho, então estava só pensando em mim. Puro egoísmo mesmo. Mas afinal, qual seria minha outra preocupação?

Na terça-feira, dia 4, acordei cedo, mesmo sabendo que não haveria aula de alemão. Logo li uma mensagem da minha mãe me perguntando “Está tudo bem? Preciso falar contigo”. Eu preparei meu café da manhã como de costume, com minhas deliciosas panquecas proteicas, sentei em frente a TV, comi assistindo televisão, enquanto mandava mensagem pra minha mãe dizendo que tudo estava bem.

Meu marido me deu tchau e foi pra universidade, e eu fiquei conectada esperando pra falar com minha mãe. Não demorou muito ela e meu pai ficaram online. Eu havia tirado a manhã para resolver umas coisas para o blog, como pagamento de .com e site de hospedagem. Vi meu pai online e logo fui pedir pra ele pagar a conta pra mim, já que era boleto bancário do Brasil. Enquanto eu explicava a ele o que precisava, minha mãe conversava comigo meio vagamente e me perguntava se eu já tinha falado com meu pai. Pelas manhãs ele já está no trabalho e ela em casa. Meu pai me deu o ok sobre o pagamento da fatura, mas disse que faria online, pois não estava em casa. Após a negociação ele me perguntou se eu já havia falado com minha mãe, enquanto minha mãe me perguntava se eu já havia falado com meu pai. E eu, que não gosto de enrolação, comecei a perguntar o porquê daquele troca-troca. Meu pai parou de me responder e minha mãe falou que meu pai estava bem, mas estava no hospital. E eu, meio perdida, mas ainda calma, perguntei pra ele o que estava acontecendo. Sem resposta, perguntei o mesmo para minha mãe. Ela, que demora para digitar, não enviava nada. E eu só a espera da mensagem, já avisada pelo facebook que estava sendo digitada. Até que ela escreve algo como “ele foi pro hospital achando que era anemia, blablabla, é leucemia. O resto eu não sei mais.

O meu grito foi assustador, vindo lá de dentro, daqueles que se dá apenas algumas vezes na vida. Foi meu primeiro. O primeiro susto real na minha vida. Amparada pela minha amiga e colega de apartamento eu fui me acalmando, até conseguir voltar a frente do computador. Mas eu não queria mais nenhuma informação.

Entre passos perdidos no meio do meu quarto, e muitas idas até a sacada, encarando o frio e usando cada tragada do cigarro pra pensar, eu decidi: vou o quanto antes pro Brasil. Ainda no mesmo dia conversei a noite com a minha mãe pela webcam. Eu estava calma e decidida. Uma única vez na vida eu pulei uma janela sem saber o que estava por vir. Mas pulei com vontade, com sede de mais e mais. Aquela janela me levou à Suíça. Essa nova janela que se abriu a minha frente era estreita, e de novo sem saber o que estava por vir, eu me arrastei até ele, escalei e atravessei.

Estou no Brasil desde 8 de dezembro, meu marido chega dia 30 de janeiro.

Bom, essa é a nova etapa da minha vida, encarar o meu maior medo. O resto vem com o tempo, assim como outras notícias sobre mim. Não vou abandonar esse espaço aqui, pois eu sei que tem bastante gente que me acompanha. Só que agora com menos ansiedade, e sabendo que nem tudo depende de mim.

“Mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma. Até quando o corpo pede um pouco mais de alma. A vida não para…”



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