10 set 2012

Férias – Egito (parte 1)

Ai minhas férias de verão… o local foi mudado várias vezes. Primeira opção foi Ibiza, aí veio a data de viagem do Amir pro Brasil e pensei em ir também, depois mudei pra Turquia, passei um tempo sonhando em ir pra Grécia e acabamos indo pra Sharm El Sheikh. O Egito era um país que eu pensava em visitar há muito tempo, já que a família do pai do Amir é egípcia. Mas sempre pensei que minha passagem pela terra árabe seria mais cultural.

Como queríamos comprar o pacote de viagem Last Minute (compra barata dias ou horas antes da viagem) deixamos para ver o destino três dias antes da data de férias. O local mais interessante e barato seria o escolhido. Fomos levar meus pais no aeroporto e já visitamos uma agência lá mesmo. O preços era absurdos! Nada de preço baixo de última hora. Aí falamos o valor mais alto que pagaríamos, e só havia UMA opção: Sharm El Sheikh, Egito. Não tem tu, vai tu mesmo. 

Não deu nem tempo de pesquisar sobre o local, o máximo que eu sabia é que era uma cidade totalmente turística e um paraíso para mergulhadores. E outra coisa eu já esperava: o calor. Quase chegando ao aeroporto de Sharm El Sheikh, ainda sobrevoando, pude perceber onde estávamos. Bem no meio do deserto. E se aproximando podia perceber que só havia hotéis e deserto pela redondeza. Já em solo, a passagem pelo controle foi mais amadora possível.

Porque você se chama Elmallawany. Perguntou o agente, já que é um sobrenome egípcio.
– Por que meu pai é egípcio. Respondeu o Amir.
-E por que você não tem passaporte egípcio? Questionou o carrancudo egípcio.
-Ah, hmm por que eu nunca fiz um. Disse o Amir, com uma paciência que eu não teria.
-O nome do seu pai, por favor. Ordenou o agente algumas vezes, enquanto o Amir tentava decifrar seu inglês terrível. Zê neime of iur fázêr!

Logo atrás um outro agente, com inglês não menos terrível, implicava com o passaporte  destruído de um jovem. “Mas em Zurique eles aceitaram”, disse o jovem. “Não mas em Zurique mas em Zurique mas em Zurique”, imitava o agente num tom implicante.

Após preencher o visto e pegar dinheiro fomos até o carro que nos levaria até o hotel. E chegando lá encontramos o tal suíço do passaporte repreendido. Depois de um belo drama, todos estavam bem!

Como nosso pacote de viagem era All Inclusive eu só pensava em colocar o biquini e ir pra piscina com um copo de bebida na mão! Aloka.

Ao chegar na enorme recepção, fizemos o check-in e esperamos um bom tempo pelas malas, que no final estavam prontas na porta, mas era preciso esperar alguém pra levá-las pro quarto. Nesse tempo ganhamos drink e curtinhos um pouco do ar-condicionado. E eu já doida pra usar internet, fui descobrir que era paga e não barata. Absurdo! O Amir está se hospedando em hotéis super simples no Brasil com internet gratuita. Mas, primeiro dia não é dia de se incomodar né? E nem férias é hora de facebuquiar (vejamos depois de uma semana!)

Depois de almoçar muito bem, fomos conhecer o hotel. Alguém estava muito agoniado para saber onde era a academia. Lembra daquela infecção estomacal que eu tive um tempo atrás? O Amir também pegou uma e fomos viajar com ele ainda não muito bem. E depois de um bom tempo sem comer direito e malhar, ele estava sentindo-se no paraíso: comida, bebida, academia e praia.

Acabou que a comida super gordurosa de lá fez ele piorar já no primeiro dia, e comida e álcool ficaram de fora da realidade dele. E a graça de beber sozinha? E aqueles drinks todos de graça? Faz como? Não faz! Bebi muito pouco. 

O Resort era tão grande que até mercado tinha dentro. Supermercado e lojas de bugigangas. Eu descobri que Sharm El Sheikh é um Paraguai. Só quinquilharia e objetos falsificados. No Mirabel Beach Resort também tem três restaurantes (fora do sistema All Inclusive. Pizzaria, Culinária Asiática e Árabe), um Spa, um espaço louge (balada) com Dj após a meia noite,  academia, babá e muitas outras coisas. Mas o que me interessava era mesmo relaxar, sem frescuras e gastos extras!

Mas aquele lugar era relaxante demais! Acordar tomar café, ir pra piscina, fazer um lanche, ir pra piscina, tomar banho, jantar, ouvir música ao vivo…. No primeiro dia nós olhávamos para a cara das pessoas e não acreditávamos no desânimo. Aos poucos fomos percebendo que era só falta do que fazer, ou falta do que se estresssar. Nos últimos dias andávamos devagar que nem eles. Rs. E pra combater o sedentarismo aos 25 anos, saímos algumas vezes do hotel para conhecer a redondeza.

Há cinco minutos caminhando, havia um pequeno centro comercial. Bom, havia um centro com barraquinhas e homens fumando na frente dizendo sempre: Hello my friend. Mas antes de passar por essa multidão de Hellos, tivemos que atravessar o portão do hotel cheio de homens oferecendo taxi taxi taxi my friend.
Chegamos no sábado e segunda-feira um moço da agencia de turismo veio nos explicar sobre a cidade, das dicas, mostrar o mapa e oferecer pacotes de viagens. Ele explicou que as ruas eram super seguras, falou que é sempre importante pechinchar o preço das coisas e sempre negociar o preço da ida de taxi antes de entrar no carro. A nossa primeira aventura fora do hotel foi nesse centrinho perto. Eu digo aventura porque passar pela frente das lojas é preciso paciência e jogo de cintura. A cada passo que você dá, alguém te convida pra entrar na loja. Daí logo eles tentam adivinhar de onde a pessoa é. E  meu marido com aquela cara árabe, sempre chamava atenção deles. Daí ele explicava que era filho de suíça e egípcio. Aí a alegria (e lábia) deles começava.

-Então você é egípcio? Você enche de alegria meu coração. Pra você é tudo mais barato. E logo colocavam uma pulseira no meu braço de presente. Presente uma ova, por que depois você se sente mal e acaba comprando algo que não queria ou precisava.

-Então você é muçulmano?
-Não, não sou.
-Mas seu pai é? Se ele é, então você também é.

Ou seja, mãe não vale nada.

Era difícil parar em algum lugar só pra olhar. Eles oferecem de tudo e ficam tentando negociar o tempo todo.

Além de muito simpáticos, os egípcios são também muito galanteadores. E não medem as palavras. Sua esposa é muito linda! Você é um homem de sorte. Ou passando pela frente das lojas, os homens gritavam “Sortudo!”. E o Amir que nunca teve ciúme, começou a segurar forte minha mão e me deixar sempre longe dos vendedores. Teve um que não parava de me elogiar, dizia que eu era a mulher mais linda que ele já tinha visto. e escreveu num papel o nome dele e um coração pra me dar. E pediu pra eu nunca mais esquecer dele e pra entrar na loja e escolher o que eu quisesse. Hahaha. Até que o Amir, com toda delicadeza, foi me arrastando pra longe dele.

Um vendedor me perguntou de onde eu era, e após descobrir que eu era brasileira, fez uma cara de dúvida misturada com animação, e disse:

-Eu nunca vi uma mulher brasileira na vida. São todas como você?

Nessa brincadeira toda de encher meu ego eu ganhei: três vidrinhos de perfume, uma pintura em papirus e duas pulseiras.

Mas as aventuras pela terra do Hello my friend não acabam por aqui. Ainda teve medo no taxi, mergulho no Blue Hole, chá com beduínos e mais!


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Uma resposta para "Férias – Egito (parte 1)"

Beatriz
10-09-2012 @ (19:48)

Amei! Me fez rir!



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