16 out 2012

A salsicha mais famosa de Zurique

Na terra dos queijos e chocolates há lugar para uma comida típica alemã. Claro que na parte francesa da Suíça se come comidas típicas da França, assim como em Ticino se come pista e sorvete. E na parte alemã? Salsicha, obviamente! Mas como os suíços adoram ser especiais, criaram um restaurante estilo take away de salsichas. O quiosque Sternen Grill é conhecido por ter a melhor salsicha de Zurique. Famosos pela St. Galler Bratwurst, o Sternen Grill vende vende as famosas salsichas desde 1963 na região Bellevue. Já fiz um post sobre essa região próxima o lago de Zurique (aqui).

O legendário quiosque de salsichas está em reformas desde meados do ano passado e ficará pronto em março de 2013. Hoje, o Sternen Grill serve suas salsichas em uma tenta coberta sobre um trailer Air-Stream vintage dos EUA, com mesas para sentar ou comer em pé, localizado no Sechseläutenplatz, ainda em Bellevue. Mas tudo organizado e limpo, com direito a pipi-móvel e tudo.

Nesta mesma área, encontra-se a Casa de Ópera e o Casa de Teatro de Zurique. Ou seja, é a localização perfeita para uma pausa cultural.

Você faz o pedido no caixa e a salsicha já vem na hora com a, também famosa, mostarda picante. Incluso no preço da salsicha é disponibilizado um pedaço de pão, um pouco duro por fora, mas macio por dentro, chamado Gold Bürli. É assim que o pessoal de Zurique come a salsicha. Simples, prático e rápido. A bebida, tirando as garrafas pets tradicionais, é servida na mesa. E para acompanhar a Bratwurst, nada mais certo que uma cerveja!

Ao fazer o pedido é possível pedir um pote com o molho de coquetel (gratuito), para quem não curte mostarda picante. Mas se é a sua primeira vez, prove com a mostarda, mas vá devagar por que é bem forte. Além da Bratwurst, a salsicha branca, tem também a Servelat, a salsicha marrom. O preço da salsicha com mostarda e pão é 7 francos.

No cardápio há também sanduíches de bife, pão pita com vegetais e frango e outros lanches rápidos, mas pra mim, ir à Sternen Grill tem que ser para provar as famosas salsichas de Zurique.

Ainda não sei se é o gosto da salsicha, ou o ambiente que me fascina, pois adoro esse jeito dos “zuriquianos” de pegar um lanche e sair comendo ou sentar-se nas calçadas com os amigos para almoçar. Só sei que Sternen Grill é um local certo para comer se você estiver a passeio por Zurique

Para quem não vai ter tempo em Zurique, mas vai passar pelo aeroporto, uma dica: No dia 1 de outubro foi aberto um novo ponto do Sternen Grill no aeroporto logo na entrada do chek-in 3, perto da estação, aberto das 10 da manhã as 8 da noite.


18 jun 2009

Jornalismo, a nova profissão de todos!

Quarta feira, 17 de julho de 2009, fim da obrigatoriedade do diploma de jornalista. Capas dos principais jornais do Estado: “Brasil rumo à semifinal”; “Viúva pega 18 anos pelo assassinato de advogado”; outro jornal com uma foto do Ronaldo “fenômeno” abraçando sei lá quem. E VIVA A POLÍTICA PÃO E CIRCO! Afinal, quem além dos estudantes e graduados em jornalismo se importa com a extinção? Li e reli vários argumentos vindo dos apoiadores do “não diploma”, mas não consigo achar razão óbvia em nenhuma palavra. Eles defendem a liberdade de expressão, dizem que todos têm o direito de comunicar seus pensamentos. Mas peraí, em nenhum momento da minha vida universitária me ensinaram a escrever o que eu pensava. Eles me deram ensinamentos de como apurar os fatos, como tornar um fato em uma notícia. Em momento algum pensei que passando informações eu estaria impedindo o povo de se manifestar. Falando nisso, há uma seção em todos os jornais que publica artigos, e lá é possível demonstrar qualquer tipo de manifestação ou pensamento. Mas esse papo de que o diploma de jornalismo fere a liberdade de expressão é tão estúpida que eu prefiro passar ao próximo argumento – não menos estúpido.
A próxima alegação é que não há nada de tão relevante ou teórico que seja necessário aprender em uma cadeira universitária, tudo poder ser aprendido na prática. Agente só aprende na prática? Aaaah, é? Eu só aprendi a dirigir de verdade depois de dirigir por um ano todos os dias, mas não posso negar que os ensinamentos da auto-escola foram fundamentais. Garanto que meus amigos que estudam Direito conseguiriam facilmente estagiar durante cinco anos e aprender muito, talvez mais do que na universidade, porém o diploma para essa profissão é obrigatório. Eles dizem que um erro na profissão de médico ou advogado pode causar danos a vida de alguém, diferente da profissão de jornalista. Bom, não vou entrar nesse mérito já que está mais do que evidente que um jornalista medíocre e sem ética pode, sim, destruir a vida de alguém. Conheço casos bens sinistros. Agora o argumento mais plausível, mais incrível e mais surpreendente foi o do nosso querido ministro Gilmar Mendes que comparou um jornalista com um cozinheiro. E ainda disse que acredita que essa decisão não irá impedir jovens de cursar Jornalismo. Alguém aí está interessado em pagar (sim, por que mesmo passando para uma Federal há gastos) e estudar durante quatro anos por um diploma que vale pela metade? Vale o conhecimento, mas não vale o emprego. Quem estuda apenas pela ciência da informação? Claro que o emprego é sempre de quem sabe mais, e talento sem embasamento teórico não vale muito, mas para os grandes empresários a mão-de-obra barata é sempre mais interessante. Agora quem não tem profissão nenhuma pode escrever um monte de “abobrinhas” e dizer que é um jornalista. Bonito, ein? Acho essa decisão uma falta de consideração com aqueles que sempre foram apaixonados pela informação, mas como num sinal de respeito foram até os bancos universitários aprender mais, pôr limites à ousadia de escrever o que quiser doa a quem doer, aprender ética, e principalmente, se dar conta de que comunicação nem sempre é JORNALISMO.


01 jul 2008

Vivência

Por três terças-feiras eu fui a um centro de tratamento para viciados em drogas (adictos). O objetivo era vivenciar e assim escrever. Fazer um jornalismo mais humano, mais próximo.

Eis meu texto:

Receios de lá e de cá

Preconceito. Medo. É isso que todos sentem ao lidar com o diferente. Adentrar o Recanto Silvestre, em Biguaçu, é, sobretudo, ultrapassar os limites do inusitado. A magia e o encanto de descobrir o novo fazem pensar que os homens que lá vivem estão em um mundo à parte. Mas é tudo muito real. Jovens e adultos adictos com o objetivo de resistir às suas fraquezas superam suas expectativas. Todos estão em busca da credibilidade perdida há muito tempo. Para retomar a vida sem as drogas, é preciso estar consciente e com a cabeça ocupada. O tripé que sustenta essa consciência é formado por: trabalho, disciplina e oração.

Todos os moradores do Recanto Silvestre estão lá por vontade própria. Ou pelo menos porque se preocupam com a vida de terceiros. Ninguém é obrigado a continuar o tratamento, que dura seis meses, mas existem três práticas que são proibidas e levam à exclusão: sexo, drogas (cigarro é permitido) e violência.

O primeiro contato dos estudantes de Jornalismo da 6ª fase da UNISUL com os adictos ocorreu na capela do Recanto. Sentados em círculo, em bancos compridos, 27 homens se apresentaram aos alunos. Com certo receio, alguns preferiram ficar calados. Receio também visível nos estudantes que temiam perguntar. Estabelecido o primeiro encontro, a vontade de voltar e saber mais era imensa.

Foi na segunda visita ao Recanto Silvestre que Cristiano, 21 anos, recém-chegado, narrou toda sua trajetória no uso da cocaína. Embora não soubesse muito o que contar, sentiu-se livre para relatar todos os passos que o levaram a entrar de cabeça nas drogas. No início da conversa, sentado à beira da cachoeira, Cristiano logo se descreveu como filho de pais pobres. Empolgado em relatar tudo em detalhes, deixou fluir os acontecimentos, sem parecer se dar conta dos aspectos trágicos e graves que envolvem sua vida.

Aos 18 anos, com vontade de ganhar dinheiro facilmente, o garoto começou a vender cocaína. Como queria roupas caras e festas regadas a boas bebidas, achou no tráfico sua maior renda. Durante dois anos permaneceu traficando drogas, sem usá-las. Nesse período de venda, adquiriu o que sempre achou que lhe faltara: roupas de marca e festas. Mas suas duas maiores aquisições foram uma moto e um bar. Em dois anos, contou com a vista grossa da mãe e o completo desconhecimento do pai diante do tráfico. Mas quando seu pai soube o que fazia para conseguir tantos bens materiais, expulsou-o de casa. Foi morando no bar durante alguns meses que o rapaz descobriu o efeito da droga que comercializava.

Cristiano demonstrou dificuldade em descrevê-los durante a conversa, mas garantiu que sabe e lembra tudo que fez durante o efeito da cocaína. Não gosta muito de recordar um fato marcante: no dia em que viu sua namorada jogando toda sua droga no vaso sanitário, deu-lhe um tapa na cara. No momento da discussão, Cristiano estava sob efeito da cocaína, mas mesmo com todos os altos e baixos da excitação que a droga proporciona, admite ter se arrependido no mesmo instante.

Em várias idas e vindas para a casa dos pais, o jovem por algumas vezes teve vontade de parar com as drogas. Cristiano lembra as vezes que suas irmãs o viram sob o efeito da cocaína, e lamenta muito por isso. Mas o momento crucial foi quando seu pai o expulsava de casa pela segunda vez. Durante a briga, o pai de Cristiano quase teve um ataque cardíaco, o que fez com que o adicto pensasse em algo para se livrar de vez da droga, que naquela época já virara escravo.

No dia seguinte à briga, o pai do jovem propôs que o filho buscasse ajuda em um centro de tratamento, e deu o Recanto Silvestre como referência. Cristiano hesitou no primeiro momento, mas na manhã seguinte, acordou disposto a mudar aquela situação. Foi contando que estava lá por causa dos pais e não por vontade própria que chegou ao fim a primeira conversa com Cristiano. “Por mim eu ficava em casa cheirando pó. Muita gente pode dizer que está aqui porque quer, mas não é. É sempre por outra pessoa”, conta.

No terceiro contato com os adictos, todos os estudantes estavam ansiosos para saber se seus entrevistados continuavam o tratamento. Cristiano ainda estava lá, e agora com algumas impressões e opiniões sobre o centro de tratamento. Após uma semana, o jovem já tinha mais consciência de tudo que havia acontecido, e seu discurso era outro. “Hoje eu estou aqui por mim”, falou entusiasmado. Os planos de Cristiano para quando sair do tratamento são bem claros. Ele pretende morar em outro bairro, talvez com a namorada, já que quer evitar os lugares que costumava freqüentar quando era um usuário ativo de drogas. Mesmo sabendo que será difícil controlar a vontade, Cristiano quer se livrar das drogas. O primeiro passo ele já deu, e agora espera nunca mais ver a cara preocupada das irmãs e o olhar de decepção do pai.

Após estes encontros com jovens e adultos tão vulneráreis, é impossível dar às costas ao Recanto Silvestre sem deixar um pouco de si, e levar muito deles. Mesmo sabendo que todos são fortes por estarem lá, a preocupação de quem ouviu suas histórias e seus lamentos é intensa. A todos que, por algumas horas, escutaram relatos de pessoas tão iguais, mas com realidades diferentes, fica uma inquietação em saber se todos estão bem, se continuarão o tratamento, e por fim se quando saírem ficarão longe das drogas.

O preconceito já não existe mais, e aquilo que pareceria tão distante agora está próximo, pois foi lançado fora o medo do diferente. Muito de nós ficou lá, e, com certeza, conseguimos extrair muito daqueles que lá ficaram. Pois como dizia o poeta “… de tudo fica um pouco…”.



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