20 dez 2012

Nova etapa

Oi…

Eu sei que é normal um sumiço meu por aqui. O motivo sempre foi o mesmo: falta de tempo. E o motivo do meu novo sumiço continua sendo falta de tempo, com uma pitada de outra coisa. Eu não sei como explicar, não sei como começar, não sei como descrever. Não garanto ser breve…

Eu amo fazer planos, amo me organizar, pois pra mim é a única maneira de fazer as coisas que eu quero acontecer. E com meu novo destino, Buenos Aires, a minha aflição por planejar aumentava a cada dia. No final do mês passado eu tinha encerrado meu contrato de trabalho, então estava só pensando em mim. Puro egoísmo mesmo. Mas afinal, qual seria minha outra preocupação?

Na terça-feira, dia 4, acordei cedo, mesmo sabendo que não haveria aula de alemão. Logo li uma mensagem da minha mãe me perguntando “Está tudo bem? Preciso falar contigo”. Eu preparei meu café da manhã como de costume, com minhas deliciosas panquecas proteicas, sentei em frente a TV, comi assistindo televisão, enquanto mandava mensagem pra minha mãe dizendo que tudo estava bem.

Meu marido me deu tchau e foi pra universidade, e eu fiquei conectada esperando pra falar com minha mãe. Não demorou muito ela e meu pai ficaram online. Eu havia tirado a manhã para resolver umas coisas para o blog, como pagamento de .com e site de hospedagem. Vi meu pai online e logo fui pedir pra ele pagar a conta pra mim, já que era boleto bancário do Brasil. Enquanto eu explicava a ele o que precisava, minha mãe conversava comigo meio vagamente e me perguntava se eu já tinha falado com meu pai. Pelas manhãs ele já está no trabalho e ela em casa. Meu pai me deu o ok sobre o pagamento da fatura, mas disse que faria online, pois não estava em casa. Após a negociação ele me perguntou se eu já havia falado com minha mãe, enquanto minha mãe me perguntava se eu já havia falado com meu pai. E eu, que não gosto de enrolação, comecei a perguntar o porquê daquele troca-troca. Meu pai parou de me responder e minha mãe falou que meu pai estava bem, mas estava no hospital. E eu, meio perdida, mas ainda calma, perguntei pra ele o que estava acontecendo. Sem resposta, perguntei o mesmo para minha mãe. Ela, que demora para digitar, não enviava nada. E eu só a espera da mensagem, já avisada pelo facebook que estava sendo digitada. Até que ela escreve algo como “ele foi pro hospital achando que era anemia, blablabla, é leucemia. O resto eu não sei mais.

O meu grito foi assustador, vindo lá de dentro, daqueles que se dá apenas algumas vezes na vida. Foi meu primeiro. O primeiro susto real na minha vida. Amparada pela minha amiga e colega de apartamento eu fui me acalmando, até conseguir voltar a frente do computador. Mas eu não queria mais nenhuma informação.

Entre passos perdidos no meio do meu quarto, e muitas idas até a sacada, encarando o frio e usando cada tragada do cigarro pra pensar, eu decidi: vou o quanto antes pro Brasil. Ainda no mesmo dia conversei a noite com a minha mãe pela webcam. Eu estava calma e decidida. Uma única vez na vida eu pulei uma janela sem saber o que estava por vir. Mas pulei com vontade, com sede de mais e mais. Aquela janela me levou à Suíça. Essa nova janela que se abriu a minha frente era estreita, e de novo sem saber o que estava por vir, eu me arrastei até ele, escalei e atravessei.

Estou no Brasil desde 8 de dezembro, meu marido chega dia 30 de janeiro.

Bom, essa é a nova etapa da minha vida, encarar o meu maior medo. O resto vem com o tempo, assim como outras notícias sobre mim. Não vou abandonar esse espaço aqui, pois eu sei que tem bastante gente que me acompanha. Só que agora com menos ansiedade, e sabendo que nem tudo depende de mim.

“Mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma. Até quando o corpo pede um pouco mais de alma. A vida não para…”


20 nov 2012

Novas oportunidades

Quem segue o blog sabe com o que eu trabalho. Quem ainda não sabe pode ler aqui 😉 Neste mês faz um ano que estou trabalhando com essa família, mas aos poucos o trabalho foi me frustando. Primeiro por que cuidar de crianças é difícil, acredito que mais ainda quando as crianças não são suas. Segundo por que esse nunca foi meu trabalho dos sonhos. Aliás, está bem longe de ser. Mas um ano atrás e estava aqui por apenas 4 meses e não falava nada de alemão. Era o trabalho ideal para ganhar um bom dinheiro sem trabalhar todos os dias.

Aos poucos o trabalho foi me saturando, e levando a um nível de estresse não saudável. Eu queria mudar de emprego, sair da zona de conforto ou até procurar um curso pra fazer. Eu comecei a me sentir, finalmente, segura com meu nível de alemão. Eu sou muito exigente, mas eu comecei a conversar em alemão, a receber elogios, e a acreditar que eu já poderia dar um passo maior. Mas meu marido veio com uma ideia: estudar um semestre em Buenos Aires. Eu fiquei super empolgada, mas também um pouco frustada por deixar meus planos para mais tarde. Eu quero me estabilizar aqui, estudar algo que me permita trabalhar com o que eu quero. Mas com esses novos planos, é preciso guardar dinheiro, e, consequentemente, continuar trabalhando, já que começar um novo emprego por alguns meses não seria, digamos, financeiramente, inteligente. Além de tudo, os pais das crianças me adoram e fazem de tudo para eu não largar o emprego. Me ofereceram o emprego de volta em agosto do ano que vem. Mas, pra mim, não dá.

Após algum tempo em crise, sem saber o que fazer, o que dizer, como ficar feliz eu pensei: é uma grande chance! É uma “pausa” de 6 meses que vai me trazer muita experiência boa. Além de ficar mais perto da minha família. O Amir também ficou confuso por que a viagem à Buenos Aires tira da gente algumas possibilidades, como a de viajar bastante ano que vem (por conta do dinheiro que precisamos guardar e por não estar na Suíça), mas também dá a ele a última possibilidade de fazer intercâmbio, já que ele se forma final do ano que vem.

Muita indecisão, muita conversa, minha frustração e no final, como nós sempre fizemos juntos, um acordo: somos jovens, cabeça aberta e queremos experiência na vida, então VAMOS A BUENOS AIRES!

É isso, no dia 5 de fevereiro viajo para o Florianópolis, e provavelmente no final do mês vamos para o país dos hermanos. O melhor amigo do Amir vai fazer o intercâmbio também, só não sei se vai para Floripa. Já temos uma lista de amigos daqui que irão nos visitar, no Brasil e na Argentina. Só resta saber se meus amigos também irão me visitar e comer alfajor 😉 hihihi

Mais uma vez, é uma janela se abrindo e sem saber o que tem do outro lado, eu vou pular.


18 out 2012

Pausa


15 out 2012

Egito – parte 3

Mais um post sobre Sharm El Sheikh! No nosso último dia de férias, compramos um pacote de passeio para visitar o Blue Hole. Primeiro um safari no deserto, chá com Beduínos, mergulho com snorkel no paredão de corais, passeio de camelo e, ao final compras no Bazar local.

O jipe nos buscou no hotel as 8 da manhã, já com algumas pessoas dentro, e fomos ao encontro de outro grupo em outro hotel. Tinha o grupo que falava inglês, outro que falava francês e o nosso que supostamente seria o alemão, mas como só havia eu e o Amir do grupo em alemão, o guia decidiu nos juntar ao que falava inglês. No nosso jipe tinha um casal escocês e um outro de algum país que até hoje nós não conseguimos entender qual era, mas que falavam também um inglês muito, muito estranho. Nem a gente nem o guia entendia muito bem o que eles falavam. Hihihi.

Pegamos a estrada geral e em alguns minutos já entramos no deserto. E aí começou o “safari”. O motorista andava muito rápido, fazendo zigue-zague, e subindo todas as montanhas de areia. Imagina o calor dentro daquele carro, com as janelas fechadas, sem ter onde segurar. E os bancos do lado de trás não eram de um carro normal, eram posicionados dois longos bancos na parede de cada janela com cinco pessoas em cada um, sentadas uma de frente para outra. Era todo mundo se batendo dentro e protegendo a cabeça. E olha que não durou pouco tempo! Quando ninguém mais aguentava aquela sacudida toda, chegamos na tenda dos Beduínos.

O calor de 40 graus tava puxado, mas na sombra sempre refresca. Entramos na tenda, que é formada basicamente por tapetes e almofadas. Logo as meninas locais vieram nos servir o chá típico deles. Nesse momento é impossível não olhar ao redor e fazer comparações e se perguntar “como eles podem viver assim?”. No meio daquele calor, as mulheres (sim, só vi mulheres) usam roupas longas e pesadas. E nós, ocidentais, tomamos um bom copo de água gelada pra matar a sede, já eles, tomam chá. Imaginar que não tão longe dali jovens usam e abusam da tecnologia, das regalias do dinheiro, dos milhares de livros, e eles mudando de lugar em lugar em busca de comida e água.

Enquanto bebíamos o chá foi feita uma, infelizmente, breve explicação sobre a cultura daquele povo. Eu fiz algumas perguntas, mas era notável que o resto do grupo não estava nenhum pouco interessado. Que pena. Alguns fizeram cara de nojo pro chá, outros se recusaram a beber, outros comentavam em inglês o quão ruim era. É uma pena mesmo alguém se descolar de tão longe, num país tão rico em cultura, para desfrutar APENAS de águas turquesas. Compramos chá e pulseirinhas deles e partimos para o próximo destino.

Depois de alguma minutos no jipe e uma parada para alugar os equipamentos de snorkeling, chegamos à costa de Dahab. Dirigimos um pouco ao longo da costa e eu me perguntava, cadê esse tal buraco azul? Já tinha visto algumas fotos pela internet antes, mas claro que ver foto tirada de cima é diferente de ver do chão. Passamos por grupos de mergulhadores se preparando para entrar no mar, alguns restaurantes rústicos e chegamos no famoso Blue Hole.

O Blue Hole é tipo uma caverna de baixo d’água com 130 metros de profundidade. A parede da “caverna” é formada de corais e rodeada de peixes coloridos. A beleza encanta mergulhadores do mundo todo, mas também atrais os mais corajosos. Há quem mergulhe apropriadamente equipado ou sem nada, chamado free divers. Não é a toa que o local é chamado de “O cemitério de mergulhadores”. Mas pra quem tem limites e quer só curtir a beleza de longe, o snorkel já dá uma boa ideia da beleza do local.

Logo a frente do mar, estava localizada nosso restaurante, onde deixamos todos nossos pertences com segurança. Nos preparamos para entrar na água, com o tubo respiratório e a máscara. Como eu já sabia que não ia querer descer nem aluguei pé de pato. Para entrar na água é preciso ter cuidado com os corais, por isso há uma plataforma de boias (caixas) da areia até o buraco . Eu entrei na água sem mergulhar, arrumei a máscara, mordi o tudo respiratório, abaixei a cabeça….

-Puta merda que lindo!

Foi a primeira coisa que eu falei quanto coloquei a cabeça pra cima de novo. Minha vista abaixo d’água durou uns 3 segundos, mas foi o suficiente pra me deixar pasma. Confesso que aquela beleza toda me assustou. Eu sempre tive essa sensação com a natureza. Em vez de ficar chocada e admirar ainda mais, eu não consigo olhar. Naquele momento eu me lembrei dos estudos bíblicos que participei quando era adolescente  Eu ouvi dizer que não conseguiríamos encarar Deus tamanho à sua beleza. Deu pra entender minha associação? Coisa doida né?

Bom, meu puta merda que lindo foi falado tão alto e tão inesperado que todos começaram a rir ao meu redor. Após algum tempo olhando pra baixo timidamente e ainda longe do paredão de corais, eu fui me soltando. Até chegar bem pertinho, na frente do meu nariz e curtir os peixes de cores vibrantes nadarem entre minhas pernas.

Depois de, não tenho ideia se 30 minutos ou 1 hora, dentro d’água todos já estavam cansados de boiar e precisando respirar um pouco em terra firme. Afinal, éramos todos turistas e não mergulhadores profissionais!

Voltamos para a nossa tenda/restaurante, dividida em grupos pela língua falada. O grupo dos ingleses era o mais divertido. Como esse povo ri! O nosso grupo, o de línguas estranhas (hihihi), era dividido em três casais, sendo um com duas crianças. A mãe das crianças já chegou reclamando.

-Você gostou? – Ela me perguntou, já se auto negando.

-Muito e você? – Eu respondi entusiasmada, mas perguntei já esperando a resposta negativa.

Ela franziu o nariz, como quem não gostou de nada. E reclamava o tempo todo da quantidade de sal que tinha no corpo. Isso é um fato que eu não esperava! A água do mar é tão salgada que, após se secar, percebe o corpo cheio de acúmulos de sal. Achei impressionante! Mas, de fato, incomoda!

Mas logo veio o almoço, simples, mas bem servido, com várias opções, entre carne, atum, salada, arroz, batata, etc… Tudo pago no pacote!

Depois de comer fomos fazer um passeio de camelo pela costa da praia. Subir no animal é uma ventura! Por que pra se levantar, eles, primeiramente, se apoiam nas patas da frente e é preciso segurar firme pra não cair. E é alto, viu? E alguns não estavam muito contentes com a galera subindo. Se o cão late e o cavalo relincha, o camelo? O camelo blatera. (Aprendendo com a titia Karina). Isso, eles blateravam alto, tipo reclamando mesmo. Assusta, mas os meninos responsáveis mantiveram tudo em ordem. Os camelos começam andando devagar, mas ao sinal dos homens que nos conduzem, ele aceleram o passo, tipo dando uma corridinha. O passeio durou uns 15 ou 20 minutos. O nosso grupo de turistas era grande e as vezes os camelos se chocavam, meu pé encostava hora no bumbum ou na cara de outro camelo. Quem estava na minha frente era o Amir e seu camelo. O camelo dele peidava o tempo todo, e o barulho é super alto. Muito engraçado! Tão engraçado é a cara dos camelos sempre com aquele sorriso maroto/esnobe/blasé na cara.

Tava muito quente, eu estava muito cansada, cheia de sal no corpo, com sede, mas isso tudo não era nada comparado aquela experiência. Tudo valeu a pena.

Depois de descer do camelo os meninos que cuidam dos animais vieram pedir dinheiro. Todo mundo dava 5 ou 10 libras egípcias, que para o turista não é muito, mas pra eles, como gorjeta, está muito bom. Eu tinha uma nota de 200 e outra de 5. Dei a de 5 e o menino pediu mais. Eu disse que não tinha, ele ficou incomodando, até que o Amir falou “Não quer? Então devolve!”. E o nosso guia turístico, percebendo que estavam todos incomodados, falou em voz alta que a gorjeta era opcional, pois tudo já estava pago no pacote do passeio.

Deixamos a costa da praia e conduzimos até a cidade local para comprar água e visitar uma outra praia por 10 minutos. Mas depois de Blue Hole, nada mais me impressionava. E o local não era próprio pra snorkeling. Vale lembrar que há outras praias em Dahab para a prática de outros esportes, como o Wind Surf, Kite Surf e outros. Passamos também rapidamente por um bazar, sem muita coisa pra comprar.

Voltei impressionada para o Hotel. Fechei as férias com chave de ouro! Voltamos a Zurique no outro dia de manhã com a imagem daquele paredão de corais na cabeça. Puta merda, que lindo. Lindo mesmo. Ma’a salama Egito. Até a próxima!

ps: Há dois tipos de camelo, o Camelus bactrianus, conhecido como Camelo, encontrado apenas na Ásia Central, e o Camelus dromedarius, conhecido como Dromedário ou Camelo Árabe. Eu falo no post “camelo”, pois é comum chamar o dois tipos pelo mesmo nome, mas é bom deixar claro que o nativo do Egito são os Dromedários! 


24 set 2012

Férias – Egito (parte 2)

Hello my friends! Mais um post sobre a terra das águas turquesas. Numa tarde decidimos ir até o Old Sharm, que é a cidade velha de Sham El Sheikh. O guia turístico tinha orientado as mulheres a usarem uma roupa, digamos, mais comportada, ou que pelo menso cobrisse os ombros. Na hora me veio uma visão que até então não tinha da cidade. Imaginei mulheres de burca, um bairro muçulmano com casas antigas e feirinhas locais. Bom, primeiro deixa eu contar como chegamos lá.

Lembra que eu falei no post anterior como os taxistas vêm pra cima quando saímos do hotel? Eles vêm em nossa direção quase te pegando pelo braço e carregando para o carro. Como o guia turístico tinha falado que o taxi oficial da cidade era azul e branco, eu estava certa que só pegaríamos um taxi assim. Um senhor veio nos oferecer o taxi, o Amir falou pra onde iríamos e logo ele apontou para o um carro preto.

– Amir, esse não é o taxi oficial da cidade. – Eu disse.

O senhor insistia em empurrar o Amir pra dentro do taxi, ignorando o que eu falava. O Amir dizia que queria ir com um carro azul e branco, e ele insistia em dizer que não havia problema em ir com ele. Qual é o problema my friend? Ele repetia a todo o tempo. Até que esse senhor grita em árabe para os seus colegas sentados na calçada. Eles começam uma discussão em voz alta, e num tom irritado. E eu? Eu comecei a tremer, já não queria mais ir com eles de jeito nenhum, mesmo que fosse o tal carro azul e branco. Um dos colegas usando uma burca preta se aproxima e começa a falar alto com o Amir, perguntando qual era o problema. Nesse instante chega um carro preto e estaciona na nossa frente.

– Eu estou com fome, quero voltar pro hotel. – Eu menti, tentando sair daquela situação.

– Porque você está fazendo isso? – Pergunta o Amir.

Eu estava com medo daquela situação, medo daqueles homens gritando comigo, medo do que eles estavam argumentando em árabe, e decepcionada com meu marido que não entendeu meu apelo.

– São cinco horas da tarde. O restaurante do hotel está fechado, você não vai poder comer nada lá. – Disse o taxista, que parecia conhecer a rotina de tudo por lá.

-What is the problema my friend? – perguntava o senhor a todo instante, sempre pro Amir.

O Amir começou a negociar o valor da corrida, afirmando, pro meu desespero, que nós iríamos com ele.

– Vêm, entra no taxi, eu levo. – Dizia o taxista, mais uma vez forçando a barra.

Eu me sentia traída, ignorada, com medo, perdida. Talvez fosse somente um choque cultural. Nós passávamos por aquele deserto, aqueles carros caindo aos pedaços, escutando a música de oração dos muçulmanos (eles estavam no mês do Ramadã). Foram 20 minutos de tensão. Me senti sequestrada por vontade própria. Rs. (Drama).

Mas no final foi um passeio gostoso. Mesmo tendo que, ao chegar no destino local, repetir várias vezes que o taxista não precisaria nos esperar. Mas e as minhas expectativas? Então, o bairro era sim, diferente da região de hotéis. A rua era estreita e tumultuada com carro, carroça e camelo. Digo a rua por que o local era minúsculo, somente com lojinhas. Nada de casas antigas e mulheres de burca na rua. Como sempre eram só homens trabalhando. Tinha mais lojas de bijuterias e vestidos, e os falsificados de sempre. O guia turístico tinha falado sobre um templo antigo por lá, mas não vi nada. Só comércio e restaurantes mesmo.

Caminhamos pelas ruazinhas, entramos em algumas lojas, mas a pressão para vender não foi tão intensa como nas lojas perto do hotel. E as turistas por lá vestiam mini vestidos e regatas. E eu que tinha pensado em ir com minha galabeia rosa, acabei indo com uma camisa e passei calor. O que mais gostei dessa parte da cidade foi entrar na lojas e poder olhar sem ninguém incomodar. Claro que há exceções.

Na volta ao hotel pegamos um taxi novo azul e branco com ar condicionado por 1 franco a mais que o da ida.

Sair pra ver as ruas e as pessoas é muito bom. Mas curtir esse hotel 5 estrelas também não foi nada mal. Depois dessa aventura decidimos relaxar e aproveitar o sol, a praia, a piscina e todas as mordomias do hotel. Pois três dias depois fomos fazer um passeio ma-ra-vi-lho-so no Blue Hole. Mas as fotos, só na próxima parte, que eu vou fazer de tudo pra tentar postar o mais rápido possível, e mudar de tema!

ps: olha a minha decepção com o nosso trapiche, o da esquerda da foto. E olha o do hotel ao lado!


05 abr 2011

Destino: Zurique

Eu sempre sonhei em sair do Brasil, ou pelo menos me aventurar por São Paulo depois de me formar na faculdade. Meu destino era Nova York. Eu tinha certeza que “no matter what” eu iria pra lá. E uma das minhas aquisições antes de ir seria uma agenda Moleskine. Entre vários modelos, o Travelling era o que mais me encantava e eu sonhava com o da cidade de Nova York. Mas a vida da voltas, e eu mal podia imaginar que meu rumo seria outro, muitos menos o motivo da mudança.  Então será que minha agenda Moleskine ficaria na memória? Eis que semana passada o correio chega e me traz surpresas. Minha Mokesline City Notebook Zürich!

A agenda – presente do meu namorado, agora noivo – veio com uma carta pra mim e uma para os meus pais. Na minha carta as mesmas palavras amorosas de sempre, mas a carta para os meus pais me fez chorar. Não somente por ouvir ele falar de mim com tanto carinho, mas por que ele pediu minha mão em casamento para o meu pai. Engraçado que a gente sabe que vai casar em breve e todos sabem, mas mesmo assim ele quis pedir. Meu pai ficou fazendo piada dizendo “corajoso ele ein? pede por carta pra não levar o ‘não'”.

Ele colocou marcadores rosa nas páginas como “city file” e “for notes and thoughts“, e ainda fez anotações super fofas como “essa página iremos escrever juntos, preencher com nossos lugares preferidos, somente eu e você. Melhores cafés, restaurantes…”

Agora é fazer anotações, planejar mais um pouquinho e esperar meu tão sonhado apartamento. E você? Se fosse comprar uma Moleskine, pra onde ela te levaria?


30 mar 2011

Papai do céu…

Atire a primeira pedra quem nunca ficou bravo com Deus por não ter um pedido atendido, ou porque não foi atendido no tempo pretendido. Você pede e espera. Cria expectativas, faz planos, porque afinal o combinado foi ter fé, acreditar e pedir.

Nesses momentos de espera é comum querer que o tempo passe rápido. E nisso a gente deixa de perceber o que está ao redor. Garanto que quem está numa situação de espera, apertaria o botão “foward” se pudesse. Passaria rápido esse momento de espera e chegaria rapidinho no final. Isso me faz lembrar aquele filme, Click, que através de um controle remoto, o cara passa mais rápido todas aquelas situações chatas do dia-a-dia. O que aconteceu no filme é o que estava, facilmente, começando a acontecer comigo: Foco no futuro, esquecendo o presente.

Eu quero muito conseguir um apartamento em Zurique e me mudar pra lá, pra morar com meu namorado. Eu olho apartamentos o dia todo, mando e-mails e espero respostas. Semana passada meus amigos estiveram aqui em casa e um deles me disse que eu tinha me fechado, demorou pra entender o que ele queria dizer com isso, afinal a gente nunca vê rapidamente o que está fazendo de errado. Muitas coisas ele me disse, e eu sempre cheia de razões e desculpas, afinal o que eu quero é isso e pronto! É certo querer muito alguma coisa, mas mais certo ainda é não se fechar pra um único desejo. Pode ser um emprego, um namorado, um carro, uma casa, um aumento no salário, enfim, coisas que todos desejam o tempo todo. Foco em uma só coisa, sem pensar em outras mil possibilidades que tem ao nosso redor é desperdiçar energia.

Quando eu decidi e planejei minha viagem à Suíça, em pensei “SE JOGA!!”, e comecei e viver lá, quer dizer, viver não, por que quem vive no futuro não vive, sonha. Eu preciso me jogar aqui, agora. Enquanto eu não me mudo, em preciso me jogar na vida aqui, aproveitar meus amigos ao máximo, minha família, e cheguei à simples conclusão clichê: aproveitar as coisas simples da vida.

Minha avó costuma dizer que muitas vezes nosso tempo não é o tempo de Deus. E eu acredito, sim, que as coisas acontecem quando tem que acontecer, basta cada um fazer sua parte. Talvez eu não viaje mais dia 28, talvez sim, não sei. É comum se revoltar, bater a cabeça na parede, se perguntar mil vezes “porque?”. É preciso saber que nem tudo nessa vida depende de você, mas a maneira como você vive, isso sim depende unicamente de você.


14 jan 2010

Impressões sobre a Suiça

Pessoas
Bom, pra ter impressões de um local, nada mais justo que começar com as pessoas, afinal são elas que formam todo o clima do país (junto com toda a neve, claro). Esqueçam a imagem de europeus frios e antipáticos. Pelo menos na Suíça não é assim. Sim, eles são mais fechados, afinal brasileiro é brasileiro, né? Mas, são sempre educados. Nas lojas sempre fui atendida super bem, ao pisar dentro do local, alguém sempre vem e fala “Olá”, e qualquer dúvida eles respondem com a maior boa vontade. Outro ponto bom das pessoas aqui é que ninguém dá aquela olhada da cabeça aos pés, como normalmente eu vejo no Brasil. Individualidade é o ponto forte deles. Ah! outra coisa muito boa: É possível andar a noite sozinha, super arrumada e afins, que nenhum, mas nenhum velho babão vai mexer contigo. Mas, como nem tudo são rosas, essa individualidade deles me assustou em um momento. Dentro do ônibus, assim como na maioria dos lugares, os assentos são duplos. OK. Mas é muito difícil ver duas pessoas sentadas uma ao lado da outra se não forem conhecidas. Ou seja, é normal ver o ônibus cheio de gente em pé, com lugares sobrando, porém, com pessoas ao lado. Vai entender!

Costumes
Como ainda não conheci muitas cidades, é difícil falar de costumes. Até porque cada região tem costumes diferentes. Então vou falar de pequenas coisas que me chamaram atenção. Abaixo tem um tópico só pra alimentação, mas já adianto: os suíços são saudáveis. Uma garrafinha de água ou chá gelado acompanham eles pra todo lado. Sabe quando tu é apresentado a alguém e nunca sabe se dá um, dois, ou três beijinhos? Aqui não tem confusão, são sempre três! Me confundi nos primeiro dias, mas agora já é certo: “oi, tudo bem?” Três beijinhos. Como as ruas aqui durante o inverno tem muito sal – usado pra derreter a neve das estradas – é comum tirar o sapato ao entrar em casa. Dizem que o sal que fica no sapato pode estragar o piso.

Clima
Acho que não é muita novidade que o clima aqui é congelante. Mas tudo depende do dia. Quando está nevando é o pior de todos. Não somente pelo frio, mas porque aqueles pedaços de neve enorme caem sem parar por todo o rosto e o risco de levar um tombo é grande. Tem dias que não está nevando e também é super frio e daí não importa a quantidade de roupa que tu estejas usando, vai sempre estar frio. As vezes o vento vem e ajuda a terminar de congelar a ultima parte do corpo que ainda estava seguro. Dias de sol aqui são quase um milagre. Tem dias que é possível sentir um solzinho por uns 2 minutos, e só! Mas se o dia é ensolarado, o clima é bem melhor! Hoje, por exemplo, o clima está perfeito. Dá pra notar que esta esquentando, primeiro por que é possível andar na rua sem congelar a mão em dois segundos, e segundo por que ontem tava nevando muito e hoje as ruas já não têm tanta neve.

Transporte
Provavelmente esse item vai mudar muito meu conceito sobre andar de ônibus no Brasil. Os meios de transporte mais comum aqui são ônibus, trem e tram. O tram é tipo um trem ônibus, que anda por todas as ruas da cidade, mas em cima de trilhos. Cidades pequenas usam somente o ônibus. E todos aqui usam esses meios de transporte. Ou seja, só no Brasil é incomodo andar de ônibus. Tudo que a gente precisa é uma passagem e um MP3. Ah! sim, a passagem. A maioria dos cidadãos suíços compram tickets pro ano todo. Tipo uma passagem que libera o uso desses três veículos pelo país todo. Se eu não me engano o preço está entre 600 e 700 francos. Eu comprei um cartão válido por uma mês, mas somente pro caminho Untersiggenthal-Baden-Zurique – trajeto que mais fiz no último mês – e paguei 130 francos. Pra mim valeu a pena, pois com meu namorado estudando em Zurique, eu não tinha muita opção, se não ficar perambulando minhas pernocas pelas ruas de Zurique. Pena que a validade vence hoje! Outra opção pra comprar a passagem é na parada do ônibus, ou trêm. Normalmente tu pagas uma vez e o ticket fica válido por um dia, Mas não se animem, não é tão barato assim, tudo depende do trecho. Como aqui não tem cobrador, é fácil andar de ônibus sem pagar. Ninguém nunca pediu meu cartão. Somente nos trens, sempre passa um funcionário checando os bilhetes. E sabe o que é mais interessante? Mesmo nos ônibus, que ninguém verifica nada, todo mundo paga a passagem. Será que isso iria funcionar no Brasil?

Comida
Uma coisa a respeito da comida aqui: arroz raramente aparece nas refeições. Outra coisa é a salada. Pelo que eu pude notar não há refeição sem ela. Diferente do Brasil, que normalmente a gente troca qualquer salada por um bom prato de arroz, feijão, bife e um ovo em cima, aqui eles comem salada por que gostam! Essas impressões sobre a comida é baseada na casa do meu namorado, claro, e também no dia a dia da alimentação na faculdade. Os pratos são simples, tipo macarrão com molho, galinha com vegetais, batata com carne. Outra coisa que eles comem bastante aqui é o salmão, mas não é muito barato. Pode ser com pão, bagel, croissant. Mas se engana quem pensa que o salmão é cozido! Eu adoro! E claro, o querido queijo aparece no meio de qualquer refeição, e pra fechar com chave de ouro, um chocolate pra adoçar a vida.

“Moda”
Assim como os velhinhos, as crianças estão sempre com muita roupa. Os mais idosos usam casações, luvas e tocas super aquecidas. E os bebês, ah os bebês.. eles são sempre tão fofos com zilhões de casacos, botinhas e luvas, mal conseguem se mexer. Os mais novinhos dentro do carrinho é possível ver apenas a ponta do nariz vermelha. Um graça! Os jovens sempre com um cigarro na mão e um MP3 no bolso. Para garotas a ordem é pele impecável e olhos com muito lápis preto e muito muito rímel! Os pés são aquecidos com botinhas fofas e quentinhas (to louca por uma, mas ainda não achei meu número) ou salto altos com botas de cano alto. As menos atrevidas usam tênis. Nas pernas, normalmente usam leggings ou meia calça fio 80. E claro, o jeans básico está sempre em todos os lugares. Uma super jaqueta e um cachecol que dá 10 voltas também são bem vindos!
*Como é difícil andar com um salto de três metros na neve, é normal para as meninas irem até o club com um sapato confortável e um jeans em cima da roupa. Chegando na balada é só tirar a calça, trocar de sapato e colocar num guarda volume, que é sempre o local mais ocupado, já que ninguém aguenta uma balada com uma jaqueta gigante né? Também é normal ir pra balada sem salto, o que pra mim NÃO POOOOODE ( como diria doutora Lorca).


24 dez 2009

Frohe Weihnachten

Uma das coisas que me faz lembrar final de ano é a propaganda da Globo. “Hoje é um novo dia de um novo tempo que começou…” Na minha imaginação, quando essa propaganda aparece é sinal de que as férias começaram, o Natal tá chegando. Hora de ir pra Gravatal, na casa da vó, ver os primos, tomar banho de piscina e esperar pelo café. As emoções ficam a flor da pele… nossa como é bom lembrar disso.. Aqui não tem Globo, nem musiquinha… mas como as boas lembranças não tem data nem local.. eu fico daqui imaginando com vai ser o Natal de todo mundo que eu amo.. eu fico só lembrando “Nesses novos dias, as alegrias serão de todos, é só querer…”
FELIZ NATAL MÃE, PAI, MARIA, PEDRO E VICTÓRIA
FELIZ NATAL TODOS OS MEUS AMIGOS, que eu sei que vocês tão sempre aqui (no blog) e também aqui, no meu coração!

ps: O Natal aqui vai ser sem neve. Semana passada nevou bastante, olha só!

Mas essa semana teve temperaturas ótimas e agora tá tudo verdinho de novo…


23 dez 2009

Sinal de fumaça!!

Eu sei, eu sei, eu confesso! Sou uma péssima amiga e contadora de novidades. Acho que até uma péssima futura jornalista. Dizem que jornalista de verdade é jornalista até nas horas vagas. Bom, desculpe, eu não consigo. Estou super aproveitando as férias. Ou seja, descansando, comendo, dormindo, assistindo filmes, às vezes saindo para fazer compras… Well well..
Mãe.. pai.. o Amir tá obcecado pela faculdade. Estuda, estuda, vai pra faculdade em aulas extas, acorda super cedo pra estudar. Tá um estudante exemplar. Tem vezes que é meio chato pra mim, que fico sem fazer nada por um dia, mas tudo bem.. eu torci tanto por ele, não é?
Mas esses dias que ele estuda, eu não fico chorando as pitangas em casa. Sexta fui dar uma volta com dois amigos dele, Dominic e Cyrill.. o segundo eu já tinha conhecido no Brasil. Fomos dar uma volta por Zurich, sair um pouco da mesma rua. Visitamos uma super igreja, tipo enorme.. essa é a miniatura dela:

Tivemos que subir muitos, mas muitos degraus…

Mas a vista lá de cima compensa todo o esforço.. Esta foto é o início de uma vista (quase) panorâmica do centro de Zurich..

Esse ai em cima é o super rio de Zurich..

Continuação do rio.. (imagine uma visão 360 indo pra esquerda)

Agora o lado oposto… Olha como as casas são grudadinhas, uma do lado da outra..

É um pouco dificil ver o sol por aqui.. mas esse dias ele apareceu, timidamente. Mas o frio continuou, congelante!

E depois de muito andar fomos tomar um café, num barzinho aconchegante e com bossa nova tocando.. e encontrar meu Babe…



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