07 abr 2015

A mudança sempre vem de dentro

Não é novidade pra ninguém que passei por uma fase muito ruim na minha vida. Foi uma coisa atrás da outra, caindo na minha cabeça, e eu tentava me manter forte. Enquanto eu me deixava cair, meus amigos me jogavam pra cima, sempre com elogios.

Eu ouvia as pessoas dizendo o quanto me admiravam, o quanto eu era forte e tentavam me mostrar tudo que eu tinha. E eu achava que não tinha nada. Como me admirar se eu não faço nada de especial? O que afinal eu tinha? Um visto de residência em outro país? Pra que me admirar se eu nem dei inicio a minha carreira profissional? Aí um dia você acorda e se da conta: Eu estou exatamente como queria estar. Um ajuste ali um aqui, mas eu sou exatamente quem eu sempre quis ser aos quase 30. Como eu demorei tanto pra perceber isso?

Eu tenho um texto guardado que eu contava do susto de chegar aos 25 e não ter adquirido nem metade do que eu queria na vida. É, eu sempre fui superexigente comigo mesma. Eu tinha medo de deixar que a minha felicidade do amor me acomodasse. E me assustava saber que a única coisa que tinha dado extremamente certo era a minha vida amorosa. Mas até então eu recebia mal e trabalhava com o que eu não gostava.  Eu tinha medo demais, essa é a verdade. Mas quem vive uma vida sempre cheia de certezas?

Nós temos várias fases na vida. E às vezes sair de uma, e entrar em outra pode ser um processo longo e doloroso. Ninguém acorda um dia e decide “Hoje vou ficar mais madura”. Eu me lembro que com 19 anos eu tive uma crise de identidade, que pareceu mais uma leve deprê. Era como se eu não me conhecesse mais, como se eu não soubesse pra onde ir, muito menos por que ir. Minha mãe me falou, na época, que algumas vezes nós mudamos, amadurecemos e com fica difícil se reconhecer mesmo. Um dos processos mais difíceis é durante a adolescência, que quando a pessoa finalmente se aceita, a adolescência já acabou. É, às vezes o período de mudança é longo. Às vezes prolongamos.

Desta vez, meu processo de mudança além de ser demorado, foi conturbado. Eu me mantinha presa a Karina de antes, sendo que aos poucos o mundo dela ia se modificando. E eu meio que fiquei pra trás. Por que afinal de contas, os últimos anos foram os melhores da minha vida, até que… Enfim vocês sabem. Tem mudanças de fases que a gente só percebe quando acabou, mas infelizmente minhas mudanças foram escancaradas na minha cara.

Eu sempre tive a mania de me autoanalisar e por vezes fico meio melancôlica ou paralizada. E sinceramente acho que se você não passa por isso, ou vive a vida errada, ou vai passar por ela despercebida. Ou pior, sem se perceber.

Sim, a vida me deu umas boas rasteiras ultimamente, mas tudo passa. E ainda está passando.

Eu estou longe da família, eu sei.. mas morar fora do país pra mim é um sonho realizado. Tem seus contras, mas ainda assim, estou quaaaaase como sempre quis. Demorou pra eu perceber! Tenho um emprego que me deixa viajar por períodos longos. Não ganho tão bem quanto uma suíça formada aqui, mas me mantenho sozinha e sem a menor dificuldade. Compro minhas bolsas, meus sapatos e pago minhas viagens. Tenho pessoas muito bacanas ao meu redor, sejam minhas adoráveis jovens brasileiras casadas, ou minhas suíças malucas que bebem mais que homem. E tenho ainda também um relacionamento com a pessoa responsável pela maior mudança na minha vida. Tudo ficou muito conturbado entre a gente, por causa de tanta mudança. Mas eu só preciso achar onde ele entra na minha vida e onde eu entro na vida dele depois de tantas mudanças e tantas descobertas. Mas eu acredito que vamos nos “achar” de novo. De alguma maneira vamos.

Mais uma vez eu saí do casulo. Mais uma vez estou orgulhosa de mim mesma. Foi difícil, foi muito mais doloroso que da ultima vez.

Minhas asas estão renovadas, quem sabe assim posso alçar voos maiores?


30 mar 2011

Papai do céu…

Atire a primeira pedra quem nunca ficou bravo com Deus por não ter um pedido atendido, ou porque não foi atendido no tempo pretendido. Você pede e espera. Cria expectativas, faz planos, porque afinal o combinado foi ter fé, acreditar e pedir.

Nesses momentos de espera é comum querer que o tempo passe rápido. E nisso a gente deixa de perceber o que está ao redor. Garanto que quem está numa situação de espera, apertaria o botão “foward” se pudesse. Passaria rápido esse momento de espera e chegaria rapidinho no final. Isso me faz lembrar aquele filme, Click, que através de um controle remoto, o cara passa mais rápido todas aquelas situações chatas do dia-a-dia. O que aconteceu no filme é o que estava, facilmente, começando a acontecer comigo: Foco no futuro, esquecendo o presente.

Eu quero muito conseguir um apartamento em Zurique e me mudar pra lá, pra morar com meu namorado. Eu olho apartamentos o dia todo, mando e-mails e espero respostas. Semana passada meus amigos estiveram aqui em casa e um deles me disse que eu tinha me fechado, demorou pra entender o que ele queria dizer com isso, afinal a gente nunca vê rapidamente o que está fazendo de errado. Muitas coisas ele me disse, e eu sempre cheia de razões e desculpas, afinal o que eu quero é isso e pronto! É certo querer muito alguma coisa, mas mais certo ainda é não se fechar pra um único desejo. Pode ser um emprego, um namorado, um carro, uma casa, um aumento no salário, enfim, coisas que todos desejam o tempo todo. Foco em uma só coisa, sem pensar em outras mil possibilidades que tem ao nosso redor é desperdiçar energia.

Quando eu decidi e planejei minha viagem à Suíça, em pensei “SE JOGA!!”, e comecei e viver lá, quer dizer, viver não, por que quem vive no futuro não vive, sonha. Eu preciso me jogar aqui, agora. Enquanto eu não me mudo, em preciso me jogar na vida aqui, aproveitar meus amigos ao máximo, minha família, e cheguei à simples conclusão clichê: aproveitar as coisas simples da vida.

Minha avó costuma dizer que muitas vezes nosso tempo não é o tempo de Deus. E eu acredito, sim, que as coisas acontecem quando tem que acontecer, basta cada um fazer sua parte. Talvez eu não viaje mais dia 28, talvez sim, não sei. É comum se revoltar, bater a cabeça na parede, se perguntar mil vezes “porque?”. É preciso saber que nem tudo nessa vida depende de você, mas a maneira como você vive, isso sim depende unicamente de você.



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