11 abr 2012

Decola, por favor, decola!

– Decola, eu pensava. Decola! Sai do chão o mais rápido possível.
Rápido, por favor! Mas o caminho percorrido pelo avião até decolar me torturava, bem aos poucos. A cada vez que pedacinhos do aeroporto iam aparcendo e desaparecedo na minha janelinha a ansiedade misturada com melancolia aumentava. Decola, por favor decola. Eu queria voltar pra casa mas nao queria ir embora… de casa?

Até que o avião decolou e aos poucos tudo ia ficando mais longe, mas a dor não diminuía. Olhando pela janela e vendo a pequena ilha ficar ainda mais pequena eu chorava mais. Como no carnaval ninguém sai de Floripa o avião estava praticamente vazio, favorecendo meu choro inconsolável sem o olhar de curiosos.

Após uma hora de choro o avião voltou ao solo, fazendo com que eu juntasse todas as minhas forças e parasse com o drama, já que eu precisava correr para o check-in do próximo voo, do qual eu já estava atrasada.

Mais um voo e mais um pedido desesperado: Decola, mais uma vez, por favor! São Paula ainda é perto de “casa” mas voltar não era uma opção, então eu só queria chegar em Zurique o mais rápido possível, retomar minha rotina e ver se a angustia passava. Ao decolar, veio a certeza de que eu estava mesmo deixando o Brasil, e eu já não sabia mais o que sentir. Mas eu tive que dar aquela respirada e dizer pra mim mesma, num tom de ordem: “Chega! Tudo tem que continuar.” E assim eu engoli o choro e coloquei os bons momentos lá na caixinha da memória, mesmo que isso me fizesse sentir um vazio inexplicável.

E continuei, obedecendo minhas próprias ordens, pois se tem alguém que jamais desobedeço, é a mim mesma.


30 mar 2012

Fotos da semana

Agora é regra em casa: falar somente em alemão comigo. Mas a regra não é seguida por todos, só pelo Amir que tem paciência de falar devagar comigo. Dentro dessa caixinha verde tem verdadeiros pecados alimentícios! Barrinhas de coco e açúcar, uma coisa de louco!

Depois que voltei do Brasil me deu uma vontade enorme de renovar meu quarto. O resultado foi lindo! Duas semanas depois do meu aniversário eu ainda estava recebendo bolo e presente. Acima é na casa da minha sogra e abaixo na casa dos meus pimpolhos.

Nos dias de sol é ótimo estudar na sacada. O tempo de estudo passa de uma maneira sutil.

Mensagem particular: Mãe, a minha sogra adorou o avental! Agora que eu achei uma loja que vendo farinha de rosca barata quero cozinhar tudo à milanesa, mas só nos finais de semana, claro!

Adoro a vista do lago, seja ela da sacada ou do meio da cidade. Na hora do photoshop nem percebi que tinha repetido uma foto. Agora dá licença que é hora de juntar os pesinhos e dormir. Gute Nacht!


23 mar 2012

Breve visita ao Brasil

Algumas fotos da minha breve, muy breve, viagem ao Brasil:

Depois da minha família, uma das minhas grandes expectativas era a comida. Meu deus como eu senti falta da comida da minha mãe! Comida caseira, churrasco e sushi era tudo que eu queria!

Olha aí alguns dos meus amores! As meninas no sushi, minha mais que fofa cachorra Wendy, a familía reunida com as caixas de chococate suíço e o pessoal que foi me buscar no aeroporto, já que o dia que eu cheguei foi uma surpresa pra minha família. Tá faltando o Cadu nessas fotos!

Como por aqui tudo é caro, inclusive ir ao salão de beleza, eu deixei pra fazer tudo que queria no Brasil. Meu cabelo tava preto, então decidi fazer umas luzes pra clarear. Luzes feitas, eu achei que era pouco e quis pintar. Resultado? Uma m*rda! Como meu cabelo tinha um pedaço virgem na raiz, a cor clara pegou somente nessa parte, me deixando com cara de p*ta pobre. Socorro! Lá fui eu de novo pintar da mesma cor que tava quando eu cheguei. E por fim, meu retoque de alisamento que foi tão mal feito no salão da Cotirô que eu sinto raiva até hoje! Ou seja, dinheiro jogado no lixo!

A minha primeira marquinha de aliança na mão esquerda! Fofo.

E como era meu aniversário eu me dei de presenta uma melissa. Não vejo a hora de chegar o verão por aqui pra me exibir com meu produto brasileiro! E como pode uma pessoa ser casada com uma brasileira e não ter Havaianas? Comprei pro Amir essa que brilha no escuro, já que aquela com bandeirinha do Brasil todo mundo tem por aqui. Ganhei de aniversário um jogo de taças de cristal feito a mão lindíssimo, mas não pude trazer, pois iriam quebrar.

Aproveitei pra visitar um lugar que frequentei minha vida toda: Alesc. Foi muito bom rever as pessoas com quem eu trabalhei por tanto tempo. E a parte mais difícil foi deixar Floripa, pois isso significa deixar muita coisa! Mas isso é assunto pra outro post! 😉


14 mar 2012

Só pra dar um alô!

Depois que algum tempo, estou de volta! Eu odeio deixar meu blog às traças, ficar mais de uma semana sem escrever e tal, mas também odeio achar que o texto não está bom o sufuciente pra postar. Dilema.

É o seguinte, eu tenho uma pilha de posts quase prontos. Eu escrevo e salvo nos rascunhos. Daí eu penso “Não vou postar, nem deixar agendado, pois amanhã eu arrumo e melhoro um pouquinho mais o texto”. Resultado: texto nunca pronto. Dizem que é mal de jornalista achar que o texto nunca está pronto, mas o negócio é que uma hora ele tem que sair né?

Por exemplo nesse mês eu gostaria de escrever sobre o sistema suíço (política, economia, educação), e por isso estou fazendo muita pesquisa pra conseguir, primeiramente, entender e postar aqui. Mas eu fico presa no perfeccionismo e nunca termino.

Outro motivo para a ausência é minha nova rotina diária, as aulas de alemão (Em breve um post à respeito. Uma super dica para quem vive em Zurique legalmente). Estou com muita garra em aprender logo essa língua e, por isso, depois da aula, se alguém me convida pra passear na cidade e conversar em alemão, eu topo na hora.

Bom, todo esse blablabla mea culpa foi só pra dizer que eu aprecio muito as visitas/seguidores/comentários que meu blog tem recebido nos últimos meses (motivo pelo qual quero sempre melhorar meus textos) e que eu quero muito continuar postando sobre minha vida (alo, autofofoca?) aqui no país do chocolate! Nem que seja só pra dar um Alô.


06 mar 2012

Gravatal

Quando eu era adolescente e minha mãe dizia que iríamos à gravatal, ahhh que raiva me dava. Pra mim aquele era um dos lugares menos interessantes na face da terra. Não tinha ninguém da minha idade, nada pra fazer e um calor ou frio muito chato. Até ja escrevi sobre Gravatal aqui, de um jeito mais humorado, hoje é de um jeito nostálgico.

Hoje eu sinto muita falta de ir até aquela cidade pequena e simples. Saudade de comer uma rosca com nata no café, de ir à missa com a vó, saudade de visitar um parente distante, enfim, aquela coisa mesmo de sentir falta quando se está longe.

Gravatal pode estar há muitos e muitos quilômetros de distância de mim, mas sempre na memória. É a cidade que eu nasci e vivi minha infância, e isso marca pra sempre! Fazendo uma leve análise sobre as coisas que me lembram da cidade, eu penso primeiro em quão forte era a religiosidade (não sei se ainda é). Lembro-me das crentes (como chamávamos aquelas mulheres de saia e cabelo longos) e das senhoras indo à igreja aos domingos. Felizmente, fui a muita missa com a minha família, daquelas longas e coreografadas, quando parece que o padre não vai parar de falar nunca!

E quando não tem nada pra fazer? Passear em Termas do Gravatal é a saída. Muitas lojas, muitas malharias e sempre um gringo (argentino) ou gaúcho fazendo compras. E sair pra jantar em Gravatal é com certeza ir nas Termas. Passear uma tarde por lá e ver as pessoas que você “conhece” desde criança ficando mais velhas e criando família dá uma sensação inexplicavelmente aconchegante.

Mas se o dia está lindo e você já foi a igreja e já passeou nas Termas, a melhor ideia é visitar as mini cidades ao redor, como São Roque. Passar por aquelas casas simples e não imaginar como alguém pode viver daquele jeito e ao mesmo tempo se impressionar com a riqueza natural, é aprender a dar valor a outras coisas. Nada melhor como um lugar calmo e silencioso pra por a mente em ordem, não?

Pena que o tempo passa e tudo muda. Hoje quando vou a Gravatal nada é mais como na minha memória. Mas a vida é assim mesmo, já dizia o sábio: “Nada é permanente, senão a mudança“. (Heráclito). O importante é guardar bem guardadinho, na caixinha da memória tudo de bom adquirido na vida.

Bom, deixa eu ir que sessões de nostalgia me deixam filosófica demais!

ps: Estrelando: casaquinhos de lã feitas pela vó!


27 fev 2012

De volta à terra do chocolate

No Brasil o ano só começa depois da semana que termina o carnaval, não é mesmo? E como meu blog não tem nada de suíço, cá estou pra um recomeço.
Depois de 2 semanas no Brasil, estou de volta. Antes de viajar, achei que o retorno me deixaria com as “baterias carregadas”, mas o efeito foi o contrário. Voltar pra Suíça e deixar minha família no Brasil foi mais difícil que deixá-los, definitivamente, 8 meses atrás. A “readaptação” foi mais cruel que eu esperava e me desconectar de lá e voltar a realidade foi duro. Mas isso é assunto para um outro dia.

Tudo está bem e eu estou de volta às aulas de alemão, o que me dá um “gás” e a empolgação que eu precisava.

Vamo que vamo que o mundo não pára pra escutar nossas lamúrias, certo?


17 jan 2012

Meu trabalho

Muita gente anda se perguntando, ou até mesmo me perguntando, o que eu faço por aqui. Se o Amir me sustenta ou se eu já consegui um mega trabalho de correspondente internacional. Bom, vamos por partes. Logo que cheguei aqui na Suíça, minha menor preocupação era meu futuro no jornalismo. Era tanta coisa passando pela minha cabeça, preparativos, casamento, aproveitar um pouco com a lua de mel. E depois que toda a correria passou nos mudamos para Zurique. Então decidimos que eu só iria me preocupar com emprego quando fossemos para a “cidade grande”. Chegamos em Zurique em setembro e até se estabelecer (materiais para a casa, curso de alemão, academia, seguro-saúde) levou quase um mês.

Durante o mês de agosto o Amir trabalhou muito extra pra garantir esse tempo de estabilidade, então a respeito de grana estávamos tranquilos. Fora o dinheiro que ganhamos para a lua de mel que não foi preciso gastar tudo. Casal controlado, não? Não, casal realista! Por ser bem realista, nunca tive a pretensão de achar que eu viria pra Suíça, um país que tem Universidades excelentes e consequentemente, formandos excelentes, e em 6 meses acharia um emprego de jornalista sem ao menos falar alemão. Aliás, essa nem era minha preocupação. Vim pra Suíça para finalmente viver meu relacionamento por mais de 3 meses. Passado setembro, comecei meu curso de alemão. Outubro terminou e a pressão psicológica chegava. Tanto minha como do pai do Amir, que vivia me perguntando se eu já tinha conseguido um emprego.

Entrei em sites, fóruns e tudo mais que podia me dar informações de como as coisas aqui funcionavam. E a decepção só aumentava, pela comprovação de que não seria fácil mesmo! Não encontrava absolutamente nenhuma oferta na área da comunicação.  Conheço uma menina, que por sinal é brasileira, mas vive aqui há anos, que faz faculdade de comunicação e já me disse: “Aprende alemão que eu te ajudo a encontrar alguma coisa. Mas aprende alemão!”.

Sim, é preciso saber ao menos o básico dessa língua, que não é nem um pouco fácil. Então lá fui eu me dedicar ainda mais ao curso, que já me dava bons sinais. Mas a pressão de viver às custas do Amir não estava me fazendo feliz. Eu sempre tive meu próprio dinheiro e pedir dinheiro pro marido pra comprar uma carteira de cigarro não rola. Algumas colegas do curso estavam na mesma situação. Quase todas tem ensino superior e insistem em conseguir o emprego dos sonhos sem ser local e muito menos, falar a língua local. Mas como eu disse, sou realista!

Eu estava tranquila com a ideia de não trabalhar na área, se assim fosse necessário, pois eu e o Amir já havíamos feito um acordo. Ele está na Universidade estudando economia e em menos de 2 anos se forma, então agora é a hora de focar nos estudos dele, já que o meu já está garantido, e quando ele se formar, nós vamos ter estabilidade financeira suficiente para eu voltar a focar na minha carreira. 

Foi aí que eu pensei eu procurar qualquer trabalho simples, que eu pudesse falar inglês e fosse mais fácil de encontrar. A maioria dos estudantes que eu conheço que estudam na Universidade trabalham em bar, boate ou restaurante. É super comum por aqui. Então entrei em contato com amigos, na esperança que só o inglês fosse suficiente. Necas. O básico do alemão era exigido. Ok.

Até que uma amiga estava aqui em casa, e no meio do assunto “Karina quer emprego” ela me perguntou: “me diz alguma coisa que te faria feliz trabalhando, alguma coisa que não tenha nada a ver com a tua qualificação”. Eu prontamente respondi: “cuidar de criança”. No outro dia eu já tinha uma mensagem no meu celular de uma mãe que estava interessada em contratar alguém para buscar dois meninos no jardim de infância e levar pra casa. E sempre falando inglês com eles, já que o jardim de infância é bilíngue. Muitas entrevistas foram feitas com a mãe dos meninos, muita espera e muita ansiedade, principalmente se ela aceitaria a quantia mensal que eu pedi. Final de outubro a resposta foi dada.

Hoje eu tenho meu emprego, de carteira assinada e tudo mais que é de direito. Com um salário que me proporciona mais coisas do que eu esperava. Trabalho três vezes por semana e continuo aprendendo alemão, na espera do dia eu possa falar a língua fluentemente e me aprofundar nos estudos, seja ele qual for! O importante mesmo é estar feliz!


26 ago 2011

E o sonho vai virar realidade

Então amigos e curiosos famintos de informação sobre meu casamento! Finalmente cá estou pra contar tudinho. Eu queria ter feito um post antes pra contar sobre os preparativos e tal, mas foi tudo muito corrido, porém no final deu tudo certo. Quando vim pra Suíça, eu achava que o casamento seria super formal, só eu e o Amir, as testemunhas, um juiz e os papéis. Mas o “estado” faz tudo em salas especiais e específicas para casamentos, e que varia de tamanho e sofisticação, variando também o preço. Como não tínhamos muitos convidados, já que foi marcado para as 11h15 da manhã, escolhemos a menor sala. O nervosismo era grande, olha a cara de nervosa aqui embaixo. “Gente to casando! Para tudo, é isso mesmo? Confirma produção?”

Sexta-feira, onze e meia da manhã é bem provável que as pessoas estejam trabalhando né? Mas alguns amigos desempregados fofos fizeram questão de participar da cerimônia.

A cerimônia foi uma graça! Demorou mais do que o normal, porque foi toda realizada em alemão e português (exigência deles). O juiz foi super simpático desde o início de tudo, quando nos conhecemos para realizar a entrevista e oficializar o noivado. Ele falou dos símbolos presentes naquela sala, como: o tampão da mesa mais oval, tentando parecer um barco, ou seja, mesmo com mar agitado e algumas tempestades, o casal deve manter o barco em pé; uma obra de arte moderna na parede, tentando parecer asas, ou seja, na percepção do juiz significa que cada um de nós tem uma asa, ou seja, só é possível alcançar vôos altos quando juntos estivermos. Depois, ele leu um poema sobre felicidade, deu alguns conselhos muito sábios, lembrou que nos dias de hoje, em um casamento, o homem e a mulher têm os mesmos direitos e deveres. E falou outras coisas muito lindas, mas que agora eu não lembro.E depois de muita coisa romântica, chegou a hora das coisas práticas e formais. Mas como a cerimônia estava sendo realizada em duas línguas, a coisa meio que se perdeu. Vou explicar: o juiz perguntou pro Amir “você quer contrair matrimônio com a Karina….?” Daí a tradutora traduziu (exigência do juiz que tudo fosse traduzido). E o Amir não respondeu, não deu tempo, pois logo em seguida o juiz fez a pergunta pra mim.  E como de praxe, a tradutora traduziu a pergunta. E eu fui obrigada a perguntar “é agora que eu digo sim? Posso dizer sim?” (haha). Eu disse “sim”, o Amir disse “ja”, daí a tradutora traduziu meu “sim” pra “ja”, daí eu disse “ja” só pra descontrair, daí o juiz começou a rir dizendo “sim” e “ja”, e olha só a bagunça que se formou! Foi aí que, nesse momento de distração, o juiz nos declarou casados e pediu o beijo dos noivos.

Já casados, sentamos de novo pra ouvir as últimas palavras do juiz. O Amir apertava a minha mão tão forte que doía. Olha na foto abaixo ele agarrando meus finos dedos. Durante a semana, quando eu me encontrava com as meninas, elas sempre davam um jeito de me excluir só pra planejar as brincadeiras do casamento. Elas prepararam arroz e flores pra jogar nos novos. Achei muito fofo! Mas as brincadeiras ainda estavam por vir…Depois da cerimônia todo mundo estava meio tonto, sem se dar conta do que tinha acontecido. Os amigos não conseguiam acreditar que estavam no primeiro casamento do grupo, e a pra nós dois, a ficha ainda não tinha caído. E começamos a beber ali mesmo, na frente da “capela”.Fotos com os amigos, a família, os padrinhos e de novo com alguns amigos e família e e e já não conseguia mais sorrir. Mas o dia estava perfeito!Todo mundo com a barriga roncando, fomos para um restaurante maravilhoso! No topo da cidade, comida divina, atendimento divino e vista divina. Só faltou a minha família. Foi aí que o coração começou a apertar e liguei pros meus pais. O telefone tocou uma vez e eu já comecei a chorar. Meu pai atendeu e eu não conseguia mais falar nada. Desde a noite anterior ao casamento eu estava meio melancólica pelo fato de não te-los comigo. Mas foi meu único momento de drama, o resto foi só alegria. Mas tinha alguém que não parava de chorar e me beijar o dia todo: a sogra.  Depois o almoço e todo o nervosismo era hora de relaxar. Pois é, mas não deu tempo. A lua de mel era em dois dias e NADA estava marcado. Fomos agendar voo e hotel e voltamos pra casa pra organizar a festa com os amigos. 19 horas o pessoal começou a chegar. Ao todo foram seis meninas para um bando de marmanjos. Quem quiser dar uma checada nos garotos fiquem à vontade pra clicar na foto e aumentar (haha)  ;P

Após todos comidos e bebidos, começaram as brincadeiras. Primeiro a explicação: foi arrecadado dinheiro de todos os convidados para a festa, inclusive dos ausentes, e cada brincadeira correta vale 10 francos. 1. Vocês tem três minutos para colocar o máximo de roupas do outro. Taí o resultado. Cada peça de roupa valia 10 francos. Tiveram outras brincadeiras, como adivinhar qual era a panturrilha do Amir, com os olhos vendados. E não é que eu acertei! Teve também um questionário super embaraçoso com perguntas sobre nosso relacionamento. Teve amigos fazendo strip-tease pra mim, garotas fazendo declaração de amir pro Amir. Enfim, a noite foi muito divertida. E conforme a tradição na Suíça, a noiva deve usar um item velho, um item de pérola e um item azul. E as meninas providenciaram um item azul pra mim. Gente, na hora do meu buquê, teve muita competição! haha As seis garotas da festa disfarçando o interesse em ser a próxima, na primeira foto!A noite foi chegando, o alcool falando mais alto, os ânimos se alterando… Hora da brincadeira da laranja.Os amigos do Amir não paravam de comentar como a noite estava boa. Todos estavam felizes por nós. E eles estavam certos, pois a noite estava boa demais!
Fim das brincadeiras. Dinheiro contado! As meninas e organizadoras da diversão explicaram que foi coletado dinheiro de todos, e até os que não puderam participar da festa fizeram questão de mandar a contribuição. No final, ficamos assustados com a quantidade de dinheiro. Foi um casamento fora dos padrões. Pelo menos pra mim, sendo brasileira e acostumada com as festa de casamento em grande estilo. A grande festa no Brasil ainda virá, mas a alegria desse dia eu jamais vou esquecer. Eu sempre soube que sou um pouco fora dos padrões, mas nunca imaginei tanto. Mas também nunca imaginei tanta felicidade.

Mas muita felicidade e contentamento, trazem também exaustão e eu deixei minha própria festa à la francesa. Ainda tinha muita gente festejando com o noivo, e a noiva estava quase dormindo em pé.

Foi um dia especial e eu queria dividir essa história aqui com vocês, mesmo que através das minhas palavras apenas. “… e leve o tempo que levar, eu sei que eu encontrarei a felicidade…”

Já me sinto além do arco-íris.


26 jul 2011

Honey B

De tantos prazeres da vida um deles é ser amiga. Tenho enorme satisfação em estar “aí pra tudo”. Me importar demais com alguém e defender a qualquer custo. Pra ser amiga é preciso admirar. Se tem uma coisa que eu tenho certeza a meu respeito é que quando eu fui amiga, eu fui 100%. Não existe meio irmã, meio pai e mãe nem meio amigo. Todas as relações de amizade que eu tive foram intensas e prazerosas. Algumas relações acabam por inúmeros motivos, mas não a amizade. Qualquer amiga que tive durante a minha vida, se um dia voltarem poderão ter certeza que eu estarei aqui, com a mesma intensidade de carinho, afeto e atenção.

Hoje eu tenho alguém em minha vida que me faz sentir segura. Alguém que me ouve por inteiro, quer dizer, enquanto eu falo, ela não está apenas me ouvindo, mas me vendo por completo. Depois da minha mãe, só ela consegue me entender, e se não consegue faz de tudo pra conseguir. Ela já me viu chorando tantas vezes e sempre foi atrás de uma saída. Nunca passou a mão na minha cabeça, como quem só consola. Nunca concordou comigo só pra me agradar. Por algumas vezes eu me culpei por achar que não estava fazendo o suficiente por ela. Sabe quando você se acomoda, por se sentir segura demais?

Quando eu estava depressiva, ela foi até a biblioteca da universidade procurar um livro de psicologia para ler e tentar me ajudar. Eu nunca vou esquecer disso. Não importa o que aconteça, ela vai estar sempre ao meu lado. E meu medo de perder uma melhor amiga não existe mais.

Agora eu estou aqui, tão longe, sem ela. Outras amigas virão, outras experiências virão, mas certas circunstâncias não mudam. Tem coisas que a gente guarda com carinho e pra sempre. Tem pessoas que você guarda numa caixinha especial e abre de vez em quando pra recordar e viver de novo bons momentos. E a nossa caixinha se fechou no dia 27 de junho de 2011, e vai permanecer fechada, até eu me encontrar com ela de novo.

Amiga, não estou mais aí, mas estou aqui PRA TUDO. Te amo sempre!

WE! 


21 jul 2011

Oficialmente noivos

Hora de compartilhar alegria! Porque, MEU DEUS, como eu estou feliz! Desde ontem eu sou, oficialmente, noiva na Suíça. Deixa eu contar passo a passo de toda a burocracia.

Quando eu a o Amir decidimos morar junto e que seria na Suíça, eu fui buscar saber o que era necessário para realizar um casamento lá. Por que casamento sempre foi a nossa opção e não a falta dela. Não vou me casar somente para ficar legal aqui, vou me casar porque nós dois queremos isso há muito tempo. Eu tinha duas opções: vir para a Suíça com o visto de turista ou com um visto de casamento. O primeiro me deixa ficar aqui por 90 dias (desde que eu tenha ficado fora da Suíça por 6 meses) e o segundo por 6 meses. O primeiro não da garantia de casamento, pois alguns cantões não aceitam o casamento entre local e turista. O segundo não só aceita, mais como se propõe a fazer tudo dentro dos 6 meses, afinal o visto é pra isso mesmo. Bom, eu vim com o visto de turista. Mas porque? É, quando eu descobri que existia uma permissão para vir e casar eu achei o máximo e pensei porque cargas d’água alguém vai como turista e corre o risco?

Quando você namora dois anos e meio a distância, a última coisa que você quer é ficar mais tempo longe de quem ama, certo? A opção do visto mais garantido pode demorar até 4 meses para ser aceito. No caso eu faria tudo no Brasil, mandaria documentos para São Paulo, receberia outros, mandaria documentos para a Suíça e blablablá e enquanto isso o consulado “segura” meu passaporte, ou seja, eu não poderia sair do país antes da permissão para casar estar pronta. Tudo que eu não queria era ficar longe do Amir, mesmo que eu tivesse que pegar o caminho mais arriscado. Lá vai eu pra Suíça, com visto de apenas 3 meses.

Logo que cheguei aqui fui atrás dos meus documentos (certidão de nascimento e estado civil) traduzidos, pois mandei tudo antes para a tradutora, para garantir tempo. No dia 4 fomos, eu e Amir, até o lugar responsável pela realização de casamentos, sente só o nome do lugar ZIVILSTANDSAMT (oi linda, pra que tanta consoante?) Chegando lá, falamos que queríamos casar, e o mocinho que nos atendeu, que parecia não saber de muita coisa, foi buscar a lista dos documentos que eu precisava. Oi? Já tenho tudo fofo. Ele ficou surpreso e passou tudo para outra pessoa. Já essa outra mocinha que nos atendeu só me aborreceu. Os papéis estavam todos certos, organizados, traduzidos, autenticados, mas ela disse que não sabia se o juiz de lá iria aceitar o matrimônio, pois eu estava com o visto de turista e deveria ter vindo com o visto de casamento, porque 3 meses não seria suficiente para preparar tudo para o casamento e esperar pela minha permissão B (visto que recebo depois do casamento). Eu insistia em perguntar se ela realmente achava que um simples casamento não poderia ser feito em TRÊS MESES. Quanto estresse. Fiquei toda nervosa, achando que nada iria dar certo e o Amir dizia que a mocinha era só uma funcionária que não sabia de nada e muito menos decidia alguma coisa. Pior, o juiz que iria ver meus documentos e decidir tudo estava de folga e só voltada uma semana depois. Não tinha muito o que fazer, mas esperar. Preenchemos o formulário de casamento e como queria meu nome de casada. Pra manter o nome completo ficaria muito grande, só o sobrenome dele eu não queria, então achei que Azevedo Elmallawany ficaria bom.

No dia 12 recebemos um e-mail dizendo que eles iriam olhar meus documentos, e se tudo estivesse dentro dos conformes, eles nos escreveriam novamente para marcar um horário para conversar. Oba eu pensei, pelo menos eles vão “olhar” meus documentos, e como eu sei que está tudo certo, tudo que eles pediram esta lá, não haverá problemas. Eu relaxei.

Dois dias depois, outro e-mail. Eles viram um ERRO nos meus documentos. Na declaração de estado civil e passaporte minha cidade natal é Armazém, mas na certidão de nascimento fui registrada em Gravatal. Ai não! eu pensei. Como assim? Quem? Onde? Quando? Gravatal não tem hospital, por isso nasci em Armazém, tipo assim, 5 minutos de carro! Devido ao erro, eu deveria ir até a ZIVILSTANDSAMT e explicar o erro ou levar outra certidão com a informação correta. Erro 2: meu sobrenome Azevedo Elmallawany não poderia ficar desse jeito. Ou o nome completo ou só o do Amir. Corri pra lá. Expliquei que nasci em uma cidade e fui registrada em outra e blablabla. Eles me pediram para escrever tudo isso em um papel e assinar, como prova que eu estava ciente que minha cidade Natal é Armazém e não iria responsabilizar ninguém no futuro por qualquer erro. Quanto cuidado. “Erro” 1 e 2 resolvidos! No mesmo dia marcamos a data para a tal entrevista.

Dia 19, terça-feira, retornamos ao local de nome difícil com a tradutora. Em uma sala simples, sentamos à mesa com o juiz super tranquilo e simpático. Eu e o Amir recebemos um mesmo formulário. A tradutora ia lendo e eu preenchendo. Eu, Karina blablabla, nascida no dia tal quero me casar com o fulado de tal que nasceu dia tal e blablabla… Eu confirmo que nunca me casei antes, que não estou casada em nenhum lugar do mundo, que não estou obrigando ninguém a se casar comigo, nem fui obrigada, também não sou parente (de forma alguma) do homem que quero me casar. Confirmo que sei das responsabilidades (10 anos de prisão) se estiver infringindo a lei suíça. Tudo assinado, o juiz fez umas perguntas estranhas do tipo “vocês preferem manter o casamento em segredo até o dia?” e umas simples como “vão trocar alianças?” “a data escolhida tem algum motivo especial?” tudo para que ele possa se preparar no dia da cerimônia. Depois de uma hora e meia de muita conversa e decisão, era hora de marcar a data. DIA 5 DE AGOSTO ÀS 11:15. O juiz nos cumprimentou e disse que para a lei suíça eu estava, a partir daquele momento, noiva. E durante 10 dias eu sou proibida de me casar com qualquer outra pessoa em qualquer outra lugar.

Acho que foi o maior post da vida do blog. Isso acontece quando a pessoa aqui não posta com tanta frequência. Mea culpa! A respeito da burocracia, isso é tudo. Melhor e muito mais rápido do que eu esperava. Espero que todos estejam tão felizes como eu. Notícias sobre os preparativos em breve!

Küsse Küsse



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