22 fev 2016

Custo de vida na Suíça?

Eu tenho recebido ultimamente muitas mensagens de pessoas querendo saber sobre o custo de vida na Suíça e como fazer para entrar e ficar por aqui. Para entrar no país há algumas possibilidades, mas pra explicar direitinho preciso fazer uma pesquisa.

E como tem meninas brasileira se apaixonando por suíços eim? É certo que o amor vence barreiras, mas olha, tem alguma manias do povo aqui que a gente so descobre depois que está se relacionando com eles, e mais importante, na terra deles. Mas enfim, esse é assunto para um outro post.

As perguntas que eu mais recebo são sobre custo da moradia por aqui. Eu não posso falar sobre a Suíça inteira, mas vou tentar ser breve e prática pra falar sobre o custo de vida em Zurique. Talvez seja parecido com outras cidade, mas não posso afirmar.

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Bom, a primeira coisa que você precisa, ao chegar aqui é uma moradia não é mesmo? Primeiro balde e agua fria: o aluguel de um apartamento é super caro, isso quando você tem sorte de conseguir alugar um. Mas como assim? é simples, para cada apartamento, terão no mínimo outras 50 pessoas além de você interessadas. Se o aluguel for “barato” então, nem e fala. A cidade de Zurique é a maior da Suíça, mas não deixa de ser uma mini cidade. Há poucas construções novas e quando tem, o aluguel costuma ser bem caro. Caro quanto? Calma que eu vou chegar na questão de valores.

Tendo em vista que você estará concorrendo com outras 50 pessoas, já da pra imaginar que os critérios do pessoal da imobiliária são bem rigorosos. Entre você, que acabou de chega aqui e talvez não tenha nem trabalho, e uma outra pessoa que tem emprego fixo, com salário bom, quem vocês acham que eles vão escolher? Entre um suíço e uma pessoa com um visto de recém chegado aqui, quem vocês acham que eles vão escolher? Mesmo os suíços passam meses tentando alugar um apartamento. Então aqui não é assim, que você escolhe o apartamento, faz um contrato e se muda. Aqui você procura na internet os apartamentos que estão disponíveis, vê qual é o dia aberto para visitas, vai fazer a visita, conhece o apartamento e pega um formulário para enviar a imobiliária. Normalmente quem mostra o apartamento é a pessoa que está morando no local, e você ainda vê com todas as tralhas da pessoa dentro. Quer saber onde procurar apartamentos? O site mais completo é o www.homegate.ch

Ok, agora vamos para os preços. Uma kitinete custa em torno de mil francos por mês. Os preços podem variar muito dependendo da localização e tamanho do lugar. Um apartamento de 1 quarto custa em torno de 1500 francos. Quer um apartamento com dois quartos, uma sala bacana e mais uma varanda? Vai custar de 2 mil francos pra cima. Não precisa calcular em reais, por que a discrepância vai ser enorme. Basta pensar que uma pessoa com um emprego fixo mas com pagamento baixo, ganha em torno de 4 mil francos.

Ah, Karina, mas com os outros 2 mil francos eu consigo viver. Sim, consegue, mas vamos a um outro ponto que é obrigatório aqui na Suíça: seguro de saúde privado. Aqui não existe saúde pública, todos pagam seguro de saúde que, pelo menos no eu caso, depende da franquia, pode ser um valor alto ou baixo. Eu pago um valor mais alto por mês, mas tenho a franquia de 300 francos (que é considerada baixa). Isso significa que quanto eu atingir 300 francos gastos com saúde, passo a pagar apenas 20% do que eu gastar. Mas o valor do seguro todo mês não diminui, essa redução do preço é para os gastos médicos. Então são em media de 350 francos por mês somente para o seguro de saúde. Pode variar, sim, mas não pra muito menos.

Transporte público. Você pode até comprar um bicicleta, gostar de andar, mas lembre-se que aqui o inverno é longo e rigoroso. Você vai, sim, ter que comprar um ticket mensal para usar ónibus, trem e bonde na cidade, principalmente se estiver trabalhando ou estudando. Se você pretende ficar somente na região de Zurique, o custo do ticket mensal é 84 francos. Você pode andar pela cidade inteira com todos os meios de transporte à vontade. Mas saiu da Zona 10 (Zona de Zurique)? A próxima zona você pagara em torno de 6 francos a mais, se for voltar, mais 6 francos. Isso se você tiver o cartão Halbtax, que dá direito a pagar meio bilhete. O cartão Halbtax custa 180 francos por 1 ano e vale muito a pena comprar.

Entre outras coisas necessárias para viver, como comida, e uma diversão de vez em quanto, também aviso que é mais caro. Principalmente se você está acostumado a fartura nas mesas brasileira. Aqui não tem isso. Aqui você vai ao supermercado e compra o básico, a não ser que a sua condição financeira aqui seja boa. Mas mesmo assim, nem os suíços mais abastados fazem a festa no supermercado. Pra fazer uma estimativa de valor, eu só posso me basear no que eu gasto. Faço compras somente para mim, e preparo todas as minhas refeições e raramente como fora durante a semana. Então levando em conta que eu gasto pouco, e seleciono bem o que compro, aí vão uns 300 francos por mês. Ah, claro, importante dizer que esse valor é sem comer carne todos os dias.

Cansou de ficar comendo somente em casa, e quer dar uma espiadinha em um restaurante comum? O valor de um prato custa em torno de 20-30 francos. Num almoço básico em um restaurante básico, junto com uma bebida para acompanhar, você gastar uns 30 francos. Quer sair a noite pra jantar e tomar uma taça de vinho e quem sabe comer uma sobremesa? Abre a carteira e deixa lá uns 45-50 francos. E um drink no bar? Cerveja custa em média 5 francos (baratíssima e em raros lugares) e um drink tipo capinha custa 15 francos. Uma taça de vinhos uns 8 francos (também barato).

Agora é com você, colocar tudo na ponta do lápis e ver qual é o custo de vida aqui. Isso que somente falei das coisas mais básicas, mas todos sabemos que uma vida não se resume a isso né? É difícil, claro, mas não é impossível. Tudo vai depender de como você administra suas finanças.

Um ponto que vale ressaltar é: os suíços são pessoas que adoram viajar. Na hora de por tudo no caderninho, não esquece de deixar as economias pra viagem. Afinal, você não vai querer ver todos os seus amigos viajando, te convidando, e você sem dinheiro pra acompanhar.

Antes de vir pra ca eu achava que tudo era mais fácil e o que não fosse, a gente dava um jeito.Então a dica mais importante de todas é: aqui não tem jeitinho brasileiro.

Obs.: Estou me mudando em breve, desta vez para finalmente parar de dividir apartamento. Quando tudo estiver pronto, faço um vídeo contando mais detalhes sobre aluguel de apartamento. A dificuldade em alugar algo por aqui é tão difícil que a maioria de vocês não tem ideia. Mas eu darei mais detalhes no vídeo.

Espero que esse post tenha ajudado vocês a tirar algumas dívidas e ter uma ideia melhor de quanto se gasta por aqui. Qualquer dúvida, me escreve que eu vou tentar responder da melhor maneira possível. Eu demoro, mas eu respondo 🙂

Tschüss!


25 out 2015

Domingo no parque

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Um passeio no parque sempre me remete a imagem de casais sentados juntinhos, grupo de amigos bebendo ou fazendo pinic, mães com suas crianças ou famílias passeando. Talvez eu tenha essa ideia fixa de nunca estar sozinha, por que eu vim de uma família grande.  A gente sempre saiu junto, não me lembro de ver meu pai saindo pra passear sozinho nem minha mãe.

Passear por Zurique (na verdade em qualquer lugar) sozinha pra mim sempre foi um problema. Eu vim pra cá com o propósito de desbravar a cidade na companhia de alguém, e fiz isso varias vezes, claro. Talvez no passado eu não tenha dado o valor a uma simples caminhada a dois. Eu achava que precisava sair pra comer, tomar um cafe em um lugar interessante. As coisas eram difíceis quando eu cheguei aqui. Hoje eu tenho a possibilidade de sair pra comer a beira do lago, tomar um cafe na confeitaria mais famosa da cidade…

Mas as coisas mudam, e consequentemente mudam também os valores.

Hoje eu caminhei pela cidade sozinha, parei no parque, li meu livro, observei as pessoas. E me senti bem. Por que é muito importante curtir a própria companhia. Isso não e sinal de solidão, é sinal de auto conhecimento. Não me entendam mau, eu tenho muitos amigos, mas nos últimos meses aprendi o valor de estar sozinha. Eu aprendi a me ver, coisa é sim muito difícil quando estamos rodeados de muitas pessoas, ou nos doamos muito para elas.

Hoje entendo o que quer dizer “seja inteira, e não a metade da laranja”. Leva tempo, mas quem realmente quer, aprende. Aprende também que o tempo cura tudo e que é preciso dar tempo ao tempo.

Dê também tempo a você mesmo, e quem realmente estiver na sua vida vai continuar, não importa quanto tempo você necessite pra se encontrar. A vida passa rápido, verdade, mas também é muito longa. Há tempo de plantar e de colher. parque 4parque 3

E como sempre as joaninhas pousando em mim. Muito amor!

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30 out 2012

O bondinho amarelo

Domingo passado, esperando nosso tram (bondinho) no ponto, o Amir e eu tivemos uma surpresa. O tram por aqui é longo e azul e branco e o que parou no ponto era amarelo e pequeno. Nós olhamos sem entender, achando que era apenas uma demonstração dos bondes antigos. Mas para a nossa surpresa saiu um senhor vestido muito elegante, nos convidando a entrar.

Logo que entramos, o senhor explicou que aquele era um bondinho de 112 anos que pertence a um museu de Zurique, o Tram Museum, renovado por pessoas com profissões comuns, mas com a reparação de bondes antigos como hobby. 

As ruas estavam cheias de neve e andar naquele bonde tão pequeno e antigo foi uma experiência e tanto. E dessa vez não fiquei acanhada em tirar fotos, pois os próprios suíços faziam o mesmo. Ao final, quem quisesse colaborar com algum dinheiro era só deixar na caixinha na saída. Paramos no ponto da estação de trem e demos adeus aquele pedacinho da Zurique de 1900. Me senti ainda mais feliz em morar em uma cidade que preserva sua cultura e principalmente os elementos culturais.

Depois do bondinho vermelho, mais uma visão de Zurique, quando o passado de junta ao presente:


17 out 2012

O bondinho da universidade

Zurique é uma cidade de morros. Há partes planas, como o centro da cidade, mas a redondeza, parte mais cara da cidade, é feita de inclinadas. Uma dessas partes altas é a localização da Universidade de Zurique e do ETH (Polytechnikum, ou “Poly”).

O bondinho, que liga o centro da ligado à universidade, foi criado em 1889, com o nome de Zürichbergbahn, mas pela proximidade à Escola Politécnica, foi sempre chamado de Polybahn (bahn = trem). Hoje, ele transporta quase dois milhões de passageiros por ano.

A linha consiste em dois carros/bondes conectados por um cabo. A medida que um sobre o outro desce, se encontrando sempre no meio do caminho. O tempo de espera é sempre em torno de três minutos. A subida (ou descida) pode ser feita de segunda a sexta, das 6:45 às 19:15, e aos sábados das 7:30 às 14 horas.

O caminho com o Polybahn dura menos de dois minutos. A linha tem apenas um ponto. Abaixo, encontra-se a estação de ônibus e bonde chamada Central, como o nome já diz, é a parte central de Zurique. Ali também fica uma biblioteca, acho que uma das maiores da cidade, e também um ponto Starbucks, ou seja, perfeito para estudantes. Uma estação antes fica a estação principal de trem. Acima (parada do bondinho) encontra-se o terraço da ETH, o Instituto Tecnico Federal, e ao lado a Universidade de Zurique. Devido a isso, a linha é usada, na maioria das vezes, por estudantes.

Outro acesso à Universidade a ao ETH, é a escadaria próximo à estação do Polybahn.

Em Zurique, existe apenas duas estações de bonde como essa. A segunda da acesso ao hotel mais famoso da cidade, o Dolder Hotel, chamada Dolderbahn. Polybahn é a linha mais curta da cidade de Zurique.

O Polybahn tornou-se também uma atração turística, sendo referenciado em guias turísticos e em cartões postais. Não é raro encontrar um grupo de chineses dentro do bonde tirando fotos. Porque vocês acham que meus pais estão aí nas fotos fazendo esse passeio? Turistas!

Inicialmente movido a água, em 1897 o Polybahn começou a ser conduzido com eletricidade. Em 1970, após uma crise da companhia que possuía a concessão da linha, foi criada uma fundação para preservar o Polybah em 1972. Mas em 1976, a união de bancos da Suíça, a UBS, comprou a linha e a renomeou para o nome que carrega até hoje, UBS Polybahn.

Graças a renovação feita em 1996, os estudantes podem usufruir diariamente da ligação entre a estação chamada Central até o terraço da universidade. A tecnologia moderna aliada a um revestimento rústico preserva esse, por que não dizer, monumento histórico da Zurique do século 19.

Por essas e outras coisas é que eu acho a pequena Zurique uma cidade charmosa demais.


16 out 2012

A salsicha mais famosa de Zurique

Na terra dos queijos e chocolates há lugar para uma comida típica alemã. Claro que na parte francesa da Suíça se come comidas típicas da França, assim como em Ticino se come pista e sorvete. E na parte alemã? Salsicha, obviamente! Mas como os suíços adoram ser especiais, criaram um restaurante estilo take away de salsichas. O quiosque Sternen Grill é conhecido por ter a melhor salsicha de Zurique. Famosos pela St. Galler Bratwurst, o Sternen Grill vende vende as famosas salsichas desde 1963 na região Bellevue. Já fiz um post sobre essa região próxima o lago de Zurique (aqui).

O legendário quiosque de salsichas está em reformas desde meados do ano passado e ficará pronto em março de 2013. Hoje, o Sternen Grill serve suas salsichas em uma tenta coberta sobre um trailer Air-Stream vintage dos EUA, com mesas para sentar ou comer em pé, localizado no Sechseläutenplatz, ainda em Bellevue. Mas tudo organizado e limpo, com direito a pipi-móvel e tudo.

Nesta mesma área, encontra-se a Casa de Ópera e o Casa de Teatro de Zurique. Ou seja, é a localização perfeita para uma pausa cultural.

Você faz o pedido no caixa e a salsicha já vem na hora com a, também famosa, mostarda picante. Incluso no preço da salsicha é disponibilizado um pedaço de pão, um pouco duro por fora, mas macio por dentro, chamado Gold Bürli. É assim que o pessoal de Zurique come a salsicha. Simples, prático e rápido. A bebida, tirando as garrafas pets tradicionais, é servida na mesa. E para acompanhar a Bratwurst, nada mais certo que uma cerveja!

Ao fazer o pedido é possível pedir um pote com o molho de coquetel (gratuito), para quem não curte mostarda picante. Mas se é a sua primeira vez, prove com a mostarda, mas vá devagar por que é bem forte. Além da Bratwurst, a salsicha branca, tem também a Servelat, a salsicha marrom. O preço da salsicha com mostarda e pão é 7 francos.

No cardápio há também sanduíches de bife, pão pita com vegetais e frango e outros lanches rápidos, mas pra mim, ir à Sternen Grill tem que ser para provar as famosas salsichas de Zurique.

Ainda não sei se é o gosto da salsicha, ou o ambiente que me fascina, pois adoro esse jeito dos “zuriquianos” de pegar um lanche e sair comendo ou sentar-se nas calçadas com os amigos para almoçar. Só sei que Sternen Grill é um local certo para comer se você estiver a passeio por Zurique

Para quem não vai ter tempo em Zurique, mas vai passar pelo aeroporto, uma dica: No dia 1 de outubro foi aberto um novo ponto do Sternen Grill no aeroporto logo na entrada do chek-in 3, perto da estação, aberto das 10 da manhã as 8 da noite.


29 jun 2012

1 ano de Suíça

Um ano atrás eu cheguei na Suíça. Um ano atrás eu deixei tudo e todos sem olhar pra trás! Eram um momento de tristeza e alegria. De despedida e reencontro! Mas uma coisa eu nunca senti: medo. Nem por um instante! Cheguei aqui num dia quente, com duas malas na mão e o coração cheio de coragem. Só.

Nesse um ano muita coisa aconteceu. Me casei, viajei, conheci muita gente e aprendi uma língua nova.

Se foi tudo mil maravilhas? Nem de longe! Me casei longe da minha família e dos meus amigos, senti muita saudade de casa, pensei por alguns instantes em desistir e me senti triste algumas vezes.

Mas, eu faria TUDO DE NOVO de olhos fechados, como fiz há um ano. Felicidade não  tem preço e lutar pela própria felicidade é a maior satisfação do mundo. Que venham mais um, dois, 10 anos de novas experiências, e se Deus quiser, do lado do homem que eu amo.

E a saudade continua!


18 jun 2012

De novo?

Oi?! (tipo oi envergonhado). E mais uma vez eu fiz planos de escrever uma série de posts aqui e não deu certo. Não escrevi mais por vários motivos, mas um deles foi a preguiça. Me sinto tão mal que dá até medo de retomar. Se antes já estava difícil, imagina agora que eu, workaholic assumida, arrumei mais um emprego/bico? Isso mesmo, agora nas tardes que eu tinha livre pra escrever eu estarei ocupada. Mas é temporário, só 3 semans até meus pais chegarem. E como eles estão vindo vou passear bastante, fazer bastente fotos e acabar tendo várias “pautas”. Então espero ter muitas dicas e informações de Zurique pra passar. Mas pra poder passear e mostrar coisa boa tem que ter dinheiro né? Mas em breve o blog vai estar cheio de novidades e lugares lindos pra ver! Eu sei que não deveria prometer, mas eu prometo tá?

Não me abandonem nas visitas!

Beijos e até breve 😉


06 jun 2012

O sistema educacional suíço

Demorou pra pesquisar, demorou mais ainda pra escrever. Entender e depois explicar o sistema educacional da Suíça me levou um bom tempo, mas acho que finalmente eu entendi a diversidade e vou tentar explicar aqui. Mas pra não ficar cansativo vou dividir os posts. Vou dar uma visão geral hoje e amanhã conto como funciona o período de escola obrigatório. Pode ser? Tranquilo?

Vamos por partes, tipo dose homeopática. O mais importante: a Suíça está entre os melhores sistemas educacionais escolares do mundo. O melhor: não é caro, já que tudo é custeado com dinheiro público. Mas peraí, no Brasil as escolas publicas também são pagas pelo Estado. Porque não são excelentes? Sabemos bem por que.

Já as escolas particulares (de jardim de infância à universidade) estão classificadas como uma das mais caras do mundo, mas apenas 5% dos suíços ingressam no sistema privado. Vocês vão perceber a flexibilidade e as inúmeras possibilidades de se ter uma boa formação, seja ela durante ou depois do Ensino Médio.

Como o país tem 4 línguas oficiais (alemão, francês, italiano e romanche), as aulas nas escolas são ministradas em diferentes línguas, depende to Cantão. Mas toda criança na escola primária aprende outra língua oficial do país (neste caso o romanche fica de fora ) e mais o inglês. Ou seja, ensino completo com um plus de falar três idiomas. A diversidade linguística do país reflete também na formação intercultural da criança. Acostumados desde sempre a línguas e culturas diferentes (já que cada cantão tem sua própria identidade), a cada geração que passa as pessoas ficam mais “abertas”. Minha humilde opinião!

Na parte organizacional, o Estado tem a responsabilidade pelas escolas, porém a organização fica a cargo do município, assim como a contratação de professores, grade curricular escolar e feriados. Porém algumas regras vêm de cima (Federal) como a idade mínima para ingressar na escola e a duração do ensino obrigatório. Apenas as Escolas Superiores Técnicas Federais, que como o nome já diz, são controladas pego Governo Federal. Mas não pense que, por que cada cantão se responsabiliza por suas escolas,  vira uma bagunça. É tudo feito em perfeita harmoniza, respeitando cada cantão e sua cultura.

Como a educação aqui é obrigatória, mesmo as crianças filhas de estrangeiros são obrigadas a ir à escola. A idade mínima para começar os estudos é seis anos, mas é oferecido um, digamos, pré jardim de infância antes dessa idade. Os pais são livres para colocar seus filhos, mas mesmo sem a obrigatoriedade a maioria das crianças vai a “escolinha”.

Então existe o ensino infantil – Jardim de Infância, em seguida o ensino fundamental que pode ser dividido em escola primária e escola secundária – com varias ramificações-, e depois há outras opções para quem quer seguir alguma carreira profissional. Tem o Maturitätschule, que é a preparação para a universidade, ou cursos profissionalizantes.  E acima disso tem as Universidades e Institutos Técnicos, mas eu explico com mais detalhes depois!

Como já falei, amanhã vou postar sobre as três etapas do ensino obrigatório, que vou chamar de Jardim de Infância, Ensino Fundamental e Escola Superior. É importante dizer que cantões diferentes podem ter nomes também diferentes para especificar cada etapa do ensino, mas o princípio é o mesmo. Como moro na parte que tem o alemão como língua oficial, vou dar os nomes que eles dão aqui em Zurique, ok?

Espero que vocês gostem!


18 abr 2012

Sechseläuten!

Ontem foi dia de chuva, fogo, superstições e festa em Zurique: foi o feriado de Sechseläuten, quando a cidade dá adeus ao inverno frio e longo e deseja um verão quente e, também, longo. Sim, o inverno já se foi e estamos na primavera, mas a tradição tem mais a ver com os dias mais longos do que com o inverno. (por mais que o símbolo do “ritual” seja um boneco de neve). A tradição de queimar o boneco de neve acontece todos os anos na terceira segunda-feira de abril, desde o início do século XX. Curiosidade: não é só brasileiro que adora uma festa e um feriado. A comemoração nas ruas começa no domingo, um dia antes do evento.

A informação que eu tenho sobre o evento vem do meu professor de alemão, ou seja, foi passada em alemão, então vou fazer um resumo sobre o que eu entendi (e mais uma breve pesquisa na internet) sobre o Sechseläute.

Pouco tempo atrás, na época medieval, não existia eletricidade certo? Certo. Isso fazia com que os trabalhadores terminassem o expediente cedo, pois no inverno por aqui começa a escurecer as quatro horas da tarde. Com o fim do inverno e início da primavera, os dias ficavam mais longos fornecendo assim, mais luz natural, fazendo com que as pessoas trabalhassem até as seis da tarde, e tivessem um tempo livre ainda na luz do dia. E para celebrar essa época as classes trabalhadoras de Zurique, ou grêmios (de sapateiro, padeiro, etc…) se reuniam para uma passeada, e, as seis da tarde a queima de um espantalho/homem de neve, chamado por aqui de Böögg. E para avisar que os trabalhos deveriam cessar, os sinos da Fraumunster (cartão postao de Zurique) tocavam. Sechse = seis, Läute: o tocar dos sinos.

E sim, o pessoal por aqui continua a tradição até hoje. Mas queimar o boneco de neve as seis da tarde não significa, apenas, dar um pé na bunda no inverno, mas é a esperança de um verão gostoso. Na cabeça do boneco de neve, que fica posicionado acima de uma estaca de madeira, há fogos de artifício. Após atear fogo na estaca, o fogo deve subir rapidamente e explodir a cabeça. Se isso acontecer em pouco tempo, siginifca que será um bom verão – quente e ensolarado. Curiosidade: o menor recorde foi de 5:07 (1974) minutos, e o maior 26:23 minutos (2001).

A passeata é conduzida por aqueles que, às seis da tarde, ascendem o fogo no Böögg. Os anos se passaram, mas até hoje as roupas da passeata continuam super tradicionais. A cidade fica cheia de pessoas com roupas medievais. No passado apenas homens associados a “Zunft”, em português grêmios, tinham permissão de participar da passeata, mas dizem as más línguas que o evento é totalmente de direita e o que paga seu passaporte e cima do cavalo é o bom e velho dinheiro e a tradição de pai pra filho foi pro beleléu. Ontem tinha até um grêmio árabe participando. E a celebração da elite (Sechseläute) e dos trabalhadores hoje em dia é festeja em datas próximas, ja que o dia internacional do trabalho é dia 1º de abril. Curiosidade: em 2006 o boneco de neve foi roubado por “revolucionários esquerdistas” dias antes do evento.

A origem de Sechseläute foi na área de Bahnhofstrasse a Bürkliplatz e continua até hoje, com o Gran Finale (a queima do Böögg) em frente a casa da Ópera.

Apesar de Zurique não ser uma cidade enorme e muitas pessoas não se importarem com o evento, a presença de visitantes é enorme, dentre turistas e moradores locais. Difícil é achar um lugar pra assistir ao espetáculo. Em frente ao pátio que é queimado o boneco, há um palco pequeno para a área VIP. Alguns escolhem a casa da Ópera, outros um lugar num barco na beira do rio e outros se aventuram em cima de prédios ou pontos de ônibus. Os que tem comércio também tem uma vista privilegiada das sacadas.

Já a pessoa que vos escreve não tem presença VIP e ficou de baixo da chuva vendo apenas a cabeça do boneco, assim como centenas de outras pessoas, claro.

Eu queria ter feito mais fotos da passeata e chegado mais cedo para garantir um lugar melhor, mas com a chuva e o marido doente não foi tão fácil.

Depois de muito fogo e mais nenhum vestigio do boneco a cabeça ainda não havia estourado, o que fez o povo vaiar bastante. Até que quando ninguém mais esperava, a explosão começou e durou bastante. Foram 12 minutos e sete segundos até a explosão. Todos comemoravam e os barcos no lago apertavam a buzina. Dizem que quando o fogo abaixa um pouco é possível colocar salsichas na brasa e fazer uma social ao redor. Com a chuva que tava ontem, quem lucrou mesmo foram as barraquinhas de comida e buginganga, o que me fez lembrar muito do feriado de finados no Brasil.

E no meio daquele povo todo, a polícia fazia a ordem. Dá pra acreditar que as pessoas soguem exatamente as plaquinhas de entrada e saída?

Como eu não consegui tirar uma foto próximo ao fogo, peguei essa no Flickr.


14 abr 2012

Fotos da semana

Coisa mais adorável meu príncipe loiro de Havainas? Mais adorável que isso só o meu Barman predileto embebedando nossa visita.

Trabalhar com crianças é se tornar, por uma hora, instrutora do Palmitos Park no quintal de casa (pena que esse não é em Grã Canária). Tentei fazer um pudim de Whey Protein e ficou parecendo uma delícia, porém ficou uma porcaria!

Fui numa mina de carvão aqui em Zurique com o pessoal do curso de integração. Muito engraçado!

Todo domingo quando volto da casa da sogra ela me faz trazer as sobras de tudo. Na última vez foi massa de pizza, daí o marido brilhante teve a ideia brilhante de fazer pães de massa de pizza. Como tínhamos salsicha em casa, pedi pra ele fazer com salsicha dentro. Cheguei em casa e encontrei isso. Em vez de salsicha do pão, pão na salsicha!



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