08 jan 2013

O medo e a realidade

1 – O diagnóstico

Vocês sabem bem como eu me senti quando descobri que meu pai estava com Leucemia, como eu contei aqui. Vim para o Brasil com o coração na mão e coberta de esperança. Logo que cheguei visitei meu pai no hospital, que parecia tão bem e ninguém conseguia acreditar que ele estava com a doença. Ele deveria ficar 30 dias no hospital internado fazendo o primeiro protocolo (seções de quimioterapia). Eu alternava meus dias de visita com a mãe, que ia com mais frequência e fazia companhia a ele. Como eu estava resolvendo as questões burocráticas da vida que segue, minha visita era sempre acompanhada de um documento ou o laptop, para checar pagamentos e afins. Mesmo com medo e o coração na mão, eu ainda tinha o que fazer por ele. Pesquisei bastante sobre a  doença, conversei com médicos, liguei para outros hospitais, contatei amigos… Enfim, tudo em busca do melhor para meu pai. O vi algumas vezes fazendo a quimioterapia, recebendo bolsa de sangue ou até mesmo com as plaquetas baixas demais, o deixando com uma aparência apática. Chorei muito e senti tanto medo que nem sei explicar hoje.

2- Os efeitos da quimioterapia

Ele seguia tão bem o tratamento, que nós (família e amigos) estávamos certo que em algumas semanas ele voltaria para casa, para dar continuidade ao tratamento. Só que a quimioterapia mata tudo, tudo de bom e de ruim. E com a baixa de imunidade que a própria doença causa, com a quimioterapia baixou mais ainda. No Natal ele pediu para ficar sozinho, queria usar aquele dia como um retiro espiritual. Nós respeitamos. Compramos presente de Natal e esperamos o dia 25 para entregar. Nesse dia minha mãe foi para o hospital fazer a visita e ele já estava muito fraco. A mãe voltou para a casa e contou que ele estava fraquinho. Ficamos todos preocupados, achando que ele estava desistindo. No outro dia minha mãe retornou ao hospital para visitá-lo, e eu, sempre muito ansiosa para saber notícias, liguei para saber como andavam as coisas. Ela dizia que ele continuava muito fraco, mas eu não tinha ideia do quanto. Perguntei se ele estava se deixando levar e ela disse “Não, ele vai voltar pra casa! Não é Zé? Diz pra Karina que tu vai voltar pra casa.” Eu já comecei a chorar e pedi pra que ela não passasse pra ele. Mas ela passou e ele disse “siiiiim, vooooou” numa voz tão fraca que me doeu tudo por dentro.

Minha mãe voltou pra casa dizendo que os médico haviam liberado a estadia dela no quarto dele, até então proibida. Aquele medo que me visitava a cada minuto, se estacionou na frente do meu nariz. Algo está dando errado.

3- Encarando mais um desafio

Eu não queria vê-lo, pois sabia que não iria aguentar meu emocional, mas mesmo assim subi até a ala do meu pai para conversar com a médica. A doutora me disse que eu poderia vê-lo, mas eu insisti que não. Foi então que ela me explicou que o quadro dele era grave, pois ela estava com a imunidade em 0%. Nesse momento meu pai passa do meu lado em uma maca. Ele, que justamente fazia tudo normalmente dentro do hospital. O meu pai! Eu entrei em desespero. Após a volta dele ao quarto, depois de uma tomografia na cabeça, devido as dores fortes, eu aguardei na salinha de visitas. A psicóloga conversava comigo, tentando me acalmar e me convencer a ver ele. Eu colocava o pé na porta, ouvia ele gemendo de dor e voltada. Entrava mais um pouco, via apenas os pés e voltava. Era medo de ver meu pai de uma maneira diferente. Me senti covarde! Até que fui até a porta de novo, vi que ele tinha os olhos fechados e pensando que ele estava dormindo, entrei. Não tinha mais como sair. Eu fiquei e falei que eu estava ali. Ele não abriu o olhos. Colocava a mão na cabeça e no estômago reclamando de dor. Até então nenhuma palavra tinha saído da boca dele. Os batimentos cardíacos aumentaram e a enfermeira apontou pra mim, querendo dizer que era devido a minha presença. Ela perguntavam algo pra ele e ele respondia com o dedo. Até que ele abriu bem rapidinho o olho esquerdo e me espiou. Foi a última vez que vi meu pai acordado.

3- A UTI

Na noite seguinte minha mãe liga dizendo que ele estava mais calmo e dormia já há algum tempo. Fui dormir aliviada e agradecendo todas as orações feitas pelos amigos. Na manhã seguinte ela liga para avisar que ele estava sendo transferido para a UTI devido a um choque séptico. Foi aí que minhas forças entraram em ação. Eu já tinha sentido tanto medo e tanta angústia que não me restava mais nada além de ser forte. Fui buscar minha mãe na UTI aquele sábado, 29 de dezembro. De domingo até hoje vou todos os dias ouvir o laudo médico. Só entrei no quarto dele dia 31 de dezembro a noite. Tentei entrar a tarde, fui até perto da porta, mas minha dor não me deixou. Voltei pra casa, mas me sentindo novamente tão covarde, já que meu irmão e minha irmã já tinham entrado a tarde. Era o ultimo dia do ano e eu precisava falar com ele, mesmo que ele não me ouvisse. O medo dessa vez foi o maior de todos, que a cada passo que dava eu urinava. MEDO. TRISTEZA. Entrei no quarto e vi o que eu jamais me preparei para ver.

Nesses 9 dias ouvindo o boletim através dos médicos, mas sem ver a situação, eu criei uma força que me assusta. Já senti saudades, a dor da perda, a desilusão, o medo e todos os outros sentimento embutidos nessa realidade. Não há mais o que sentir nesse momento. Nem o que fazer, a não ser esperar. Só não posso pensar muito, por que o pensar assusta, e eu preciso manter meus dois pés bem no chão.

Milagres acontecem, não é mesmo?


01 jan 2013

Recomeço

“Quem teve a ideia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de ano, foi um  indivíduo genial.

Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão.

Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos.
Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui pra diante vai ser diferente.”

Carlos Drummond de Andrade

Tem sentimentos que só primeiro de janeiro nos proporciona não é mesmo? O recomeço é uma escolha e às vezes a fazemos por não haver mais opções.

Estou ainda um pouco perdida, e meu foco anda meio desfocado (desculpa o trocadilho).

Prometo voltar todos os dias, mesmo que seja pra postar de uma forma diferente que eu costumava fazer.

Bóra recomeçar! Vocês me ajudam?


20 nov 2012

Novas oportunidades

Quem segue o blog sabe com o que eu trabalho. Quem ainda não sabe pode ler aqui 😉 Neste mês faz um ano que estou trabalhando com essa família, mas aos poucos o trabalho foi me frustando. Primeiro por que cuidar de crianças é difícil, acredito que mais ainda quando as crianças não são suas. Segundo por que esse nunca foi meu trabalho dos sonhos. Aliás, está bem longe de ser. Mas um ano atrás e estava aqui por apenas 4 meses e não falava nada de alemão. Era o trabalho ideal para ganhar um bom dinheiro sem trabalhar todos os dias.

Aos poucos o trabalho foi me saturando, e levando a um nível de estresse não saudável. Eu queria mudar de emprego, sair da zona de conforto ou até procurar um curso pra fazer. Eu comecei a me sentir, finalmente, segura com meu nível de alemão. Eu sou muito exigente, mas eu comecei a conversar em alemão, a receber elogios, e a acreditar que eu já poderia dar um passo maior. Mas meu marido veio com uma ideia: estudar um semestre em Buenos Aires. Eu fiquei super empolgada, mas também um pouco frustada por deixar meus planos para mais tarde. Eu quero me estabilizar aqui, estudar algo que me permita trabalhar com o que eu quero. Mas com esses novos planos, é preciso guardar dinheiro, e, consequentemente, continuar trabalhando, já que começar um novo emprego por alguns meses não seria, digamos, financeiramente, inteligente. Além de tudo, os pais das crianças me adoram e fazem de tudo para eu não largar o emprego. Me ofereceram o emprego de volta em agosto do ano que vem. Mas, pra mim, não dá.

Após algum tempo em crise, sem saber o que fazer, o que dizer, como ficar feliz eu pensei: é uma grande chance! É uma “pausa” de 6 meses que vai me trazer muita experiência boa. Além de ficar mais perto da minha família. O Amir também ficou confuso por que a viagem à Buenos Aires tira da gente algumas possibilidades, como a de viajar bastante ano que vem (por conta do dinheiro que precisamos guardar e por não estar na Suíça), mas também dá a ele a última possibilidade de fazer intercâmbio, já que ele se forma final do ano que vem.

Muita indecisão, muita conversa, minha frustração e no final, como nós sempre fizemos juntos, um acordo: somos jovens, cabeça aberta e queremos experiência na vida, então VAMOS A BUENOS AIRES!

É isso, no dia 5 de fevereiro viajo para o Florianópolis, e provavelmente no final do mês vamos para o país dos hermanos. O melhor amigo do Amir vai fazer o intercâmbio também, só não sei se vai para Floripa. Já temos uma lista de amigos daqui que irão nos visitar, no Brasil e na Argentina. Só resta saber se meus amigos também irão me visitar e comer alfajor 😉 hihihi

Mais uma vez, é uma janela se abrindo e sem saber o que tem do outro lado, eu vou pular.


15 nov 2012

Cheirinho

Na maioria das vezes dado no cantinho do pescoço, o famoso cangote, hihi. De vez em quando um cheirinho é mais gostoso que um beijinho.

Cheirinho, uma das primeiras palavras estranhas que ele aprendeu comigo. (Quem me conhece sabe que eu invento palavras toscas, e claro, ele aprende todas)

E há coisa melhor do que eu cheirinho de quem a gente ama?


25 set 2012

Beijo

Tem beijo lá e acolá. Tem beijo na nuca que faz os cabelinhos do braço levantar. Beijo de amigo, que sucede um abraço. Três beijinhos, dois ou um na bochecha, sempre incertos, que faz você se atrapalhar e parecer uma pateta. Tem beijinho do mãe sobre o machucado. Tem também o beijo galanteador na mão. Mas só um te faz sentir borboletas no estômago…Seja ele estalado, demorado, sutil ou apimentado. É nesse momento que me sinto mais próxima dele!


02 set 2012

Terapia: escrever

É difícil. É tão difícil. É muito difícil!

Fica difícil de ser feliz. Sabe aquela sentimento de estar 100% feliz? As vezes some.

Daí eu fico louca e penso que não aguento mais. Abro as mensagens do telefone e vejo mensagens dele. “Você sabe o quanto eu te amo? Sem você não sou nada!”. E um pouquinho mais de força me aparece.

Até quando uma saudade pode ser forte a ponto de fazer você desistir de tudo aquilo que sempre quis? Até onde podemos seguir balanceando o racional e o emocional? Me imaginar jogando a toalha e no futuro ver o meu presente como coisa do passado me deixa louca. E o que fazer? Pra onde correr? O que falar?

Tem dias que eu acordo e penso: Dane-se aprender alemão, dane-se país de primeiro mundo, eu quero mais é voltar pro Brasil. Aí no mesmo momento eu penso como é estupida essa ideia, e como eu me sentiria sabendo que deixei o amor da minha vida pra trás. Mas aí você se pergunta: Porque ele não vai pro Brasil com ela? Hoje não tem como, ele estuda e largar uma universidade como a dele seria também estúpido.

Mas assim eu continuo tentando, continuo respirando fundo e lutando por esse amor. Porque família vai sempre estar lá, assim como o país. Eu quero meu casamento até que a morte nos separe, por isso continuo aqui. Mas caso nada der certo, daí sim eu volto com tudo para um recomeço.

O amor é o que faz a gente ter coragem de encarar o novo, ou recomeçar, seja ele por alguém ou pro si próprio. E o meu recomeço a cada dia é por amor a alguém. Mas não pense que deixo meu amor prórpio de lado. O motivo que eu continuo aqui é o meu amor por ele, mas a força que me faz continuar, é o meu amor próprio, o mais forte e verdadeiro amor que existe em mim.

Obs.: Comecei o poste totalmente perdida, só jogando palavras que me vinham a cabeça. E no final me senti bem. Observação mais importante! Não quero que as pessoas que me amam fiquem preocupadas comigo. Eu to bem!


12 jun 2011

Do you wanna be my valentine?

Desculpem a falta de acentos acima! (A pressa é inimiga da perfeição!)

E o dia dos namorados chegou! Pra felicidade de uns, tristeza de alguns, e indiferença de outros. Li no facebook uns dias atrás uma amiga, parafraseando outra, se questionando porque necessitava passar os dias dos namorados com um namorado, pois por acaso ela passa o dia dos índios com um índio? Faz sentido.

Mas o que mais me impressiona nesse dia, não é o desespero das “solteironas” em ter um namorado. Digo solteirona porque só as que se auto-intitulam assim sofrem nesse dia. Há mulheres sem namorado que jamais ligaram pra essa data. Então o que mais me assusta é os sites e revistas de moda/tendência fazendo listas enormes e quase sempre carérrimas de presente para os namorados. Algumas até se arriscam a dizer o que você NÃO PODE, de jeito nenhum, dar para o seu namorado. (ÃÃÃNNNN??)

Será que estamos caminhando pra uma supervalorização do valor etiquetado das coisas até no quesito relacionamento? Acho que se você precisa de conselhos do que dar pra o SEU namorado, é hora de reavaliar algumas coisas. É, eu só acho mesmo, aqui no blog é tudo baseado na filosofia do achismo.  Daí você faz uma lista que tem, sei lá, uma camiseta muito massa, um tênis da moda, um CD/DVD e sei lá mais o quê. Acho que esse tipo de presente se dá em Natal e aniversário. Estou falando isso sem experiência nenhuma! Nunca tive um namorado comigo no dia 12 de junho de qualquer ano. Namoro há dois anos, estou há um mês do casamento e nunca passei dia dos namorados com o Amir. Falo tudo isso porque de tanta distância, tanta saudade de um aconchego, carinho, beijo, amasso, tanta vontade de olhar no olho, tudo que eu queria hoje, era meu namorado aqui comigo. E se estivesse , não o esperaria com uma caixa com um laço vermelho em cima, nem me importaria se ele viesse de mãos vazias. Iria recebê-lo de braços abertos, com uma saudade imensa e um enorme alívio em tê-lo por perto, e o convidaria pra fazer qualquer coisa que nunca fizemos nesses dois anos juntos.

Talvez não sairia pra comer sushi nem ir ao motel. Afinal, poderíamos fazer isso qualquer dia. Mas, confesso que também não sei o que faria. Certamente não me importaria em parecer brega, clichê nem piegas, afinal, do que o amor romântico é feito mesmo? De momentos racionais? Quem vai admitir, que uma vez ou outra, fala estilho “nhênhênhê bebezinho” com o namorado? Ah, garanto que você vai dizer que não!

»Image Source«

Feliz dia dos namorados a todos que sabem a delícia que é dormir de conchinha, ter um ombro amigo, um beijo apaixonado e um benzinho pra chamar de _______ (insira aqui o nome estranho que você dá pro seu namorado).


19 abr 2011

A bendita traição

Traição é um assunto bem pesado, não é mesmo? Assunto que desperta várias discussões, mas em uma coisa todos concordam: quem é traído sofre, porque traição dói. Antes que alguém se assuste eu não descobri uma traição, mas uma amiga me contou que acabou de descobrir a traição depois de anos de namoro à distância.

Eu sei que quando alguém pensa em relacionamento à distância, logo pensa na bendita traição. Mas por que associar distância a traição? Existem muitas coisas que podem influenciar pra você levar um belo chifre, mas o principal é a falta de respeito. Os quilômetros que separam você do seu parceiro não têm nada a ver com isso.

Acho tão injusto achar que qualquer relacionamento à distancia resulta em traição, que nem vou me estender muito nesse assunto. Acho que a falta de caráter pode morar do seu lado, ou no outro continente. Conheço amigas que foram traídas com o namorado morando na mesma cidade. No relacionamento à distância você pode não saber o que o outro está fazendo, mas peraí… no relacionamento “normal” é possível saber? É possível saber, com 100% de certeza, quem o outro é? Ninguém sabe, no fundo mal conhecemos a nós mesmos, como conhecer realmente o outro? O lance é viver, amar e respeitar. E esperar reciprocidade. Viver um relacionamento à base de incertezas, insegurança e desconfiança não leva a nada.

Muitas mulheres, principalmente as ciumentas, lutam sempre pela fidelidade, enquanto deveriam ir atrás da lealdade.

Se você foi enganada, não fique pensando que a culpa é sua. A culpa pode ser sua pelo fim do relacionamento, pelo fim do amor, mas você não pode ser culpada por ser enganada. Entende a diferença? Você pode se perguntar várias vezes “Onde foi que eu errei? O que eu não enxerguei?”, mas não pode, jamais, achar que a culpa de uma traição é sua. A comunicação esta aí pra isso, e em um relacionamento o diálogo deve vir em primeiro lugar. Se não tá bom, a gente senta e conversa. Mas ser enganada, achando que mesmo que tudo não esteja mil maravilhas ele ainda te tem como única, e depois de anos descobrir que estava sendo traída é injusto. Porque ser ferida assim é injusto.

Eu não sou especialista em namoro, sexo, ou outra coisa do tipo, muito menos tive muitas experiências, mas talvez essas palavras possam servir de conforto pra alguém especial.

Bola pra frente e amor próprio, SEMPRE!


15 mar 2011

O Shrek também é príncipe encantado

Ai  ai, o príncipe encantado, todas as meninas sonham com um. Cada uma molda, na sua imaginação, o homem perfeito. Em um reality show, ouvi uma garota dizendo que o carinha que ela estava ficando era um príncipe encantado. O tal príncipe zombava dela, não dava a mínima atenção a ela e ainda tinha o péssimo habito de dar tapinhas na cara dela em tom de brincadeira. No meu conceito de príncipe encantado o cara passava longe! Mas como saber se ele é mesmo um príncipe encantado, se a referencia que a gente tem é um homem alto, cabelos sedosos e um cavalo branco?

Hoje eu tenho a sensação de ter ao meu lado (bom, por enquanto nem tão “ao lado” assim) a personificação de muitas qualidades que sempre admirei em um homem. Eu tenho alguém que tem os mesmo gostos quem eu, que na maioria das vezes me entende, ou pelo menos faz um esforcinho, enfim, um homem que me faz feliz. Se ele é perfeito? Não. Aliás, que pergunta boba, ninguém é perfeito. Sim, ninguém é perfeito, mas é difícil descobrir e conviver com isso. Se bem que conviver com a idéia de que seu parceiro não é perfeito, te faz lembrar que tu também não és perfeito.

Fazendo uma leve retrospectiva amorosa, eu me lembro de ter tentado me relacionar com caras tão diferentes de mim. Como poderia dar certo? Não que relacionamento entre pessoas totalmente diferentes não dariam certo, alias não estou aqui pra julgar relacionamento de ninguém. Mas quantas vezes eu me apaixonei por alguém e vendo algo na pessoa que não me agradava, eu pensava “ah isso muda depois” ou quantas vezes já vi amigas namorando pessoas totalmente diferente delas, e vivendo uma eterna batalha pra mudar a pessoa. E no final nunca conseguem. Porque ninguém consegue mudar ninguém. Como minha mãe sempre diz “ninguém muda, apenas piora ou melhora aquilo que é”. Sábio conselho. Pode haver coisas na pessoa amada que você não concorde, hábitos estranhos ou ideologia diferente da sua, coisas que talvez pra você sejam defeitos. Mas quando os defeitos dele são tão bobos que é possível esquecê-los com um simples beijo, ou uma bela conversa, é sinal de que pra você ele talvez possa ser perfeito. Quando você está certa de que viver com esses defeitos possa ser mais prazeroso do que penoso, parabéns, você encontrou alguém pra dividir os próximos momentos da sua vida. Eu acredito que tenha encontrado alguém pra dividir as próximas alegrias (e tristezas) da minha vida. Alguém que eu quero acordar todos os dias ao lado. Alguém que me faz sentir completa. Não sei como é morar junto, não sei como é casar, mas estou totalmente disposta a tentar.

Depois de dois anos dando toda a minha energia em um relacionamento à distância, ta na hora de juntar os trapinhos, de ser feliz juntos por mais de três meses. De acordar ao lado dele e não me preocupar que daqui a pouco ele, ou eu vamos ter que partir. Dia 28 de abril e deixo o Brasil pra morar junto com o cara que mim é um príncipe encantado. O meu príncipe, que eu tanto pedi a Deus durante muito tempo. Não vai ser fácil, eu sei – antes que algum pessimista fale isso, mas pretendo continuar compartilhando minhas humildes e simples palavras aqui, nesse diário virtual. Tantas idéias eu já tive a respeito de relacionamentos e agora vou me aventurar em coisas maiores, mais sérias, e bem longe de casa.


03 set 2008

Amor, amor

Sofrer por amor é inevitável. A dor de quando um relacionamento acaba, ou quando perece que vai acabar nos faz sentir o mundo virar de cabeça pra baixo (tudo bem, ele vira literalmente a todo instante). Porque, convenhamos, se tudo acabou sem dor, então não era amor. Eu não sei exatamente o que é, mas vamos nomear de amor o sentimento entre namorados. No início do namoro o amor é gostoso, mas mesmo assim dói um pouco, dói pela insegurança. No meio tempo do namoro também dói, porque sempre tem uma briga e te faz ficar agoniada por uma semana ou duas horas, o que dói igual. E no fim quando tudo acaba o amor continua machucando quem foi deixado. A pessoa chora, ouvindo mil vezes a música do Djavan, não come, não sai pra passear. E não adianta alguém dizer “não sofre, vai passar”. Tudo bem, vai mesmo, mas enquando não passa, o amor te causa uma dor insustentável.

Tem vezes que o sofrimento não é só pelo fim do namoro. Eu tenho uma colega de faculdade que tem uma namoro que diz ser perfeito. Ela sabe que o ama e tem certeza da reciprocidade. E com medo da perfeição ela terminou o namoro. Então será que sofrer por amor não é somente inevitável, mas necessário? Porque se tá tudo bem, se ele não te causa ciumes, não tem chulé e não dança daquele jeito que tu odeias, não tem graça. O amor tem que ter altos e baixos, tem que doer pra depois sarar. Se for sempre em linha reta é amor de mãe. Uma briga entre mãe e filha/filho não gera preocupação. Briga entre amigas não gera insegurança, basta o tempo passar e vocês voltam a se falar. Agora namorado é diferente. Existe a insegurança por não saber se ele vai voltar mesmo. Aquela história de deixar livre tudo que ama e se voltar é porque sempre as tive e se não voltar é porque nunca foram minhas é muito bonita, mas na prática… Ninguém deixa livre quem ama e espera voltar. No amor de namorados não existe isso.

A solução deve ser aproveitar o amor. Chorar, rir, brigar, fazer as pazes e ir levando. Deve ser por isso que não existe a fórmula perfeita pro relacionamento amoroso, sexual. O único ingrediente imprescindível pra ele é o amor, e este não têm como ser questionado.



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