19 maio 2017

Ela só quer…

Ela queria o conforto de alguém. Alguém que se sentisse confortável do lado dela.
Ela queria alguém que pudesse impressionar.
Ela queria que ele tivesse pegada forte. Eu disse forte.
Ela queria sair pra jantar e dar risadas.
Ela queria alguém que tirasse sua roupa lentamente e cultuasse seu corpo, em olhares e palavras.
Ela queria alguém que chegasse com ela na festa cheio de orgulho.
Ela queria alguém que a fizesse esquecer de tudo em poucos minutos de toque.
Ela se abriu pra vida e teve tudo isso.

Por que ela ainda procura?


06 jan 2017

Não é difícil

Eu lembro que antes de me mudar para a Suíça o meu ex me dizia que era muito difícil arrumar um apartamento pra gente morar sozinho, pois era super caro e ele era estudante o que dificultava no processo. E eu não entendia o porquê. Não somente pelo fato de eu não saber nada sobre a suíça, mas é por que eu nunca soube lidar muito bem com o “é difícil”. Eu sempre, sempre acho que tudo é possível. Não me importa se é difícil eu somente preciso saber como fazer.

Dai muita gente falava que era muito difícil aprender alemão, e eu eu poucos meses de curso ja conseguia me comunicar na lingua. Eu ouvi do meu ex marido tantas vezes ele dizer que casamento era difícil, e aquilo me doida tanto, por que pra mim, não interessava o quão difícil era, mais o quanto eu o amava. E com ele e por ele eu lutei até não ter mais forças, até acabar com toda a minha auto estima. Até meu corpo avisar a mente que não tava mais. Até a mente falhar também e eu perceber que tava na hora de parar.

Daí eu precisava arrumar um jeito de ficar aqui. A maioria das pessoas fazia aquele carinha de enrugar o canto da boca, como quem pensa “é difícil”. Eu só não sabia como fazer. Não foi nenhum pouco fácil.

Daí eu achei que estava na hora de morar sozinha, realizar o sonho de quando eu cheguei aqui. Daí mesmo que todos me falaram que não ia ser… fácil. E durante esses anos todos aqui alguém me viu querendo algo fácil? Muita gente achou que seria impossível, que eu não daria conta financeiramente.

E eu me lembro dos dias que eu chorava a cada segundo pensando o quão difícil seria esquecer meu ex. Mas em nenhum momento eu pensei que fosse impossível. Hoje eu sei lidar com a presença dele na minha história e vivo muito bem com isso. Eu somente não tinha ainda achado uma maneira de fazer isso. Eu descobri que não precisaria esquece-lo.

Quando meu pai morreu há quase 4 anos eu somente pensava “o tempo cura, não é mesmo?”. É claro que doeu mais que tudo nessa vida, mas eu não me desesperei, por que eu sabia que aquela dor iria passar. Eu sabia que tinha uma saída. Eu não era a primeira pessoa a passar por aquela situação.

Eu me lembro também de varias noites que eu chorei no meu quarto do apartamento que dividia as amigas, pensando “Meu deus, como eu faço pra conseguir morar sozinha, levando em conta minha situação aqui”. Eu não tinha a minima ideia de como as coisas poderiam se desenrolar, mas eu tinha certeza absoluta que iriam.

——

Esse ano virou e eu não tive nenhuma resolução de ano novo. Talvez se deva a paz e a tranquilidade por estar tudo como deveria estar.

No final do ano de 2012 eu estava no Brasil, apenas esperando noticias do hospital. Eu virei o ano na agonia.

No final do ano de 2013 meu irmão veio passar a virada do ano comigo em Zurique e meu casamento ja estava dando os primeiros passos que nos levaria ao fim. Eu ja percebia algo sem saber direito o que era.  Eu virei o ano na agonia.

No final do ano de 2014 eu estava no Brasil pra tentar recarregar minhas forças que já me pareciam nulas. Eu fiz festa, beijei na boca pra tentar esquecer meu ex, e tudo que eu pensava era se eu conseguiria ser forte quanto voltasse. Eu virei o ano na agonia.

No final de 2015 ja cansada de não ter mais energias, cansada de ser quem eu tinha me tornado eu fui pro Brasil de novo. Passei a virada do ano com a minha melhor amiga. A gente tinha uma certeza louca que o próximo ano seria o ano das nossas vidas. Nenhuma das duas tinha minha ideia do que viria. Eu virei o ano cheio de esperança.

Depois de viver na aflição por 3 anos eu me lembrei que eu não aceitava a impossibilidade. Eu me lembrei que eu somente precisava saber como fazer.

Não da pra descrever o quanto o ano de 2016 foi magico na minha vida. Eu me reergui, me reconstruí, me reconheci. Me libertei de tudo que me fazia mal, principalmente de mim mesma.

É tão gratificante olhar pra traz e ver tudo tão bom. Meu último vídeo de 2015 postado no Youtube eu choro em frente a camera falando que eu esperava que 2016 me trouxesse felicidade, por que eu ja tinha me esquecido o que era.

Hoje eu não me lembro mais o que é infelicidade.  Não existe a minima possibilidade de eu deixar o medo me bloquear de ser feliz. Não existe a minima possibilidade de eu deixar de lutar pelo que eu quero. Mas vale lembrar que eu não fiz nada disso sozinha. Se tem uma coisa que o ano de 2016 me apresentou foi gratidão. Sou grata pela vida, pelas experiências e principalmente pelas pessoas que estão na minha vida.

Eu tenho um amigo que se chama Jeff e ele me disse uma vez “Amiga, sabe qual é a minha missão aqui? Fazer o Jeff feliz”.

Tem coisa mais bonita que isso, viver pra ser feliz? Desculpem me os pessimistas, mas não é difícil.


20 out 2014

O meu erro

Uma das coisas mais triste num relacionamento é quando cada um quer andar pra um lado. Isso não significa que os dois queriam se separar, mas cada um quer andar na direção que escolher, e seria perfeitamente maravilhoso, se o outro escolhesse o mesmo caminho. Mas nem sempre é assim. E daí quando você se vê nessa situação, há algumas opções do que fazer:
1. Insistir em fazer as coisas do seu jeito, afinal é a vida que você sonhou, mesmo que seja sem ele.
2. Insistir em dizer que o jeito dele não funciona pra você, e quem deve mudar é ele.
3. Aceitar fazer tudo do jeito dele, pois afinal o importante é o sentimento, e quem sabe um dia ele mude.
4. Aceitar mudar algumas coisas esperando que o outro também mude. Daí você faz uma mudança aqui, aceita outra coisa ali, ele faz o mesmo, porém você não vê. Ou acha que nunca é o suficiente. Por que na verdade tudo que você queria era que ele escolhesse a opção 3.

E nesse processo de cada lado ceder um pouco, os dois lados ficam cada vez mais convictos nas suas decisões e que não devem ceder nada. E nisso os casais de afastam. E aí começa a parte mais difícil: aceitar que talvez a decisão mais sensata fosse escolher desde o início a opção número 1.

Se ao final eu “falhei”, eu tenho certeza que eu tentei, cedi, aguentei e em algumas coisas mudei. Eu passei pela opção 3 e depois 4, e infelizmente vi que a melhor opção pra mim seria a numero 1. E eu que um dia pensei que a única opção era ficar junto, não importa o que aconteça.

“Você diz não saber, o que houve de errado e o meu erro foi crer, que estar ao seu lado bastaria.”


29 jun 2012

1 ano de Suíça

Um ano atrás eu cheguei na Suíça. Um ano atrás eu deixei tudo e todos sem olhar pra trás! Eram um momento de tristeza e alegria. De despedida e reencontro! Mas uma coisa eu nunca senti: medo. Nem por um instante! Cheguei aqui num dia quente, com duas malas na mão e o coração cheio de coragem. Só.

Nesse um ano muita coisa aconteceu. Me casei, viajei, conheci muita gente e aprendi uma língua nova.

Se foi tudo mil maravilhas? Nem de longe! Me casei longe da minha família e dos meus amigos, senti muita saudade de casa, pensei por alguns instantes em desistir e me senti triste algumas vezes.

Mas, eu faria TUDO DE NOVO de olhos fechados, como fiz há um ano. Felicidade não  tem preço e lutar pela própria felicidade é a maior satisfação do mundo. Que venham mais um, dois, 10 anos de novas experiências, e se Deus quiser, do lado do homem que eu amo.

E a saudade continua!


13 maio 2012

Dia das mães

Amélia pode até ser a mulher de verdade, mas a MÃE de verdade é essa aí!

Melhor representação do que a minha mãe é não há. Parabéns aos dois homens da minha vida pela ideia e criação do painel!


30 mar 2012

Fotos da semana

Agora é regra em casa: falar somente em alemão comigo. Mas a regra não é seguida por todos, só pelo Amir que tem paciência de falar devagar comigo. Dentro dessa caixinha verde tem verdadeiros pecados alimentícios! Barrinhas de coco e açúcar, uma coisa de louco!

Depois que voltei do Brasil me deu uma vontade enorme de renovar meu quarto. O resultado foi lindo! Duas semanas depois do meu aniversário eu ainda estava recebendo bolo e presente. Acima é na casa da minha sogra e abaixo na casa dos meus pimpolhos.

Nos dias de sol é ótimo estudar na sacada. O tempo de estudo passa de uma maneira sutil.

Mensagem particular: Mãe, a minha sogra adorou o avental! Agora que eu achei uma loja que vendo farinha de rosca barata quero cozinhar tudo à milanesa, mas só nos finais de semana, claro!

Adoro a vista do lago, seja ela da sacada ou do meio da cidade. Na hora do photoshop nem percebi que tinha repetido uma foto. Agora dá licença que é hora de juntar os pesinhos e dormir. Gute Nacht!


30 jan 2012

Fotos da semana (passada)

Depois de uma semana “cheia” por aqui, uma outra semana vazia. Mas o motivo é nobre. Após mais de um mês com a cabeça enfiada nos livros, para as provas da faculdade, meu marido voltou à realidade. E eu aproveitei todo o tempo livre que tinha pra namorar. Tão bom!

E quem gosta de dar aquela espiadinha passadinha por aqui, vai ter novidades durante a semana toda. Depois de muito chamego, o Amir foi passar quatro dias em Barcelona com os amigos da faculdade, e eu tive tempo de preparar alguns posts.

Pra começar a semana bem de mansinho, aí vão algumas fotos aleatórias.

Imagina um friozão, você esperando pelo ônibus e aquela maquina de chocolate quente alí, olhando pra você? Hmmm, é compra garantida! Mas a temperatura por aqui até que colaborou durante a semana, com temperaturas até 6º C, o que possibilita um cafezinho  e um jornal na varanda!

Como a semana foi de chamego, muita comida e bebida. E olha que marido mais querido, vai viajar e deixa um bolo de maçã pra mim. E como não podia ser diferente,  depois de toda a comilança é preciso levar o corpinho pra academia! Sempre exercitando o corpo e a mente!

Um beijo e uma ÓTIMA semana! Aos meus amigos brasileiros, um até breve! ;D


02 nov 2011

Para cozinhar melhor

Quem me conhece sabe que eu aprendi a cozinhar 2 meses atrás. Nunca tive vontade nem motivação para experimentar nada na cozinha, além da comida, claro! Mesmo não cozinhando nada, sempre separei receitas que me agravavam, principalmente as fáceis, rápidas e, principalmente, saudáveis. Como eu e o Amir treinamos e fazemos dieta rica em proteína, eu tinha um seleção enorme de com variar frango, aveia e batata. Porque haja criatividade ein?! As receitas estavam todas num documento do word, meio desorganizadas. E no final das contas eu não preparava nada que havia salvo lá, porque ninguém merece levar o computador pra cozinha e ficar olhando toda hora, ou escrever tudo num papel.

Até que um dia, passeado pela biblioteca da faculdade, encontrei algo que me agradou. Eu sou apaixonada pelos cadernos de anotações Moleskine. O Amir me deu um de presente, lembram? (post aqui). O que eu já tinha era para anotações de Zurique, e minha nova aquisição é um caderno de receitas muito fofo que eu estou apaixonada: Moleskine Recipe Journal.

O meu caderno de receitas já está quase cheio, a maioria são bolos com baixa quantidade de carboidratos e pouquíssima gordura. E como eu sou chata organizada com os meus cadernos de anotações, fiquei ainda mais encantada quando vi que dentro vem adesivos pra dizer se a receita é boa ( mãozinha de joinha, coraçãozinho), se da próxima vez você deve trocar algum ingrediente. Nas primeiras páginas é possível encontrar informações sobre alguns alimentos em casa hemisfério e a melhor estação. Além de tabela nutricional e conversor de medidas. Super útil!

O próximo caderno que tenho em vista é o Wellness Journal para anotar tudo sobre meus trenos na academia. Tem também o Baby Journal, mas esse é pra mais tarde né?


30 ago 2011

Le cliché parfait

Quem nunca criou mil expectativas antes de uma viagem? Acho que é inevitável quando se espera tanto tempo para conhecer algum lugar. Eu costumo não criar muitas, tentando assim não me decepcionar, mas claro que sempre espero/torço pelo melhor. Só que quando se fala de Paris, você nem precisar criar novas expectativas, é normal ir atrás do clichê.

A única coisa que o Amir me perguntou antes da viagem foi: “Você não é daquelas fascinadas por museus e outros passeios culturais, certo?”. Como ele já morou lá, sabe que a cidade é um prato cheio pra quem gosta. E eu respondi, prontamente: “Não não!”. O plano era conhecer todos os pontos turísticos, tirar fotos, conhecer rapidamente a história do local e partir pra outro ponto. Mas a cidade é enorme, e esquecemos o quão cansativo isso pode ser. Tivemos 4 dias pra ver tudo, fazer compras e se curtir um pouco. Em quatro dias é possível, sim, ver tudo, mas superficialmente. Se você quiser realmente ver as catedrais por dentro, subir na Torre Eiffel, conhecer as obras dentro do Louvre e muito mais, pode se preparar para horas e mais horas de fila. E sinceramente, na minha lua de mel, a última coisa que eu queria era passar 3 horas na fila embaixo do sol com meu marido.

Andar e trocar de metro o tempo todo cansa e da fome. Mas lugar pra comer e preços variados é o que não falta em Paris. Como eu não sou amante da culinária e o simples sempre me agrada, não fomos a nenhum restaurante comer rã nem Foie gras (desculpa, mas eu acho um absurdo!). O que me impressionou foi a diversidade de restaurantes, seja ele mini ou grande. E com o sobrenome egípcio que agora eu tenho, veio também o gosto pela culinária árabe, então comemos basicamente, kebab (árabe), Panini (italiano) e Croassant (francês). No penúltimo dia achei um restaurante chamado Saudade e eu podia jurar que é brasileiro, mas estava fechado e não pude tirar a prova. Churros, cafe e frutas frescas da feirinha fofa perto do hotel também fizeram parte do cardápio.

E a minha paixão! Starbucks muito mais barato que na Suíça. Como eu coloquei um piercing labret, só podia tomar café gelado, então me esbaldei!

Eu sou do tipo que acha feio a pessoa voltar de viagem falando horrores da cidade. Uma coisa é ser muito ruim, outra é ser diferente do que você está acostumado. Mas tem uma detalhe que eu preciso dizer que é ruim: o mau cheiro dentro dos metrôs, seja ele de esgoto ou de algumas pessoas. Não é à-toa que a piada do perfume francês existe #prontofalei         Mas por outro lado, o metrô facilita muito a vida dos parisienses e é super rápido e prático.

Outra coisa chatinha são as filas pra entrar em alguns locais. É incrível como a cidade é lotada de turistas todos os dias, e olha que eu fui em dia de semana. Os japoneses/chineses tomam conta da cidade! haha Teve apenas uma fila que decidimos encarar. Como Paris é do lado da Suíça, decidimos conhecer melhor os monumentos em outra ocasião, já que eles não mudam de lugar né! Mas eu descobri que no Centre Pompidou, o artista fotógrafo francês JR, famoso por fazer fotos gigantes e colar pelos muros da França, estava fazendo fotos de identidade gigantes de graça. Passamos por lá no penúltimo dia e a fila estava enorme, então decidimos voltar no último dia, esperar na fila, fazer a foto, pegar as malas no hotel e ir para o aeroporto. Resumo da história: acordamos cedo e fomos pra fila. Tinha 40 pessoas na nossa frente. Esperamos duas horas, e ainda tinham 25 pessoas na frente. Perdemos tempo na fila e voltamos pra casa sem a foto de recordação. Raiva? Quase nada!

Se tem uma coisa que eu aprendi e posso aconselhar é: vá para um lugar calmo e sem muitas atrações se você quer só curtir momentos com seu marido na lua de mel. Raros foram os momentos em que eu e o Amir aproveitamos a companhia um do outro. Estávamos sempre ocupados indo de um lugar para o outro, na ânsia de ver o quanto mais melhor. Mas no fim posso dizer que mesmo assim valeu muito a pena. A cidade é gostosa de andar e o clima estava maravilhoso.

Mas olha só como as coisas mudam. No início do passeio eu não queria de jeito nenhum passar muito tempo dentro de museus e catedrais. Queria mais é andar e ver tudo ao ar livre. No último dia senti falta de ir ao teatro e visitar a Ópera. O edifício é enorme e magnífico por fora, imagina por dentro! Aquela garota que chegou em Paria dizendo “não não” ao cultural da cidade, hoje voltaria à Paris apenas pelos teatros, museus e exibições. Vá a Paris um vez para ver a cidade, mas volte para conhecê-la.

Eu gosto sempre do melhor no final, e na minha lua de mel não poderia ser diferente. O último dia de passeios foi fechado com chave de ouro. Sentados à frente da Basílica de Sacré Coeur, tendo a cidade toda como vista, conseguimos finalmente relaxar e curtir um dos momentos mais marcantes da minha vida! A energia estava demais naquele fim de tarde.

Essa é a recordação mais gostosa que tenho da cidade. Um perfeito au revoir Paris!

——————————————————————————————

Aproveitando o tema, vou deixar aqui um filme de Cedric Villain, um francês que nunca comeu rã, não gosta de vinho, bebe champagne duas vezes ao ano e não mora em Paris. Achei super irônico, e como eu sempre digo, os clichês existem por um bom motivo! Para saber mais sobre o trabalho de Cedric, clica no nome dele aí em cima! 


26 ago 2011

E o sonho vai virar realidade

Então amigos e curiosos famintos de informação sobre meu casamento! Finalmente cá estou pra contar tudinho. Eu queria ter feito um post antes pra contar sobre os preparativos e tal, mas foi tudo muito corrido, porém no final deu tudo certo. Quando vim pra Suíça, eu achava que o casamento seria super formal, só eu e o Amir, as testemunhas, um juiz e os papéis. Mas o “estado” faz tudo em salas especiais e específicas para casamentos, e que varia de tamanho e sofisticação, variando também o preço. Como não tínhamos muitos convidados, já que foi marcado para as 11h15 da manhã, escolhemos a menor sala. O nervosismo era grande, olha a cara de nervosa aqui embaixo. “Gente to casando! Para tudo, é isso mesmo? Confirma produção?”

Sexta-feira, onze e meia da manhã é bem provável que as pessoas estejam trabalhando né? Mas alguns amigos desempregados fofos fizeram questão de participar da cerimônia.

A cerimônia foi uma graça! Demorou mais do que o normal, porque foi toda realizada em alemão e português (exigência deles). O juiz foi super simpático desde o início de tudo, quando nos conhecemos para realizar a entrevista e oficializar o noivado. Ele falou dos símbolos presentes naquela sala, como: o tampão da mesa mais oval, tentando parecer um barco, ou seja, mesmo com mar agitado e algumas tempestades, o casal deve manter o barco em pé; uma obra de arte moderna na parede, tentando parecer asas, ou seja, na percepção do juiz significa que cada um de nós tem uma asa, ou seja, só é possível alcançar vôos altos quando juntos estivermos. Depois, ele leu um poema sobre felicidade, deu alguns conselhos muito sábios, lembrou que nos dias de hoje, em um casamento, o homem e a mulher têm os mesmos direitos e deveres. E falou outras coisas muito lindas, mas que agora eu não lembro.E depois de muita coisa romântica, chegou a hora das coisas práticas e formais. Mas como a cerimônia estava sendo realizada em duas línguas, a coisa meio que se perdeu. Vou explicar: o juiz perguntou pro Amir “você quer contrair matrimônio com a Karina….?” Daí a tradutora traduziu (exigência do juiz que tudo fosse traduzido). E o Amir não respondeu, não deu tempo, pois logo em seguida o juiz fez a pergunta pra mim.  E como de praxe, a tradutora traduziu a pergunta. E eu fui obrigada a perguntar “é agora que eu digo sim? Posso dizer sim?” (haha). Eu disse “sim”, o Amir disse “ja”, daí a tradutora traduziu meu “sim” pra “ja”, daí eu disse “ja” só pra descontrair, daí o juiz começou a rir dizendo “sim” e “ja”, e olha só a bagunça que se formou! Foi aí que, nesse momento de distração, o juiz nos declarou casados e pediu o beijo dos noivos.

Já casados, sentamos de novo pra ouvir as últimas palavras do juiz. O Amir apertava a minha mão tão forte que doía. Olha na foto abaixo ele agarrando meus finos dedos. Durante a semana, quando eu me encontrava com as meninas, elas sempre davam um jeito de me excluir só pra planejar as brincadeiras do casamento. Elas prepararam arroz e flores pra jogar nos novos. Achei muito fofo! Mas as brincadeiras ainda estavam por vir…Depois da cerimônia todo mundo estava meio tonto, sem se dar conta do que tinha acontecido. Os amigos não conseguiam acreditar que estavam no primeiro casamento do grupo, e a pra nós dois, a ficha ainda não tinha caído. E começamos a beber ali mesmo, na frente da “capela”.Fotos com os amigos, a família, os padrinhos e de novo com alguns amigos e família e e e já não conseguia mais sorrir. Mas o dia estava perfeito!Todo mundo com a barriga roncando, fomos para um restaurante maravilhoso! No topo da cidade, comida divina, atendimento divino e vista divina. Só faltou a minha família. Foi aí que o coração começou a apertar e liguei pros meus pais. O telefone tocou uma vez e eu já comecei a chorar. Meu pai atendeu e eu não conseguia mais falar nada. Desde a noite anterior ao casamento eu estava meio melancólica pelo fato de não te-los comigo. Mas foi meu único momento de drama, o resto foi só alegria. Mas tinha alguém que não parava de chorar e me beijar o dia todo: a sogra.  Depois o almoço e todo o nervosismo era hora de relaxar. Pois é, mas não deu tempo. A lua de mel era em dois dias e NADA estava marcado. Fomos agendar voo e hotel e voltamos pra casa pra organizar a festa com os amigos. 19 horas o pessoal começou a chegar. Ao todo foram seis meninas para um bando de marmanjos. Quem quiser dar uma checada nos garotos fiquem à vontade pra clicar na foto e aumentar (haha)  ;P

Após todos comidos e bebidos, começaram as brincadeiras. Primeiro a explicação: foi arrecadado dinheiro de todos os convidados para a festa, inclusive dos ausentes, e cada brincadeira correta vale 10 francos. 1. Vocês tem três minutos para colocar o máximo de roupas do outro. Taí o resultado. Cada peça de roupa valia 10 francos. Tiveram outras brincadeiras, como adivinhar qual era a panturrilha do Amir, com os olhos vendados. E não é que eu acertei! Teve também um questionário super embaraçoso com perguntas sobre nosso relacionamento. Teve amigos fazendo strip-tease pra mim, garotas fazendo declaração de amir pro Amir. Enfim, a noite foi muito divertida. E conforme a tradição na Suíça, a noiva deve usar um item velho, um item de pérola e um item azul. E as meninas providenciaram um item azul pra mim. Gente, na hora do meu buquê, teve muita competição! haha As seis garotas da festa disfarçando o interesse em ser a próxima, na primeira foto!A noite foi chegando, o alcool falando mais alto, os ânimos se alterando… Hora da brincadeira da laranja.Os amigos do Amir não paravam de comentar como a noite estava boa. Todos estavam felizes por nós. E eles estavam certos, pois a noite estava boa demais!
Fim das brincadeiras. Dinheiro contado! As meninas e organizadoras da diversão explicaram que foi coletado dinheiro de todos, e até os que não puderam participar da festa fizeram questão de mandar a contribuição. No final, ficamos assustados com a quantidade de dinheiro. Foi um casamento fora dos padrões. Pelo menos pra mim, sendo brasileira e acostumada com as festa de casamento em grande estilo. A grande festa no Brasil ainda virá, mas a alegria desse dia eu jamais vou esquecer. Eu sempre soube que sou um pouco fora dos padrões, mas nunca imaginei tanto. Mas também nunca imaginei tanta felicidade.

Mas muita felicidade e contentamento, trazem também exaustão e eu deixei minha própria festa à la francesa. Ainda tinha muita gente festejando com o noivo, e a noiva estava quase dormindo em pé.

Foi um dia especial e eu queria dividir essa história aqui com vocês, mesmo que através das minhas palavras apenas. “… e leve o tempo que levar, eu sei que eu encontrarei a felicidade…”

Já me sinto além do arco-íris.


12

Confira os posts recentes!

Karina Azevedo • todos os direitos reservados © 2019 • powered by WordPress • Desenvolvido por