06 mar 2012

Gravatal

Quando eu era adolescente e minha mãe dizia que iríamos à gravatal, ahhh que raiva me dava. Pra mim aquele era um dos lugares menos interessantes na face da terra. Não tinha ninguém da minha idade, nada pra fazer e um calor ou frio muito chato. Até ja escrevi sobre Gravatal aqui, de um jeito mais humorado, hoje é de um jeito nostálgico.

Hoje eu sinto muita falta de ir até aquela cidade pequena e simples. Saudade de comer uma rosca com nata no café, de ir à missa com a vó, saudade de visitar um parente distante, enfim, aquela coisa mesmo de sentir falta quando se está longe.

Gravatal pode estar há muitos e muitos quilômetros de distância de mim, mas sempre na memória. É a cidade que eu nasci e vivi minha infância, e isso marca pra sempre! Fazendo uma leve análise sobre as coisas que me lembram da cidade, eu penso primeiro em quão forte era a religiosidade (não sei se ainda é). Lembro-me das crentes (como chamávamos aquelas mulheres de saia e cabelo longos) e das senhoras indo à igreja aos domingos. Felizmente, fui a muita missa com a minha família, daquelas longas e coreografadas, quando parece que o padre não vai parar de falar nunca!

E quando não tem nada pra fazer? Passear em Termas do Gravatal é a saída. Muitas lojas, muitas malharias e sempre um gringo (argentino) ou gaúcho fazendo compras. E sair pra jantar em Gravatal é com certeza ir nas Termas. Passear uma tarde por lá e ver as pessoas que você “conhece” desde criança ficando mais velhas e criando família dá uma sensação inexplicavelmente aconchegante.

Mas se o dia está lindo e você já foi a igreja e já passeou nas Termas, a melhor ideia é visitar as mini cidades ao redor, como São Roque. Passar por aquelas casas simples e não imaginar como alguém pode viver daquele jeito e ao mesmo tempo se impressionar com a riqueza natural, é aprender a dar valor a outras coisas. Nada melhor como um lugar calmo e silencioso pra por a mente em ordem, não?

Pena que o tempo passa e tudo muda. Hoje quando vou a Gravatal nada é mais como na minha memória. Mas a vida é assim mesmo, já dizia o sábio: “Nada é permanente, senão a mudança“. (Heráclito). O importante é guardar bem guardadinho, na caixinha da memória tudo de bom adquirido na vida.

Bom, deixa eu ir que sessões de nostalgia me deixam filosófica demais!

ps: Estrelando: casaquinhos de lã feitas pela vó!


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6 Respostas para "Gravatal"

Josete Martins Branco
06-03-2012 @ (17:52)

Gostei muito do que li, belo texto !
Um abraço
Josete


karinaazevedo
14-03-2012 @ (16:27)

Que ótimo! Obrigada pela visita! 😉


derli neves
06-03-2012 @ (23:45)

Querida filha, você me encanta cada dia que passa. Sua memória não é tão falha assim né?
BEIJOS E SAUDADES


karinaazevedo
14-03-2012 @ (16:26)

O que é importante a gente nunca esquece, mãe!


Geane
08-03-2012 @ (21:44)

ADOREI SUA HISTORIA ! SE PARECE UM POUCO A MINHA JA QUE TAMBEM ESTOU DISTANTE , DO OUTRO LADO DO OCEANO . NASCI EM RECIFE , MAS TODA MINHA FAMILIA VIVE EM TERMAS DO GRAVATAL ,E ESTAO ME ESPERANDO…NÃO VEJO A HORA DE VOLTAR E ABRAÇAR A TODOS !
BEIJÃOOO PRA VC !


karinaazevedo
14-03-2012 @ (16:26)

Que legal! Então você deve conhecer Gravatal, não? Viver longe não é fácil, mas depois matar a saudade é muito bom! Espero que seu retorno seja exatamente como você deseja! Beijos!!



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