20 dez 2012

Nova etapa

Oi…

Eu sei que é normal um sumiço meu por aqui. O motivo sempre foi o mesmo: falta de tempo. E o motivo do meu novo sumiço continua sendo falta de tempo, com uma pitada de outra coisa. Eu não sei como explicar, não sei como começar, não sei como descrever. Não garanto ser breve…

Eu amo fazer planos, amo me organizar, pois pra mim é a única maneira de fazer as coisas que eu quero acontecer. E com meu novo destino, Buenos Aires, a minha aflição por planejar aumentava a cada dia. No final do mês passado eu tinha encerrado meu contrato de trabalho, então estava só pensando em mim. Puro egoísmo mesmo. Mas afinal, qual seria minha outra preocupação?

Na terça-feira, dia 4, acordei cedo, mesmo sabendo que não haveria aula de alemão. Logo li uma mensagem da minha mãe me perguntando “Está tudo bem? Preciso falar contigo”. Eu preparei meu café da manhã como de costume, com minhas deliciosas panquecas proteicas, sentei em frente a TV, comi assistindo televisão, enquanto mandava mensagem pra minha mãe dizendo que tudo estava bem.

Meu marido me deu tchau e foi pra universidade, e eu fiquei conectada esperando pra falar com minha mãe. Não demorou muito ela e meu pai ficaram online. Eu havia tirado a manhã para resolver umas coisas para o blog, como pagamento de .com e site de hospedagem. Vi meu pai online e logo fui pedir pra ele pagar a conta pra mim, já que era boleto bancário do Brasil. Enquanto eu explicava a ele o que precisava, minha mãe conversava comigo meio vagamente e me perguntava se eu já tinha falado com meu pai. Pelas manhãs ele já está no trabalho e ela em casa. Meu pai me deu o ok sobre o pagamento da fatura, mas disse que faria online, pois não estava em casa. Após a negociação ele me perguntou se eu já havia falado com minha mãe, enquanto minha mãe me perguntava se eu já havia falado com meu pai. E eu, que não gosto de enrolação, comecei a perguntar o porquê daquele troca-troca. Meu pai parou de me responder e minha mãe falou que meu pai estava bem, mas estava no hospital. E eu, meio perdida, mas ainda calma, perguntei pra ele o que estava acontecendo. Sem resposta, perguntei o mesmo para minha mãe. Ela, que demora para digitar, não enviava nada. E eu só a espera da mensagem, já avisada pelo facebook que estava sendo digitada. Até que ela escreve algo como “ele foi pro hospital achando que era anemia, blablabla, é leucemia. O resto eu não sei mais.

O meu grito foi assustador, vindo lá de dentro, daqueles que se dá apenas algumas vezes na vida. Foi meu primeiro. O primeiro susto real na minha vida. Amparada pela minha amiga e colega de apartamento eu fui me acalmando, até conseguir voltar a frente do computador. Mas eu não queria mais nenhuma informação.

Entre passos perdidos no meio do meu quarto, e muitas idas até a sacada, encarando o frio e usando cada tragada do cigarro pra pensar, eu decidi: vou o quanto antes pro Brasil. Ainda no mesmo dia conversei a noite com a minha mãe pela webcam. Eu estava calma e decidida. Uma única vez na vida eu pulei uma janela sem saber o que estava por vir. Mas pulei com vontade, com sede de mais e mais. Aquela janela me levou à Suíça. Essa nova janela que se abriu a minha frente era estreita, e de novo sem saber o que estava por vir, eu me arrastei até ele, escalei e atravessei.

Estou no Brasil desde 8 de dezembro, meu marido chega dia 30 de janeiro.

Bom, essa é a nova etapa da minha vida, encarar o meu maior medo. O resto vem com o tempo, assim como outras notícias sobre mim. Não vou abandonar esse espaço aqui, pois eu sei que tem bastante gente que me acompanha. Só que agora com menos ansiedade, e sabendo que nem tudo depende de mim.

“Mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma. Até quando o corpo pede um pouco mais de alma. A vida não para…”


20 nov 2012

Novas oportunidades

Quem segue o blog sabe com o que eu trabalho. Quem ainda não sabe pode ler aqui 😉 Neste mês faz um ano que estou trabalhando com essa família, mas aos poucos o trabalho foi me frustando. Primeiro por que cuidar de crianças é difícil, acredito que mais ainda quando as crianças não são suas. Segundo por que esse nunca foi meu trabalho dos sonhos. Aliás, está bem longe de ser. Mas um ano atrás e estava aqui por apenas 4 meses e não falava nada de alemão. Era o trabalho ideal para ganhar um bom dinheiro sem trabalhar todos os dias.

Aos poucos o trabalho foi me saturando, e levando a um nível de estresse não saudável. Eu queria mudar de emprego, sair da zona de conforto ou até procurar um curso pra fazer. Eu comecei a me sentir, finalmente, segura com meu nível de alemão. Eu sou muito exigente, mas eu comecei a conversar em alemão, a receber elogios, e a acreditar que eu já poderia dar um passo maior. Mas meu marido veio com uma ideia: estudar um semestre em Buenos Aires. Eu fiquei super empolgada, mas também um pouco frustada por deixar meus planos para mais tarde. Eu quero me estabilizar aqui, estudar algo que me permita trabalhar com o que eu quero. Mas com esses novos planos, é preciso guardar dinheiro, e, consequentemente, continuar trabalhando, já que começar um novo emprego por alguns meses não seria, digamos, financeiramente, inteligente. Além de tudo, os pais das crianças me adoram e fazem de tudo para eu não largar o emprego. Me ofereceram o emprego de volta em agosto do ano que vem. Mas, pra mim, não dá.

Após algum tempo em crise, sem saber o que fazer, o que dizer, como ficar feliz eu pensei: é uma grande chance! É uma “pausa” de 6 meses que vai me trazer muita experiência boa. Além de ficar mais perto da minha família. O Amir também ficou confuso por que a viagem à Buenos Aires tira da gente algumas possibilidades, como a de viajar bastante ano que vem (por conta do dinheiro que precisamos guardar e por não estar na Suíça), mas também dá a ele a última possibilidade de fazer intercâmbio, já que ele se forma final do ano que vem.

Muita indecisão, muita conversa, minha frustração e no final, como nós sempre fizemos juntos, um acordo: somos jovens, cabeça aberta e queremos experiência na vida, então VAMOS A BUENOS AIRES!

É isso, no dia 5 de fevereiro viajo para o Florianópolis, e provavelmente no final do mês vamos para o país dos hermanos. O melhor amigo do Amir vai fazer o intercâmbio também, só não sei se vai para Floripa. Já temos uma lista de amigos daqui que irão nos visitar, no Brasil e na Argentina. Só resta saber se meus amigos também irão me visitar e comer alfajor 😉 hihihi

Mais uma vez, é uma janela se abrindo e sem saber o que tem do outro lado, eu vou pular.


19 nov 2012

Unindo duas culturas em um casamento

“Você faz as malas, se muda para outro país, e na hora de abri-las, percebe que nem tudo que pertence a você veio junto”

Veem as lembranças, os aprendizados, sua bagagem cultural, mas muitas coisas ficam no seu país de origem. Esse foi o primeiro tema do workshop Zwei Nationalitäten – Ein Zuhause, Duas nacionalidades – Um só lar (tradução livre) sobre casamento binacional oferecido pela prefeitura de Zurique. A palestra foi dada, na última sexta-feira, por uma psicóloga brasileira, casada com um suíço há 36 anos. Ela falou sobre as expetativas de um casamento, sendo que um dos dois terá que não somente se mudar, mas mudar muito sua rotina.

Para quem quer se casar com um suíço ou suíça ou já está casado mas precisa de informações pode participar do workshop gratuitamente. Há traduções em inglês e espanhol.

O programa é dividido em 4 partes:

*Parceria Binacional: Desejo e Realidade.
Data: 16/11. Horário: 19:00 – 21:00

*Formalidades do casamento e autorizações de residência.
Data: 20/11. Horário: 19:00 – 21:00

*Perguntas jurídicas e soluções de problemas em relacionamento binacional.
Data: 29/11. Horário:19:00 – 21:00

*Não perca a conexão: A procura de emprego e o desenvolvimento da carreira profissional no contexto de casais binacionais.
Data: 4/12. Horário: 19:00 – 21:00

Local: prefeitura de Zurique, Stadthaus. Sala: Musiksaal, terceiro andar.
Endereço: Stadthausquai 17.
Como chegar: Tram 4 ou 15 até a parada Helmhaus. Tram 2, 6, 7, 8, 9, 11 ou 13 até a parada Paradeplatz.


15 nov 2012

Cheirinho

Na maioria das vezes dado no cantinho do pescoço, o famoso cangote, hihi. De vez em quando um cheirinho é mais gostoso que um beijinho.

Cheirinho, uma das primeiras palavras estranhas que ele aprendeu comigo. (Quem me conhece sabe que eu invento palavras toscas, e claro, ele aprende todas)

E há coisa melhor do que eu cheirinho de quem a gente ama?


14 nov 2012

Voltei!

Após uma louca no meu laptop (não comprem Dell) e está milagrosamente de volta a vida. Não tinha como escrever com o laptop desligando a cada 1 minuto. Mas agora minhas fotos estão todas espalhadas, pois comecei a fazer um backup com medo de perder tudo. Preciso reorganizar tudo para voltar a postar! Até peguei emprestado o laptop da minha amiga, mas o teclado é alemão e não dava pra escrever sem acentos.

Além disso, peguei uma gripe uma semana atrás e fiquei meio “fraquinha”.

Pensei em dar uma parada e voltar só em janeiro, já que minha vida andou meio complicada nas últimas semanas. Estava louca pra largar o emprego e não tinha vontade nenhuma de fazer nada. Mas aos poucos tudo se revolve e em breve vou contar minha novidade!

Beijinhos de 7°C

😉


30 out 2012

O bondinho amarelo

Domingo passado, esperando nosso tram (bondinho) no ponto, o Amir e eu tivemos uma surpresa. O tram por aqui é longo e azul e branco e o que parou no ponto era amarelo e pequeno. Nós olhamos sem entender, achando que era apenas uma demonstração dos bondes antigos. Mas para a nossa surpresa saiu um senhor vestido muito elegante, nos convidando a entrar.

Logo que entramos, o senhor explicou que aquele era um bondinho de 112 anos que pertence a um museu de Zurique, o Tram Museum, renovado por pessoas com profissões comuns, mas com a reparação de bondes antigos como hobby. 

As ruas estavam cheias de neve e andar naquele bonde tão pequeno e antigo foi uma experiência e tanto. E dessa vez não fiquei acanhada em tirar fotos, pois os próprios suíços faziam o mesmo. Ao final, quem quisesse colaborar com algum dinheiro era só deixar na caixinha na saída. Paramos no ponto da estação de trem e demos adeus aquele pedacinho da Zurique de 1900. Me senti ainda mais feliz em morar em uma cidade que preserva sua cultura e principalmente os elementos culturais.

Depois do bondinho vermelho, mais uma visão de Zurique, quando o passado de junta ao presente:


19 out 2012

Fotos da semana

Meu nome é Karina.

Bengali:

Língua tibetana:

Curdo:

Árabe:


17 out 2012

O bondinho da universidade

Zurique é uma cidade de morros. Há partes planas, como o centro da cidade, mas a redondeza, parte mais cara da cidade, é feita de inclinadas. Uma dessas partes altas é a localização da Universidade de Zurique e do ETH (Polytechnikum, ou “Poly”).

O bondinho, que liga o centro da ligado à universidade, foi criado em 1889, com o nome de Zürichbergbahn, mas pela proximidade à Escola Politécnica, foi sempre chamado de Polybahn (bahn = trem). Hoje, ele transporta quase dois milhões de passageiros por ano.

A linha consiste em dois carros/bondes conectados por um cabo. A medida que um sobre o outro desce, se encontrando sempre no meio do caminho. O tempo de espera é sempre em torno de três minutos. A subida (ou descida) pode ser feita de segunda a sexta, das 6:45 às 19:15, e aos sábados das 7:30 às 14 horas.

O caminho com o Polybahn dura menos de dois minutos. A linha tem apenas um ponto. Abaixo, encontra-se a estação de ônibus e bonde chamada Central, como o nome já diz, é a parte central de Zurique. Ali também fica uma biblioteca, acho que uma das maiores da cidade, e também um ponto Starbucks, ou seja, perfeito para estudantes. Uma estação antes fica a estação principal de trem. Acima (parada do bondinho) encontra-se o terraço da ETH, o Instituto Tecnico Federal, e ao lado a Universidade de Zurique. Devido a isso, a linha é usada, na maioria das vezes, por estudantes.

Outro acesso à Universidade a ao ETH, é a escadaria próximo à estação do Polybahn.

Em Zurique, existe apenas duas estações de bonde como essa. A segunda da acesso ao hotel mais famoso da cidade, o Dolder Hotel, chamada Dolderbahn. Polybahn é a linha mais curta da cidade de Zurique.

O Polybahn tornou-se também uma atração turística, sendo referenciado em guias turísticos e em cartões postais. Não é raro encontrar um grupo de chineses dentro do bonde tirando fotos. Porque vocês acham que meus pais estão aí nas fotos fazendo esse passeio? Turistas!

Inicialmente movido a água, em 1897 o Polybahn começou a ser conduzido com eletricidade. Em 1970, após uma crise da companhia que possuía a concessão da linha, foi criada uma fundação para preservar o Polybah em 1972. Mas em 1976, a união de bancos da Suíça, a UBS, comprou a linha e a renomeou para o nome que carrega até hoje, UBS Polybahn.

Graças a renovação feita em 1996, os estudantes podem usufruir diariamente da ligação entre a estação chamada Central até o terraço da universidade. A tecnologia moderna aliada a um revestimento rústico preserva esse, por que não dizer, monumento histórico da Zurique do século 19.

Por essas e outras coisas é que eu acho a pequena Zurique uma cidade charmosa demais.


16 out 2012

A salsicha mais famosa de Zurique

Na terra dos queijos e chocolates há lugar para uma comida típica alemã. Claro que na parte francesa da Suíça se come comidas típicas da França, assim como em Ticino se come pista e sorvete. E na parte alemã? Salsicha, obviamente! Mas como os suíços adoram ser especiais, criaram um restaurante estilo take away de salsichas. O quiosque Sternen Grill é conhecido por ter a melhor salsicha de Zurique. Famosos pela St. Galler Bratwurst, o Sternen Grill vende vende as famosas salsichas desde 1963 na região Bellevue. Já fiz um post sobre essa região próxima o lago de Zurique (aqui).

O legendário quiosque de salsichas está em reformas desde meados do ano passado e ficará pronto em março de 2013. Hoje, o Sternen Grill serve suas salsichas em uma tenta coberta sobre um trailer Air-Stream vintage dos EUA, com mesas para sentar ou comer em pé, localizado no Sechseläutenplatz, ainda em Bellevue. Mas tudo organizado e limpo, com direito a pipi-móvel e tudo.

Nesta mesma área, encontra-se a Casa de Ópera e o Casa de Teatro de Zurique. Ou seja, é a localização perfeita para uma pausa cultural.

Você faz o pedido no caixa e a salsicha já vem na hora com a, também famosa, mostarda picante. Incluso no preço da salsicha é disponibilizado um pedaço de pão, um pouco duro por fora, mas macio por dentro, chamado Gold Bürli. É assim que o pessoal de Zurique come a salsicha. Simples, prático e rápido. A bebida, tirando as garrafas pets tradicionais, é servida na mesa. E para acompanhar a Bratwurst, nada mais certo que uma cerveja!

Ao fazer o pedido é possível pedir um pote com o molho de coquetel (gratuito), para quem não curte mostarda picante. Mas se é a sua primeira vez, prove com a mostarda, mas vá devagar por que é bem forte. Além da Bratwurst, a salsicha branca, tem também a Servelat, a salsicha marrom. O preço da salsicha com mostarda e pão é 7 francos.

No cardápio há também sanduíches de bife, pão pita com vegetais e frango e outros lanches rápidos, mas pra mim, ir à Sternen Grill tem que ser para provar as famosas salsichas de Zurique.

Ainda não sei se é o gosto da salsicha, ou o ambiente que me fascina, pois adoro esse jeito dos “zuriquianos” de pegar um lanche e sair comendo ou sentar-se nas calçadas com os amigos para almoçar. Só sei que Sternen Grill é um local certo para comer se você estiver a passeio por Zurique

Para quem não vai ter tempo em Zurique, mas vai passar pelo aeroporto, uma dica: No dia 1 de outubro foi aberto um novo ponto do Sternen Grill no aeroporto logo na entrada do chek-in 3, perto da estação, aberto das 10 da manhã as 8 da noite.



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