08 mar 2017

Divorciada aos 30

É exatamente isso, essa é a minha realidade. Mas antes de chegar a esse ponto da minha vida, vamos voltar os meus 13 anos. Ja comentei aqui que com 13 anos eu comecei a escrever em diário. Eu sempre digo que foi com essa idade que eu comecei a ver a vida. E nessa época eu não sonhava com os 18 anos, eu imaginava meus 30. Minha Barbie trabalhava e o Ken era apenas seu namorado. Ela tinha carro, trabalho e morava sozinha. A idade da minha Barbie era 30, por que naquela época eu ja percebia os artigos em algumas revistas dizendo que 30 era o auge da mulher. Eu não via a hora de virar mulher! Claro que eu sabia que iria demorar muito ate eu chegar aos 30, mas eu ja imaginava que seria mágico. Quando eu cheguei os 18, a época que todas meninas sonham, meu desejo era me mudar pra Nova York – a metropole dos sonhos, ter um super emprego em uma revista feminina e morar em um daqueles apartamentos sem divisão com uma super janela de vidro. 

O tempo passou mais um pouquinho e eu me apaixonei perdidamente por um Suíço aos 21. Qualquer sonho que eu tivesse tido ate aquele momento cairia por terra, ja que eu ja tinha “caído por ele”. Depois de alguns anos de namoro eu vim pra Suíça e nós nos casamos. Não me interessava mais onde morar, eu queria ele. Eu trabalhei como babá por um tempo e por mais que isso abalasse um pouco meu ego, eu estava feliz por estar perto dele, e até aquele ponto ele ainda satisfazia minha vida. Por um bom tempo todos meus sonhos e desejos ficaram meio abafados, por que eu me acomodei na felicidade. Mas eu sentia, que algo estava meio… fora da rota? Mas olha, jamais vou cuspir no prato que comi, eu fui, sim, muito feliz naquela vida.

Mas aí depois de 5 anos eu fiz 30 e eu não consigo expressar em palavras a minha realização pessoal e como eu me sinto plena e completa. Muita coisa aconteceu nesses anos, muita insatisfação, tristeza, decepção e aprendizado.

Hoje eu escrevo esse texto depois de horas de trabalho num escritório de uma empresa em Zurique – a metropole da Suíça, e mais importante: olhando pra fora pela minha grande janela de vidro. Se eu olhar pra traz também vejo meu quarto, por que meu apartamento não tem divisão. E claro, uma lagrima cai do meu olho.

Amanhã vamos nos divorciar e eu não sei o que sentir. No roteiro que criei quando tinha 13 anos, não tinha essa parte, mas e se foi isso que me trouxe pra onde eu queria, como me sentir triste? Minha lagrima é de gratidão, que fique claro.

Enquanto muitas mulheres hoje comemoram seus 30 anos e se sentem repletas porque conseguiram casar e ja estão planejando o primeiro filho, eu faço o caminho inverso.

Se eu pudesse voltar no tempo e reencontrar aquela menina forte e perspicaz de 13 anos eu abraçaria e diria: vai dar tudo certo! Todos aqueles momentos de reflexão em cima do diário e aqueles desejos que iam de encontro com o que as outras meninas queriam valeram a pena. Todo o choro valeu a pena.

Eu queria terminar esse texto com algo surpreendente, mas quer mais surpresa do que chegar num ponto da vida e perceber que as coisas arrumam um jeito de ser, mesmo que um jeito torto? Falando assim parece até que é o fim de todos os planos. Mas é que foi assim, eu só desejei até aqui mesmo.

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Calhou desse texto ser postado no dia internacional da mulher, então fica aqui a minha reflexão: nenhum estado civil diz quem você, mulher, é ou pode ser! 


27 mar 2014

Por onde estive

Eu sei que eu ando ausente por aqui. Eu queria terminar de reformular o layout do blog antes de publicar algo, mas vamos aos poucos.

Pouco mais de um ano atrás esse blog era meu bibilô e eu estava cheia de planos. Como todos sabem em dezembro de 2012 eu tive que ir às pressas pro Brasil em conta da doença do meu pai. Que bom que eu sempre ouço meu coração e não esperei nem um dia pra comprar minha passagem pro Brasil. E durante todo esse tempo eu venho tentando me reerguer. Só que um ano é pouco tempo pra conseguir isso. Eu tento a cada dia me acostumar com pessoa que eu me tornei. Sim, não só a vida muda após a morte de quem se ama, mas a gente também muda.

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Mas eu quero contar aqui o que eu fiz e por onde eu andei nesses últimos 12 meses. Foi difícil manter o blog ativo, com outras tantas atividades durante 2013. Como todos sabem eu comecei o ano de 2013 no Brasil. Em março do ano passado eu larguei a minha família pra acompanhar meu marido a Buenos Aires. Esse já era o plano dele antes mesmo da doença do meu pai. Ele iria a Buenos Aires para fazer intercâmbio na UADE por um semestre. Foi duro arrumar as malas e deixar minha família ainda aos cacos. Todos estavam com o coração recém-quebrado em pedaços, mas sabíamos que uma hora ou outra, deveriam seguir com a vida.

Chegando a Buenos Aires eu não conseguia curtir nada daquilo. A cidade cheia e barulhenta com edifícios por todos os lados me sufocava. E a minha dor só piorava. Eu ficava dividida entre estar com a minha família no momento mais difícil das nossas vidas, ou ficar com o meu marido e tentar continuar com os nossos planos. Mas eu estava sufocada. Logo chegaram muitos amigos do Amir para nos visitar, pois tudo isso também já estava planejado há muitos meses. Então, por quase um mês minha vida se resumiu e festas, bebidas e outras cositas mais. Nada daquilo era o que eu precisava. Pessoas alegres e bebida a todo vapor pra celebrara vida? Aquilo não fazia muito sentido pra mim. E como ninguém tinha nada a ver com a minha dor, eu resolvi voltar para Floripa. O Amir não poderia voltar comigo, por que após a visita dos amigos da Austrália, outros amigos da Suíça e também o irmão dele iriam nos visitar. De qualquer maneira eu acho que a vida é feita de escolhas, e escolhas radicais são feitas em momentos especiais. Eu fiz minha escolha sem pensar muito, larguei Buenos Aires e também o meu marido, já que ele escolheu ficar.

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Voltei pro Brasil e me senti plena de novo. Pude ajudar minha mãe e estar perto do que eu sempre julguei mais importante na vida: a família. Afinal, fazia tempo que eu não passava tanto tempo com todos eles. Após dois meses minha colega de apartamento na Suíça foi pra Buenos Aires visitar o irmão, que estava morando com o Amir e eu decidi dar mais uma chance a cidade. Em maio voltei a Buenos Aires por uns 10 dias. Pude passear, beber bons vinhos, comer em bons restaurantes e encontrar um marido cheio de saudade e vontade de nunca mais me deixar. Ele decidiu que não iria dar continuidade no intercâmbio e voltou comigo pro Brasil.

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Esse tempo que passei com ele no Brasil foi um dos melhores. Estar perto da família, amigos e marido foi sempre tudo que eu mais quis. Nossa passagem de retorno pra Suíça estava marcada para agosto, então decidimos aproveitar aqueles 3 meses de moradia no Brasil. Em junho aconteceu o casamento da minha prima Bárbara em Tubarão, que nós éramos padrinhos. Uma festa maravilhosa que marcou bons momentos em nossa família. Todos os primos e agregados (namorados/as) reunidos e se amando muito. Digamos que o amor foi por causa da Tequila. Acho que o Amir nunca ficou tão bêbado na vida.

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Passada toda a ressaca moral voltamos a vida normal na casa da minha mãe, mas a melancolia da partida já dava as caras. E a minha saudade de casa também. Eu queria voltar pra Zurique, mas não queria deixar a família. Nada que eu não tivesse feito antes, mas claro que desta vez tinha muito mais por trás. Eu sentia que todos já estavam de volta as suas rotinas, ou seja, já era normal a ausencia do pai. Mas eu sentia que voltar pra minha casa iria me fazer passar por toda aquela recuperação de novo. Me adaptar de novo a uma nova rotina, lembrando sempre o porquê daquilo tudo. Mas eu tinha que passar por isso!

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De qualquer maneira eu já estava muito mais forte que antes, e fiz o que tinha que ser feito. Voltei a Zurique e organizei toda a minha vida, papeis, casa, trabalho, relacionamento. Pouco tempo depois eu tive uma paralisia facial periférica, e todo aquele medo que eu havia sentido em janeiro voltou. Mas felizmente não foi nada grave. Meus movimenos faciais do lado direito voltaram ao normal após algumas semanas.

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O tempo passou rápido e em dezembro já recebi visitas. A primeira visita de amigos do Brasil: Mayara e Ramon. Eles passaram o Natal e Ano novo comigo.

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Um dia antes do Ano Novo meu irmão também chegou pra celebrar comigo.

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Aquilo era tudo surreal pra mim. Ano novo na Suíça com amigos e família. A vida é muito louca mesmo, viu? Aproveitamos para fazer eskibunda nos alpes 🙂

Depois de 3 semanas de passeios por Zurique, fomos ao Brasil no final de janeiro, eu, Pedro, Amir e mais minha outra colega de apartamento Stefania. Em fevereiro recebi a visita da minha cunhada na semana do meu aniversário. Falando em aniversário… eu pude ter mais uma vez momentos que marcam a vida. Meus primos e irmãos (não todos) juntos num passeio de barco, cheio de risadas e diversão.

Celebração de aniversário

Mas como tudo nessa vida tem um fim, minhas férias acabaram e mais uma vez eu voltei pra Zurique. Cá estou eu, ainda juntando cacos de mim espalhados por aí, mas cheia de vontade de estar sempre aqui contado um pouquinho da minha vida. Muito de mim mudou e eu quero compartilhar todas as minhas mudanças e planos com vocês.

Me desculpem as pessoas que me mandaram e-mails perguntando algo sobra a Suíça e eu não respondi. Prometo responder tudinho de agora em diante.


19 nov 2012

Unindo duas culturas em um casamento

“Você faz as malas, se muda para outro país, e na hora de abri-las, percebe que nem tudo que pertence a você veio junto”

Veem as lembranças, os aprendizados, sua bagagem cultural, mas muitas coisas ficam no seu país de origem. Esse foi o primeiro tema do workshop Zwei Nationalitäten – Ein Zuhause, Duas nacionalidades – Um só lar (tradução livre) sobre casamento binacional oferecido pela prefeitura de Zurique. A palestra foi dada, na última sexta-feira, por uma psicóloga brasileira, casada com um suíço há 36 anos. Ela falou sobre as expetativas de um casamento, sendo que um dos dois terá que não somente se mudar, mas mudar muito sua rotina.

Para quem quer se casar com um suíço ou suíça ou já está casado mas precisa de informações pode participar do workshop gratuitamente. Há traduções em inglês e espanhol.

O programa é dividido em 4 partes:

*Parceria Binacional: Desejo e Realidade.
Data: 16/11. Horário: 19:00 – 21:00

*Formalidades do casamento e autorizações de residência.
Data: 20/11. Horário: 19:00 – 21:00

*Perguntas jurídicas e soluções de problemas em relacionamento binacional.
Data: 29/11. Horário:19:00 – 21:00

*Não perca a conexão: A procura de emprego e o desenvolvimento da carreira profissional no contexto de casais binacionais.
Data: 4/12. Horário: 19:00 – 21:00

Local: prefeitura de Zurique, Stadthaus. Sala: Musiksaal, terceiro andar.
Endereço: Stadthausquai 17.
Como chegar: Tram 4 ou 15 até a parada Helmhaus. Tram 2, 6, 7, 8, 9, 11 ou 13 até a parada Paradeplatz.


30 ago 2012

O caso das borboletas

Há 3 anos e 7 meses eu conheci meu marido. Sem experiência nenhuma em relacionamento amoro, eu me joguei de cabeça naquela história. E durante 2 anos e meio nós namorados à distância. Namorar não é bem o verbo certo que conjuga nossa história, mas isso é papo pra outro post. Nesses anos de relacionamento à distância (como prefiro chamar) o meu maior pesadelo era passar alguns meses sem ele. Não pela paranoia de traição e afins, mas pelo simples fato de estar sem a presença física dele.

Quando me mudei pra Suíça para morarmos juntos, esse sofrimento acabou – claro que vieram outros, como a saudade do Brasil. Estamos hoje um ano casados, e nesse ano só ficamos separados por duas semanas quando, fui ao Brasil visitar minha família e amigos. E foi de novo difícil, talvez por essa lembrança que tenho de ficar meses sem ele.

Alguns meses atrás ele me disse que iria fazer uma viagem com o grupo de amigos que ele conheceu enquanto estava viajando pela América do Sul. Para mim foi um choque! Não por ficar sem ele, mas por que ele iria viajar com os amigos solteiros. E aquela paranoia que eu nunca tive, veio à tona. Eu achei, no momento, um absurdo, pois estávamos casados e uma viagem dessas não fazia sentido. E eu consegui convencê-lo do mesmo.

Passadas algumas semanas eu não conseguia mais ME convencer de que tinha feito a coisa certa. Eu pensei, repensei, analisei e cheguei a conclusão: Ele DEVE ir! Porque? Porque eu nunca admirei relacionamentos baseado na desconfiança, chantagem e, principalmente, na não liberdade. E eu me peguei prendendo meu marido, e me senti injusta.

Eu quero esse homem pra ficar comigo porque ELE quer. Eu quero que ele viaje e queira muito voltar pra mim. E, mais importante, não quero que, no futuro, ele diga que não fez alguma coisa importante pra ele por minha culpa. Eu larguei meus amigos e minha família no Brasil, e por mais que eu sinta uma saudade imensa, eu nunca vou culpá-lo, pois fiz porque quis.

E no caso da traição, que é o que muitas mulheres pensam quando o namorado/marido vai viajar, eu tenho a seguinte posição: Se eu tenho que segurar meu marido pra que ele não me traia, então eu não o quero de forma alguma. Não acredito em duas pessoas virarem uma, não acredito em Facebook junto com namorado, e nem em compartilhamento de senha de e-mail. Cada um deve ter sua própria identidade e vontades, e isso deve ter respeitado entre os parceiros.

Sei que algumas pessoas acham que, fazendo isso, eu abri chance que algo aconteça. Mas o mais importante pra mim foi que, com essa atitude de apoiar a viagem, eu ganhei a admiração do meu marido. Como eu poderia privá-lo de uma parte importante da vida dele? Ele sempre me achou uma pessoa forte e decidida, porque eu iria mudar o jogo agora? Nossa história começou assim, e entre altos e baixos, viagens e visitas, nós continuamos firme e fortes. E aquele sentimento de saudade que eu não sentia há muito tempo está de volta.

Desde quanto o conheci até hoje meu lema é o mesmo: “Que voe por todo o mar…. E volte aqui… Pro meu peito!”

ps: Aqui na Suíça é super comum casais fazerem férias separados. E isso não significa férias só de meninas ou só de meninos. Grupos antigos de colégio, bairro fazem férias juntos sem seus parceiros.

ps2: O Amir está no Brasil. Imagina o tamanho da minha inveja?


18 abr 2011

Chá de panela

O ditado diz que quem casa quer casa, mas quem casa também quer um chá de panela não é mesmo? Mas quem vai morar fora como faz? Faz do mesmo jeito, mas sem pano de prato e panelas como presente, e sim, uma singela contribuição em francos suíços dinheiro. Logo que tive a iniciativa de fazer o chá já fui logo ter idéias de decoração e comida bem simples, afinal as vacas andam magras por aqui. Para decoração pensei em algo bem mulherzinha, com lacinhos, corações e bonequinhas, afinal chá de panela é coisa de mulherzinha né? Então pensei em detalhes rosa e vermelho e muito, mas muito frufru. Eu, minha mãe, Cadu e Henrique passamos algumas tardes rindo e fazendo os tais frufrus.

Pra comer coisas rápidas e praticas e, claro, em formato de coração. Quem vê pensa que eu sou muito meiga. Os docinhos e salgadinhos foram feitos pela mãe. Aproveitando o ensejo a oportunidade vou fazer um jabá básico: Saborearte é a empresa da mãe, ainda em fase inicial, mas já com muitos eventos na agenda. Docinhos, salgadinhos, pão caseiro e muito mais pode ser pedido direto pela internet através do Saboreartedelivery, você faz a compra através da internet e recebe em casa, tudo quentinho. Já a Saborearte Eventos faz jantares para eventos grandes (ou pequenos tbm haha). Quem já comeu sabe do que eu estou falando!

Casa de ferreiro espeto de pau – Não vou dizer que não seu cozinhar bem, vou ser sincera e dizer que NÃO sei cozinhar, mas para o chá me aventurei na cozinha. Fiz a maçã do amor e cheesecake pops, tipo uma versão cheesecake mas com cobertura de chocolate em formato de pirulito (que não deu certo, só ficava direito dentro da geladeira, senão derretia).

Os balões em formato de coração coloquei por toda a parte. Tinha também lacinhos nas plantas, cadeiras e outra coisas, mas não tive tempo de tirar fotos. Como a outra parte interessada (o noivo) não estava presente na festa, tentei fazer com que ele tivesse algumas lembranças desse dia, além das fotos. Em 1 metro de papel os amigos deixaram recados fofos, e com muita energia pra nós! Fiz a brincadeira de pergunta e resposta sobre mim. Minha irmã mandou perguntas a meu respeito para ele, e eu tive que tentar adivinhar a resposta dele. Errei feio algumas. Shame on me. Cada erro era um copinho de vodca. Saí da brincadeira passada! Shame on me 2. Acordei com um ressaca moral master, mas minha mãe disse que chá de panela e despedida de solteira é assim mesmo. OK.

No final da festa os amigos tentaram me levar pra buatchy mas eu não tinha condições físicas (alô vodca?!), foram muitos dias preparando tudo. E como minha curiosidade é muito grande, eu quis checar logo as contribuições, ver se convertendo para francos suíços iria ser possível comprar uma televisão massa, já que essa era minha meta. Fiquei simplesmente impressionada com o valor. Era um chá de panela simples, com meus amigos simples, mas a generosidade deles não foi nada simples! Adorei tudo, mas o melhor mesmo é poder festar com vocês! Obrigada amigos, vou sentir falta. (momento tenso)

Que venha a despedia de solteira!



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