16 jan 2012

Delícia pegajosa

Segunda-feira eu costumo ou costumava, ou tentei ter o hábito, sei lá, de fazer um post sobre as músicas que não saem da minha cabeça. A música que eu quero falar hoje é uma que parece não sair da cabeça do povo brasileiro, pior ainda, da cabeça dos que a odeiam. Pra mim é SÓ mais uma música, daquelas pra dançar, rir e nada mais. Ou seja, jamais pra me estressar. Mas é uma música relevante o suficiente pra tomar meu tempo de sentar na frente do computador e dissertar sobre ela. Ai como eu to escritora! 

No facebook eu vejo muitas, mas muitas pessoas falando que não aguentam mais ouvir falar em Michel Teló, e muito menos na música Ai se eu te pego. Isso porque o cara deve estar fazendo um sucesso do caramba, leia-se fazendo dinheiro pra caramba, e indo a inúmeros programas de TV, cantando o que o que o que? A mesma música de sempre, óbvio.

Ouvir sempre a mesma música cansa. O refrão sempre cola que nem super bonder. Logo que cheguei por aqui era o tal do Kuduro que dominava as rádios. Depois veio a Adele com a lindíssima música Somene like you. E agora, a cada uma hora na rádio, vem meu conterrâneo Michel Teló. Alguém aí nunca enjoou da Adele, cantando uma música super tocante, que se você tá numa pior, te faz querer se jogar na cama e chorar porque o cara casou com outra? Ah, provavelmente não. Adele é cool.

No Brasil Michel Teló não é cool (moderninho, descolado) nem de longe. Toca um som do sul, conhecido apenas pelos mais velhos ou amantes do vanerão, com letras de músicas fáceis e maliciosas. E num país onde viver de status é o mais importante, ninguém quer carregar o crachá de brega não é mesmo? Claro que tem gente que odeia o recém chegado no mercado da música porque gosta de música inteligente (sabe-se lá Deus o que é isso), tocantes e com todo um significado subliminar. Ok. É de se respeitar. Aliás, o respeito à diferença no Brasil nunca foi e está longe de ser dos melhores. Acho importante respeitar as pessoas que não ouvem música APENAS para meditar sobre a vida, tem gente, e bota gente nisso, que quer música apenas pra dançar e se divertir. Sim, se divertir ouvindo Michel Teló. Gosto é que nem aquilo né? Cada um faz o que quiser com o seu.

Bom, por aqui também o status de cool é super importante. Todos querem ser moderninhos e super descolados. Acontece que Ai se eu te pego está tocando não somente nas rádios, mas nas baladas mais chiques (ou talvez chamar de arrogante?) de Zurique. E daqui a pouco todos vão saber de cor o significado da letra e vão ficar também cansados com aquela batida diferente. Mas será que vão fazer propaganda contra o cara? Dizer todo hora que não aguentam mais ouvir a música? Falando claramente, eles vão cagar e andar.

Num domingo qualquer o Amir me chama da cozinha dizendo “corre aqui, você tem que ouvir isso”

A melhor propaganda é sempre a reprovação. Que o diga o produtor do programa Mulheres Ricas, da Band, uma vergonha alheia sem tamanho, e um disparo no Ibope.

Enquanto isso Michel Teló continua perturbando muitos, alegrando outros, e, mais importante: fazendo seu bom pé de meia. Dia 6 de março ele e sua delícia estarão por aqui fazendo um show. E quando muitos se rasgam por dentro de ódio com o evento, eu quero mais é ir e dançar muito com as músicas do, como os gringos dizem por aqui, num sotaque alemão puxado, “Mirrael Têlo”.

Como diz o outro, fazer sucesso no Brasil é pecado!


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