15 out 2012

Egito – parte 3

Mais um post sobre Sharm El Sheikh! No nosso último dia de férias, compramos um pacote de passeio para visitar o Blue Hole. Primeiro um safari no deserto, chá com Beduínos, mergulho com snorkel no paredão de corais, passeio de camelo e, ao final compras no Bazar local.

O jipe nos buscou no hotel as 8 da manhã, já com algumas pessoas dentro, e fomos ao encontro de outro grupo em outro hotel. Tinha o grupo que falava inglês, outro que falava francês e o nosso que supostamente seria o alemão, mas como só havia eu e o Amir do grupo em alemão, o guia decidiu nos juntar ao que falava inglês. No nosso jipe tinha um casal escocês e um outro de algum país que até hoje nós não conseguimos entender qual era, mas que falavam também um inglês muito, muito estranho. Nem a gente nem o guia entendia muito bem o que eles falavam. Hihihi.

Pegamos a estrada geral e em alguns minutos já entramos no deserto. E aí começou o “safari”. O motorista andava muito rápido, fazendo zigue-zague, e subindo todas as montanhas de areia. Imagina o calor dentro daquele carro, com as janelas fechadas, sem ter onde segurar. E os bancos do lado de trás não eram de um carro normal, eram posicionados dois longos bancos na parede de cada janela com cinco pessoas em cada um, sentadas uma de frente para outra. Era todo mundo se batendo dentro e protegendo a cabeça. E olha que não durou pouco tempo! Quando ninguém mais aguentava aquela sacudida toda, chegamos na tenda dos Beduínos.

O calor de 40 graus tava puxado, mas na sombra sempre refresca. Entramos na tenda, que é formada basicamente por tapetes e almofadas. Logo as meninas locais vieram nos servir o chá típico deles. Nesse momento é impossível não olhar ao redor e fazer comparações e se perguntar “como eles podem viver assim?”. No meio daquele calor, as mulheres (sim, só vi mulheres) usam roupas longas e pesadas. E nós, ocidentais, tomamos um bom copo de água gelada pra matar a sede, já eles, tomam chá. Imaginar que não tão longe dali jovens usam e abusam da tecnologia, das regalias do dinheiro, dos milhares de livros, e eles mudando de lugar em lugar em busca de comida e água.

Enquanto bebíamos o chá foi feita uma, infelizmente, breve explicação sobre a cultura daquele povo. Eu fiz algumas perguntas, mas era notável que o resto do grupo não estava nenhum pouco interessado. Que pena. Alguns fizeram cara de nojo pro chá, outros se recusaram a beber, outros comentavam em inglês o quão ruim era. É uma pena mesmo alguém se descolar de tão longe, num país tão rico em cultura, para desfrutar APENAS de águas turquesas. Compramos chá e pulseirinhas deles e partimos para o próximo destino.

Depois de alguma minutos no jipe e uma parada para alugar os equipamentos de snorkeling, chegamos à costa de Dahab. Dirigimos um pouco ao longo da costa e eu me perguntava, cadê esse tal buraco azul? Já tinha visto algumas fotos pela internet antes, mas claro que ver foto tirada de cima é diferente de ver do chão. Passamos por grupos de mergulhadores se preparando para entrar no mar, alguns restaurantes rústicos e chegamos no famoso Blue Hole.

O Blue Hole é tipo uma caverna de baixo d’água com 130 metros de profundidade. A parede da “caverna” é formada de corais e rodeada de peixes coloridos. A beleza encanta mergulhadores do mundo todo, mas também atrais os mais corajosos. Há quem mergulhe apropriadamente equipado ou sem nada, chamado free divers. Não é a toa que o local é chamado de “O cemitério de mergulhadores”. Mas pra quem tem limites e quer só curtir a beleza de longe, o snorkel já dá uma boa ideia da beleza do local.

Logo a frente do mar, estava localizada nosso restaurante, onde deixamos todos nossos pertences com segurança. Nos preparamos para entrar na água, com o tubo respiratório e a máscara. Como eu já sabia que não ia querer descer nem aluguei pé de pato. Para entrar na água é preciso ter cuidado com os corais, por isso há uma plataforma de boias (caixas) da areia até o buraco . Eu entrei na água sem mergulhar, arrumei a máscara, mordi o tudo respiratório, abaixei a cabeça….

-Puta merda que lindo!

Foi a primeira coisa que eu falei quanto coloquei a cabeça pra cima de novo. Minha vista abaixo d’água durou uns 3 segundos, mas foi o suficiente pra me deixar pasma. Confesso que aquela beleza toda me assustou. Eu sempre tive essa sensação com a natureza. Em vez de ficar chocada e admirar ainda mais, eu não consigo olhar. Naquele momento eu me lembrei dos estudos bíblicos que participei quando era adolescente  Eu ouvi dizer que não conseguiríamos encarar Deus tamanho à sua beleza. Deu pra entender minha associação? Coisa doida né?

Bom, meu puta merda que lindo foi falado tão alto e tão inesperado que todos começaram a rir ao meu redor. Após algum tempo olhando pra baixo timidamente e ainda longe do paredão de corais, eu fui me soltando. Até chegar bem pertinho, na frente do meu nariz e curtir os peixes de cores vibrantes nadarem entre minhas pernas.

Depois de, não tenho ideia se 30 minutos ou 1 hora, dentro d’água todos já estavam cansados de boiar e precisando respirar um pouco em terra firme. Afinal, éramos todos turistas e não mergulhadores profissionais!

Voltamos para a nossa tenda/restaurante, dividida em grupos pela língua falada. O grupo dos ingleses era o mais divertido. Como esse povo ri! O nosso grupo, o de línguas estranhas (hihihi), era dividido em três casais, sendo um com duas crianças. A mãe das crianças já chegou reclamando.

-Você gostou? – Ela me perguntou, já se auto negando.

-Muito e você? – Eu respondi entusiasmada, mas perguntei já esperando a resposta negativa.

Ela franziu o nariz, como quem não gostou de nada. E reclamava o tempo todo da quantidade de sal que tinha no corpo. Isso é um fato que eu não esperava! A água do mar é tão salgada que, após se secar, percebe o corpo cheio de acúmulos de sal. Achei impressionante! Mas, de fato, incomoda!

Mas logo veio o almoço, simples, mas bem servido, com várias opções, entre carne, atum, salada, arroz, batata, etc… Tudo pago no pacote!

Depois de comer fomos fazer um passeio de camelo pela costa da praia. Subir no animal é uma ventura! Por que pra se levantar, eles, primeiramente, se apoiam nas patas da frente e é preciso segurar firme pra não cair. E é alto, viu? E alguns não estavam muito contentes com a galera subindo. Se o cão late e o cavalo relincha, o camelo? O camelo blatera. (Aprendendo com a titia Karina). Isso, eles blateravam alto, tipo reclamando mesmo. Assusta, mas os meninos responsáveis mantiveram tudo em ordem. Os camelos começam andando devagar, mas ao sinal dos homens que nos conduzem, ele aceleram o passo, tipo dando uma corridinha. O passeio durou uns 15 ou 20 minutos. O nosso grupo de turistas era grande e as vezes os camelos se chocavam, meu pé encostava hora no bumbum ou na cara de outro camelo. Quem estava na minha frente era o Amir e seu camelo. O camelo dele peidava o tempo todo, e o barulho é super alto. Muito engraçado! Tão engraçado é a cara dos camelos sempre com aquele sorriso maroto/esnobe/blasé na cara.

Tava muito quente, eu estava muito cansada, cheia de sal no corpo, com sede, mas isso tudo não era nada comparado aquela experiência. Tudo valeu a pena.

Depois de descer do camelo os meninos que cuidam dos animais vieram pedir dinheiro. Todo mundo dava 5 ou 10 libras egípcias, que para o turista não é muito, mas pra eles, como gorjeta, está muito bom. Eu tinha uma nota de 200 e outra de 5. Dei a de 5 e o menino pediu mais. Eu disse que não tinha, ele ficou incomodando, até que o Amir falou “Não quer? Então devolve!”. E o nosso guia turístico, percebendo que estavam todos incomodados, falou em voz alta que a gorjeta era opcional, pois tudo já estava pago no pacote do passeio.

Deixamos a costa da praia e conduzimos até a cidade local para comprar água e visitar uma outra praia por 10 minutos. Mas depois de Blue Hole, nada mais me impressionava. E o local não era próprio pra snorkeling. Vale lembrar que há outras praias em Dahab para a prática de outros esportes, como o Wind Surf, Kite Surf e outros. Passamos também rapidamente por um bazar, sem muita coisa pra comprar.

Voltei impressionada para o Hotel. Fechei as férias com chave de ouro! Voltamos a Zurique no outro dia de manhã com a imagem daquele paredão de corais na cabeça. Puta merda, que lindo. Lindo mesmo. Ma’a salama Egito. Até a próxima!

ps: Há dois tipos de camelo, o Camelus bactrianus, conhecido como Camelo, encontrado apenas na Ásia Central, e o Camelus dromedarius, conhecido como Dromedário ou Camelo Árabe. Eu falo no post “camelo”, pois é comum chamar o dois tipos pelo mesmo nome, mas é bom deixar claro que o nativo do Egito são os Dromedários! 


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2 Respostas para "Egito – parte 3"

Michela Neis
16-10-2012 @ (19:55)

Adorei e fiquei louca pra conhecer esses lugares. Pra variar um pouco me fizesse rir muito com os peidos do camelo do Almir hahahahaha muito legal!


Davi Vieira
12-08-2014 @ (05:16)

Que lindo mesmo. Amei teu blog, super divertido e rico! Estou com uma vontade enorme de ir ao Egito, embora tenho um pouco de medo pela segurança, mas enfim! Obrigado por compartilhar “my friend” kkkkkk



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